quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

José do Telhado

De todos as personagens e casos focados nas Memórias do Cárcere, a história de capa e espada do José do Telhado é das mais interessantes. Camilo, enquanto esteve preso por adultério, conviveu com os maiores proscritos da sociedade, alguns inocentes, outros a quem ele limpou da crueldade, analisando sublimemente a condição humana e as condições sociais da época.
O herói Zé do Telhado, que faz parte da memória colectiva minhota, transforma-se, com Camilo, num mito nacional. De criminoso a herói.

"Este nosso Portugal é um país em que nem pode ser-se salteador de fama, de estrondo, de feroz sublimidade! Tudo aqui é pequeno: nem os ladrões chegam à craveira dos ladrões dos outros países! Todas as vocações morrem de garrote, quando se manifestam e apontam extraordinários destinos!"

In Memórias do Cárcere, Camilo Castelo Branco

Foi escrito por Camilo em 1862!
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

as vinhas da ira

CICLO "UM LIVRO, UM FILME"

"As Vinhas da Ira", de John Ford
"As Vinhas da Ira" de Steinbeck

CONVIDADO: Mário Augusto (jornalista)
sexta-feira, 23 Fev. 07
Auditório do Centro de Estudos Camilianos, em S. Miguel de Seide
Entrada Livre

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

estômago


Ainda no Coração, Cabeça e Estômago, o Estômago é o livro que menos tem a ver com os ideais de Camilo. Aqui, na realidade, ele não defende um positivismo prático nem tem a convicção de que a felicidade se realiza no regresso à terra, apesar de Silvestre Silva morrer "pela boca", de indigestão!

"- Esquece-te, brutaliza-te, faze-te estômago, se queres viver à imagem do Deus, que faz os homens neste tempo!
O único livro, que lhe vi à cabeceira da cama, era a Fisiologia do paladar de Brillat-Savarin, e a Gastronomia, poema de Bouchet."

Vivam as bibliotecas vivas.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

cabeça

de Mazen Kerbaj

Cabeça, segunda parte do Coração, Cabeça e Estômago, é a fase da vida da personagem central, Silvestre, em que este tem "relações sérias" com as mulheres. O poder do subconsciente a comandar os sentidos, a lei da paixão a ser refreada. Camilo escreve a Cabeça depois de ter estado na Prisão da Relação do Porto, onde esteve preso por causa do seu grande amor por Ana Plácido, acusado de adultério.
Inicia este livro com a seguinte sentença:

"O Homem não se deve sómente à sua felicidade: - primeira máxima."

Seguem-se outras, para o estômago trincar!
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

coração

Na primeira parte do livro Coração, Cabeça e Estômago, é o Coração que comanda a vida da personagem Silvestre Silva.
Nesta fase da sua vida sentimental, Silvestre ama 7 mulheres! Só casará, na fase do Estômago, com a Tomásia.

O Museu Nacional da Imprensa está a promover a sétima edição do Concurso de Textos de Amor originais.

Trata-se de uma iniciativa especial para o Dia dos Namorados que se prolonga por uma semana, até ao dia 21 Fevereiro 2007.

Durante a “semana dos namorados” o museu está aberto à recepção de textos originais alusivos ao amor e os visitantes poderão imprimir poemas de carácter amoroso.

Dirigido aos apaixonados de todas as idades e residentes em qualquer parte do país, o concurso vai premiar o melhor texto concorrente, em poesia ou prosa, com viagens, livros e cd-roms.
Vivam as bibliotecas vivas e os museus vivos!

coração, cabeça e estômago

Camilla Engman

Editado em 1862. A história é a autobiografia sentimental de Silvestre da Silva, que ao morrer deixa de herança, a Camilo, três livros, o 1º Coração, o 2º Cabeça e por último Estômago, que Camilo vai editar.
Desenganem-se. Camilo escreve, na realidade, este romance, contemplando as três fases da vida de Silvestre da Silva (dele próprio?), e não deixa de fazer crítica à vida da sociedade da época, sobretudo da cidade do Porto, onde ele próprio esteve preso e foi julgado no processo de adultério.
Nas três partes do livro, guia-nos pelas memórias de Silvestre, através das quais nos revela como a personagem se deixou guiar pelo coração, pela cabeça ou pelo estômago.
O editor interpela o narrador, o narrador ri-se da personagem Silvestre, o narrador contrapõe o editor, etc, etc. Soberbo, na arte de fingir. Supera o dramatismo e romantismo do Amor de perdição, renega-se, renega um estilo, uma filosofia, e genialmente ri-se dele próprio.
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

para a ana plácido

"Queen" de Camila Engman
Camilo escreveu sobre Ana Plácido:

"É uma alma de ferro a desta mulher. Faz orgulho amá-la! Os próprios inimigos se espantam, e dizem que sou eu que lhe dou a coragem. Mentem. É ela que se maravilha a si própria"

in "Correspondência de Camilo Castelo Branco", Alexandre Cabral

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

inquérito no rato de biblioteca

O Pedro Príncipe, Rato de Biblioteca, participante no Painel "Weblogues no domínio da Ciência da Informação", no 9º Congresso BAD, lança um inquérito, no seu blogue, para tentar recolher informações pertinentes para a reflexão. Isto é que é trabalhar. Aprende Luísa. Vamos participar respondendo ao inquérito. Eu já votei!
Vivam as Bibliotecas Vivas.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

casa da leitura

O portal Casa da Leitura criado pela Fundação Calouste Gulbenkian, com os colaboradores Ana Margarida Ramos, António Prole, João Paulo Cotrim, Sara Reis Silva, e muitos outros entusiastas, já está disponível para promover o livro e a leitura, tirar dúvidas e disponibilizar recensões de mais de 500 livros dirigidos à infância e adolescência, biografias e bibliografias, com actualização semanal, e facultar respostas a dúvidas, de famílias e profissionais, sobre práticas de leitura.
O portal destina-se aos mediadores da leitura, bibliotecários, professores, e ao público em geral, sobretudo pais e educadores.
Vivam as bibliotecas vivas.

hossana


O folheto intitulado Hossana de Camilo Castelo Branco, impresso no Porto em 1852, previamente publicado no jornal "Cristianismo", e desde a 1ª edição, na obra, "Duas épocas da vida" e "Preceitos da consciência", é composto por poemas religiosos do escritor.
Na primeira parte, apresenta as poesias religiosas, de pendor reflexivo, sobre os chamados «Sete Salmos Penitenciais», que fazem parte das sete súplicas distribuídas no Saltério (Salmos 6; 31; 37; 50; 101; 129; 142), e que a tradição cristã utiliza para invocar o perdão dos pecados. São célebres os comentários de S. Gregório Magno aos sete Salmos. Mas, quem melhor do que Camilo para retratar a condição humana?
Na segunda parte, Camilo apresenta os sete poemas "As Sete Dores de Maria Santíssima". Mais uma vez, uma temática de tradição cristã, que venera de modo especial as sete dores de Maria, que são: "a profecia de Simeão; a perseguição de Herodes e a fuga da Sagrada Família para o Egipto; a perda do Menino Jesus no Templo de Jerusalém; o encontro desta Mãe com Seu Filho; carregando a Cruz, no caminho para o Calvário; a Crucificação de Nosso Senhor; quando recebeu nos seus braços o corpo de Jesus Cristo, descido da Cruz; quando depositou Jesus no sepulcro, ficando Ela em triste solidão."
Camilo, em Hossana, retrata a sua fé.
Uma crença aclamada só na sua poesia?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

sarapatel de anjos e lágrimas

A blogosfera
fonte: blogue Data mining de Mattew Hurst

Camilo tem razão. Duas épocas na vida, a idade da determinação do coração e a idade da determinação da consciência. Não sendo uma sequência, é uma dinâmica que comanda a escrita e a vida. Diria, António Damásio, que a consciência, função biológica crítica, permite-nos conhecer a tristeza e a alegria, o amor e a perda.
O "sarapatel de anjos e lágrimas", que provoca a leitura da poesia na obra "Duas épocas na vida" do Camilo, é próprio, como ele mesmo diz, do insondável mistério humano.
António Damásio defende que a consciência é a chave para a vida examinada, a certidão para conhecer os sentimentos, as emoções. Provavelmente, a obra de Camilo está na cabeceira de Damásio.
Vivam as bibliotecas vivas.

o grande silêncio

Cartuxa, Alpes

Em 1998, estive nos Alpes franceses, em Grenoble, durante cerca de um mês, reunida com bibliotecários dinamarqueses e franceses. Representava oficialmente a Associação Bibliomédia e a Biblioteca Municipal de V.N. de Famalicão, no Seminário “Construire L´Europe dans les Bibliothèques: l´approche de l´histoire et de la littérature de 3 pays européns Dinamarca, Portugal , França”.
Desenvolvíamos um projecto de intercâmbio cultural e literário entre estes países. Visitamos muitas bibliotecas públicas da região, a casa do escritor Sthendal, alguns museus e aprendemos muito uns com os outros. Discutíamos um renascimento social, através dos livros, periódicos, bibliotecas, que transformariam a sociedade. Construir a Europa, uma Europa mais unida pela diversidade cultural.
Subimos à montanha, de carro, e demos longos passeios a pé. Apreciei, de longe, a Cartuxa.
Na altura, tão ávida e apressada que estava em aprender tudo, que só por uma graça inexplicável, me apercebi do "grande silêncio".
O filme Die grosse Stille, do cineasta alemão Phillip Groning, sobre a vida de contemplação e meditação dos monges da Ordem Cartusiana, da Cartuxa dos Alpes, está a surpreender o mundo de hoje. Deixemo-nos, também apanhar desprevenidos e silenciemos a nossa existência, para ver e sentir a Chartreuse.
Não sei explicar, mas as bibliotecas, definitivamente, cruzaram-se com minha vida.
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

memórias de uma família III


Decorreu, no Teatro Nacional de S. Carlos de 6 a 11 de Novembro 1991, o "Amor de Perdição", um drama musical em 3 actos para cantores, actores e músicos. A música de António Emiliano e o libreto de António S. Ribeiro (baseado no romance de Camilo) transformaram o romance num drama muito próximo de uma ópera, nunca deixando de ser teatro declamado e simultaneamente cantado. Foi uma produção com os actores residentes do Teatro Nacional D. Maria II e dos cantores do Teatro Nacional de S.Carlos.
O libreto abre e fecha com a mesma frase:

"Amou, perdeu-se e morreu amando"

In Amor de Perdição e em todo o universo Camiliano.
Vivam as bibliotecas vivas.

Pode ser consultado na Casa de Camilo:
Amor de perdição : drama musical em três actos para cantores e actores e músicos / Teatro Nacional de S. Carlos, Teatro Nacional D. Maria II ; música por António Emiliano ; libreto de António S. Ribeiro. - Lisboa : Teatro Nacional de S. Carlos, 1991. - 67 p. : il. ; 22 cm. - Contém: autógrafo de Alexandre Cabral no anterrosto .- Espéctáculo apresentado em estreia absoluta nos dias 6, 8, 10 e 11 de Novembro de 1991.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

memórias de uma família II


amor02.jpg

Podemos descobrir em Amor de Perdição, filme de Manoel de Oliveira, uma adaptação soberba da obra de Camilo Castelo Branco. O filme tem como argumento o próprio livro. Nada no filme escapa ao romance, tendo até Oliveira a ousadia de acrescentar uma ou duas cenas adicionais. É o caso do desembarque da família Botelho no Douro, a caminho de Vila Real. Momento que associa a futura tragédia de Simão, protagonista da obra, pois ali ele voltará a embarcar para África. O filme é uma espécie de teatro filmado, onde as personagens são voz.
Perdição. O Amor assim entendido, leva Mariana, Teresa e Simão a encontrarem-se na Morte, encontro magnificamente filmado por Manoel Oliveira.
Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

memórias de uma família


Luís Amaro de Oliveira (1920-1991), professor, autor de inúmeros livros didácticos sobre escritores portugueses, escreve uma síntese crítica, análise literária do "Amor de perdição", no ano de 1975. Muitos alunos estudaram a obra camiliana por este estudo.
O que tem Luís Amaro de Oliveira de tão especial? Para além de apaixonado pelo Camilo, sensibilizou jovens leitores para a narrativa do escritor; foi amigo do cineasta Manuel de Oliveira, e participou activamente em reuniões de preparação das filmagens do "Amor de Perdição". Seu filho, José Nuno Oliveira, guarda religiosamente os rascunhos de desenhos de cenas do filme desenhadas, em toalhas de papel do restaurante, pelo Luís e o Manuel de Oliveira.

"Vi na secretária do Luís Amaro (o de cá...) a sua edição do "Amor de Perdição", cobicei-lhe o livro, li o seu comentário – e quero felicitá-lo: é uma lúcida, original, fundamentada, válida leitura crítica do texto camiliano".

JACINTO DO PRADO COELHO, correspondência particular, 16/12/76

Homenagem a Luís Amaro de Oliveira - Póvoa de Varzim, 1998

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Victor Hugo e Camilo


"L´amour n´a point de moyen terme : ou il perd, ou il sauve."
Victor Hugo

Pensamento impresso na folha de rosto da obra "Amor de Salvação", 8ª edição, de Camilo Castelo Branco.
Em 21 de Agosto de 1889, Camilo oferece, a seu filho Nuno, "Os Miseráveis" de Victor Hugo, seu admirado escritor francês e seu contemporâneo. Este obra pertence ao espólio da Casa de Camilo, para sempre ligada com a vida de Victor Hugo.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

amor de salvação III


Hoje, no Minho, 9h45
Seide

"Estava claro o céu, tépido o ar, e as bouças e montes floridos. O mês era de Dezembro, de 1863, em véspera de Natal.
A gente das cidades pergunta-me em que país do mundo florescem, em Dezembro, bouças e montados.
Respondo que é em Portugal, no perpétuo jardim do mundo, no Minho, onde os inventores de deuses teriam ideado as suas teogonias, se não existisse a Grécia."

In Amor de Salvação
Camilo Castelo Branco

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

amor de salvação II

A Biblioteca do Estado de Vitória, em Melbourne, Austrália, inaugurou uma noite de “speed dating” (encontros românticos rápidos) com um traço literário. Quem comparece ao encontro deve levar um livro que goste ou odeie, para puxar conversa, assegurando que não haverá silêncios constrangedores durante as séries de conversas, de cinco minutos, com os diversos solteiros do grupo.
É ‘speed dating’ com livros. A ideia é juntar os amantes de literatura.
O primeiro encontro foi rapidamente preenchido por 52 participantes, e 13 casais que se conheceram no local marcaram encontros futuros. A iniciativa provou ser um sucesso tão grande que mais noites de encontros já estão programadas para este ano.
Entre os livros levados para a primeira noite de encontros estavam “O Diário de Bridget Jones”, de Susan Fielding; “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams; e alguns romances do autor japonês Haruki Murakami.

Fontes:
Bibliorandum , State Library of Victoria, Austrália

Vivam as bibliotecas vivas. Com o Amor de Salvação!

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

amor de salvação I

Camilo, na Observação inicial do Amor de Salvação, justifica o título da obra:

"Para o amor maldito, duzentas páginas; para o amor de salvação as poucas restantes do livro. Volume que descrevesse um amor de bem-aventuranças terrenas, seria uma fábula."

A primeira edição desta obra é de 1864, e o amor de felicidade e bom exemplo ainda não tinha chegado a Camilo. Aliás, ele próprio defende que tem que tardar, o coração tem que passar pela reabilitação, e a consciência de regenerar-se para encontrar a tábua, na vida naufragada, que o irá salvar.
Bem-aventurados os que se passeiam pela vida, nas margens serenas, do amor que salva !
Vivam as bibliotecas vivas.

Blade Runner na Casa de Camilo

Para ler no Abrupto, de José Pacheco Pereira.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Camilo dixit

Caricatura de Camilo por Vasco


Lede como quem se recreia.
Para isso comprais este livro.


In : advertência "O Livro Negro do Padre Diniz"
Camilo Castelo Branco

marcar os livros com frases de Camilo

José Pacheco Pereira esteve em Seide, na 6ª feira, e hoje, no Abrupto, destaca os marcadores de livros com frases de Camilo Castelo Branco, oferta da Casa Museu.

"um livro bem pensado e bem composto só admira os dez literatos inteligentes que por aí vivem, lurados na sua obscuridade."
In Correspondência epistolar, CCB

Perguntaria, Camilo, se fosse vivo:
Quem são estes dez literatos? (10 Grandes Portugueses?)
Que livros de JPP irão marcar os marcadores?
Aguardam-se sugestões.
Vivam as bibliotecas vivas

domingo, 28 de janeiro de 2007

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

uma invenção lorpa

Inicia Camilo o romance Anátema, no capítulo 1, com o título:
"No qual se prova que o autor não tem jeito para escrever romances".

"Este começa por onde acabam os outros", ou seja com um casamento! Nove luas depois... o baptizado!
(Continua Camilo)
"vamos fechar este capítulo.
- Com que lance dramático?- pergunta o leitor.
- Nenhum! - respondo eu.
- Porque não inventaste um encapotado, que viesse perturbar este festim, como o Mane Tacel Phares de Balthazar?
- Era uma invenção lorpa - respondo eu.
- Pois não houve mais nada!? - torna o importuno.
Houve o seguinte:
O menino que fazia anos, meteu-se na capoeira das galinhas e degolou-as todas!
Acaba melhor do que eu imaginara."

São os diálogos que Camilo inventou para nós, leitores de invenções lorpas.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

maria josé moura

Inventou o futuro das bibliotecas públicas.
Sem a Maria José Moura não existiam bibliotecas públicas em Portugal. Existiam bibliotecas públicas, mas não as que ela sonhou e que alguns bibliotecários, com ela, fizeram crescer.
Proporcionou-nos o melhor, as viagens de estudo, as conferências internacionais, o aprendermos juntos, a realização de projectos, a não pararmos nunca pela maior causa, a tal revolução silenciosa, da Leitura Pública.
Encontramo-nos, bibliotecários de coração e alma com MJM, no próximo sábado, para gozarmos o gosto de estarmos vivos, e juntos ainda caminharmos.
Vivam as bibliotecas vivas.

Nota biográfica de Maria José Moura (não está actualizada)
Começou a sua carreira de bibliotecária na Universidade de Lisboa, onde desempenhou o cargo de Directora dos Serviços de Documentação e Publicações. Entre outras actividades, foi professora do Curso de Especialização em Ciências Documentais das Universidades de Coimbra e Lisboa, Coordenadora Geral da Comissão do Inventário do Património Cultural e adjunta do Gabinete do Secretário de Estado da Cultura.

Organizou e participou em diversas conferências e seminários internacionais e tem uma bibliografia que inclui os Relatórios sobre as Bibliotecas Públicas em Portugal (1986 e 1996).
Foi Directora de Serviços de Bibliotecas, no Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, vice-presidente do Conselho Superior das Bibliotecas Portuguesas, presidente do Ponto de Convergência Nacional do Programa Telemática para Bibliotecas da União Europeia, e membro do Information Society Forum – Bruxelas.

Foi condecorada com a Ordem de Mérito e, em 1998, recebeu o Prémio Internacional do Livro, atribuído pelo “International Book Committee”, sob proposta da IFLA.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

o padre Diniz e Blade Runner

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? O que nos torna humanos?
O filme Blade Runner aponta para estas questões religiosas e filosóficas. Deckard, ex-Blade Runner, veio para a Terra à procura do seu Criador, para tentar aumentar o seu período de vida e escapar à morte que se aproxima.
O Livro do Padre Diniz, não faz outra coisa. Através desta fantástica personagem, Camilo apresenta-nos a metamorfose de um homem que se procura em Deus.
Deste modo, fica o convite, um livro e um filme para ver e ler.
Vivam as bibliotecas vivas.

26 Janeiro 21h30
Casa de Camilo / Seide

Um livro Um filme

Do Androids dream of a electric sheep? de Philip K. Dick

Blade Runner de Ridley Scott

convidado José Pacheco Pereira
entrada livre

blogue Abrupto

um nu do valter hugo mãe

Editado pela Cosmorama (do poeta e teólogo José Rui Teixeira) o novo livro de poesia do valter. Para o delírio de todos os fãs. Há muito que nos tinha prometido um nu.
Aí está a Pornografia Erudita.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

directório de bibliotecas portuguesas


Parabéns ao meu ex-aluno, amigo e colega Fernando Vilarinho, do blogue Bibliotecas em Portugal, que acabou de publicar o Directório de Bibliotecas Portuguesas.
Um verdadeiro wiki. Só temos que colaborar, corrigindo e aumentando.

fiama

Fiama brilha junto das suas árvores, com os seus poemas, para sempre. O valter hugo mãe deixa-nos um depoimento sobre os últimos dias de Fiama, no tempo, na casa de osso.
Recordo os poemas de Fiama. De ir à biblioteca copiá-los num caderno, ao lado dos de Eugénio e do seu Gastão Cruz. Raramente comprava livros. Comia-os.
Vivam as bibliotecas vivas.

o tempo faz e desfaz

Nada tão silencioso como o tempo
no interior do corpo. Porque ele passa
com um rumor nas pedras que nos cobrem,
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até na íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.
....

Mas nós sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.
O tempo é silencioso e enigmático
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
o tempo faz e desfaz a vida.

Fiama Hasse Pais Brandão
1938-2007

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

sete selos

"E onde está ele?
Quem abriu os sete selos do Apocalipse?"

in advertência "O Livro Negro do Padre Diniz"
Camilo Castelo Branco

confrontar: Apocalipse 5, 1-14
post Tomei o pequeno livro e comi-o

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

camilo e rosalía



Rosalía de Castro, grande poeta galega, e Camilo Castelo Branco, irmanados pela grandeza da sua escrita, foram editados em edição dupla, os títulos "Amor de Perdição"* e "Follas Novas"**, numa iniciativa da Fundación Rosalía de Castro e da Casa Museu Camilo, pelas Edições Caixotim, numa belíssima caixa, em Dezembro de 2006.

* prefácio e fixação de texto Aníbal Pinto de Castro
** prefácio de Xesús Alonso Montero

quinta-feira, 18 de janeiro de 2007

o livro negro do padre Diniz I

A propósito da novela que decorre na RTP1, consultei a obra "O Livro Negro do Padre Diniz" (1855), e fiquei surpreendida pela Advertência, que Camilo Castelo Branco coloca nas primeiras páginas, interrogando o leitor sobre a condição humana.
Apresenta-nos, resumindo, a personalidade deste Padre Diniz, que é simultaneamente um fraco e um santo, que sabe que "a escala dos sofrimentos varia até ao infinito", e a quem desceu "a réstia luminosa da santificação". O criminoso e o anjo. Ora exerce uma influência boa ora cruel.
Seria homem, o Padre Dinis? - pergunta Camilo. Anjo ou super-homem?
Continua....

contributo para o estudo do fundo Vasco de Carvalho



quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

entre-dois

Sérgio Sousa, camilianista, professor na Universidade do Minho, defendeu em finais de 2005, o doutoramento, na mesma universidade, com a dissertação : "Entre-Dois : desejo e Antigo Regime na Ficção Camiliana". A obra ainda não está publicada, espero que seja para breve.
O autor fez um estudo da ficção Camiliana, que reflecte a sociedade do séc. XIX. Apresenta-nos, por um lado a sociedade patriarcal, um mundo do Antigo regime, e por outro, uma sociedade romântica, em que o indivíduo busca uma emancipação e demonstra um desejo sentimental.
A bipolaridade e as contradições desta sociedade oitocentista são relatadas nesta tese, através da ficção de Camilo, sobretudo nas três obras : "O Santo da Montanha", "A Queda de um Anjo" e "A Filha do Doutor Negro".
Este trabalho pode ser consultado na biblioteca da Casa Museu.
Vivam as bibliotecas vivas

terça-feira, 16 de janeiro de 2007

maria moisés II

"Maria Moisés", in Novelas do Minho, de Camilo Castelo Branco, narra duas histórias, a primeira é sobre os amores contrariados de Josefa de Santo Aleixo e de António de Queirós e da filha de ambos, Maria Moisés.
A segunda, é a história de vida de Maria de Moisés.

Para saber mais "Maria Moisés de Camilo Castelo Branco: Enredos do Coração" de
J. Cândido Martins (Universidade Católica Portuguesa – Braga).

Vivam as bibliotecas vivas.

paixões proibidas I I

Paixões Proibidas II

Apresentação - bastidores de Paixões Proibidas

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

vinte horas de liteira

séc. XIX, no Museu dos Coches

O romance "Vinte horas de liteira", de Camilo Castelo Branco, descreve a viagem que o escritor faz com a personagem António Joaquim, de Vila Real até ao Porto. É uma sucessão de histórias e narrativas que António Joaquim lhe vai contando, e vice-versa. O paradoxal desta obra, é a que a personagem ficcionada António Joaquim reconta, ao escritor, histórias reais. Essas histórias são ficção, escritas pelo narrador Camilo Castelo Branco. O narrador também conta, a António Joaquim, histórias verdadeiras.
Estas ambiguidades entre a conversa do livro e a literatura, o narrador que não é mas acaba por ser, o real e a ficção, transformam esta viagem ficcional camiliana numa verdade im(possível).
Recomendo o prefácio da investigadora Annabela Rita à obra Vinte Horas de Liteira, Edições Caixotim, 2002

A obra em CD-Rom Projecto Vercial
Vivam as bibliotecas vivas.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

trevas claríssimas

fotografia Anthony Goicolea


"Não se pode ser perfeito hoje em dia sem se ser um bocadinho idiota. A esta saudável ignorância das misérias do próximo, chamava o meu padre Manuel Bernardes, «trevas claríssimas»."

In Maria de Moisés

Camilo Castelo Branco

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Camilo por terras brasileiras II

O portal (do Governo Federal do Brasil ) Domínio Público necessita de colaboradores, em regime de voluntariado, para digitalizar as obras literárias que já se encontram em domínio público.
Quem quiser ajudar, e já agora divulgando as obras do Camilo que ainda não estão na biblioteca digital, pode fazê-lo para os emails:
parceiros@futuro.usp.br
ou
voluntario@futuro.usp.br

Bom trabalho e ajudem a manter as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Camilo por terras brasileiras I

O Governo brasileiro, através do Ministério da Educação, propõe um Portal de obras literárias, musicais, e outras, de domínio público, em formato de biblioteca digital. Este projecto estende-se também a obras contemporâneas cujos autores autorizem a sua divulgação e digitalização.
Camilo Castelo Branco é contemplado, nesta biblioteca digital, com 6 obras completas em pdf :

A Brasileira de Prazins

Amor de perdição

Coisas que só eu sei

Coração, cabeça e estômago

Os Brilhantes do Brasileiro

Uma Praga rogada nas escadas da forca


Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

manifesto do bibliotecário 2.0

Para iniciar o ano 2007, reconheço que ainda estou a interiorizar o bendito manifesto.
Aprecio os manifestos, as declarações de princípios, os decálogos. Recentemente, estudei e apresentei um trabalho sobre os "Manifestos de Carvalho Travassos" e os "Manifestos de Mangelos".
Vivam as bibliotecas vivas.

Manifesto do bibliotecário 2.0
(no blogue "Tame the web : libraries and technology" de Michael Stephens)

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

2007

Not because of victories
I sing,
having none,
but for the common sunshine,
the breeze,
the largess of the spring.

Not for victory
but for the day's work done
as well as I was able;
not for a seat upon the dais
but at the common table.

Charles Reznikoff, "Te Deum", 1976.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

natal


Igreja em Monforte, Alentejo


uma só palavra, um só gesto, uma só atitude:

ACREDITAR

a todos os meus amigos um Santo Natal.

(obrigado Fany, por me fazer sempre acreditar num mundo melhor).

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

fanny owen

Francisca de Manoel de Oliveira

Camilo Castelo Branco encontra-se com Fanny (Francisca Owen Pinto de Magalhães, 1830-1854), visitando-a e escrevendo-lhe umas famosas cartas, que mais tarde servirão para destruir a relação de Fanny com o futuro marido José Augusto Pinto de Magalhães. Estes morrerão de "amor", pela tragédia do triângulo de que Camilo faz parte.
Agustina Bessa Luís relata magistralmente estes trágicos amores no seu romance Fanny Owen.
Refira-se, também, que Francisca, o filme de Manoel de Oliveira, resulta de uma encomenda de diálogos a Agustina, da qual acabou por resultar este romance. O filme foi filmado na Quinta de Soeime, em Vilar do Paraíso.
A quinta pertenceu à
Tia Geninha (Efigénia Russel de Sousa casada com Carlos Dias de Almeida, tio avô da minha cara metade), onde, algumas vezes, percorri salas e jardins, onde se filmou Francisca.
Relembro, pelos meus 18 anos, ter visto este filme e nunca esquecer a famosa cena em que José Augusto entra, a cavalo, pelo quarto de Camilo onde têm um diálogo exemplar sobre o Amor e a fatalidade da morte.
"O que faz com que amemos alguém?", pergunta José Augusto, no momento em que já não há nada mais a fazer. O que fazer, então? "Gerar um anjo na plenitude do martírio", o que, no universo do filme e no universo de Oliveira e seus amores frustrados, significa construir um amor eterno no meio de toda a adversidade do mundo.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

paixões proibidas I

A RTP uniu esforços com a Band e deu corpo à novela Paixões Proibidas, que em Portugal tem estreia marcada para Janeiro de 2007. É uma adaptação dos livros, de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, Mistérios de Lisboa e O Livro Negro do Padre Dinis, feita pelo guionista Aimar Labaki, que retrata a sociedade portuguesa e brasileira do século XIX.
O projecto conta com a participação de nove actores portugueses em permanência. Uma lista encabeçada por Virgílio Castelo, Natália Luiza, Ana Bustorff, Henrique Viana, São José Correia, Pedro Lamares, Carlos Vieira, Nuno Pardal e Leonor Seixas. Do elenco brasileiro saltam à vista nomes como os de Flávio Galvão, Filipe Camargo, Suzy Rego, entre muitos.
Fazem parte da banda sonora, da novela, uma reunião de excelentes nomes como o de Chico Buarque, Mariza, Ivan Lins, Teresa Salgueiro, Caetano Veloso e Pedro Abrunhosa.

site oficial "Paixões Proibidas"

Wikipédia - Paixões Proibidas

mozart em seide II

Mozart's Requiem part 1

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

mozart em seide

fragmento do autógrafo Sonata para piano BKV 570, nº17 ,de Mozart
(British Library London)

A obra musical completa de Wolfgang Amadeus Mozart está disponível na Digital Mozart Edition.
(podemos pesquisar pelas 600 obras ou pesquisar pelas 10 classes em que a obra está dividida).
Não podia deixar de referenciar, pois sou uma apaixonada por Mozart. Toco algumas sonatas para piano e gosto de ler as restantes, ouvindo ao mesmo tempo as melhores interpretações. Chegou a ser um sonho de férias pôr as sonatas todas nos dedos.
Se Mozart tivesse sido contemporâneo de Camilo, concerteza que teria usado como libreto alguma novela para alguma ópera. As vidas deles não se cruzaram. Cruzo-me eu, aqui em Seide, a escutar a magnífica eterna música de Mozart.

Vivam as bibliotecas vivas.

camilo broca

Hoje, estará em Seide o escritor Mário Cláudio, ao final do dia, para apresentar este livro. Não há lugar melhor do que este para o fazer. Um romance que conta a história da família, por alcunha Brocas, e dos antepassados de Camilo, de forma ficcionada. Quem são eles? Muitos retratos nos são apresentados, vidas cruzadas, vidas sofridas, amor e ódio, inquietação.
Mário Cláudio, numa entrevista para o Portal da Literatura, sobre as personagens deste livro, afirma : "De facto, vivos ou mortos, reais ou imaginários, os interventores em qualquer história são sempre, e exclusivamente, os que existem dentro de nós."

entrevista a Mário Cláudio a propósito do seu livro "Camilo Broca"
sobre Mário Cláudio
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

bibliorandum

O colega Júlio Anjos disponibiliza um serviço - motor de pesquisa Bibliorandum - Akademya em ficamos a saber, (pesquisa no OAI Harvesting), que foram depositados, em vários repositórios espalhados pelo mundo, durante o dia 12 de Dezembro de 2006, trabalhos científicos na área da Informação e Documentação. São muitos !
Parabéns por este esforço de disponibilizar informação.


terça-feira, 12 de dezembro de 2006

maria moisés

Mais uma das "Novelas do Minho":
"Maria Moisés", escrita em S. Miguel de Seide, em Novembro de 1876.
Assim começa a novela : "O pequeno pegureiro contou as cabras à porta do curral; e, dando pela falta de uma, desatou a chorar com a maior boca e bulha que podia fazer. Era noite fechada. Tinha medo de voltar ao monte...".
Seguem-de as peripécias que levam ao suicídio da Josefa, e ao abandono da sua filha recém-nascida, no rio. Será esta a Maria Moisés, que faz justiça ao sobrenome bíblico, indicativo da circunstância em que foi encontrada, num berço sobre o rio.

As Novelas do Minho podem ser lidas, em papel, em muitas edições. Na Camiliana, da Casa de Camilo, aconselhamos estas :
- edição crítica organizada, com base nos manuscritos e na primeira edição por Helena Mira Mateus (Lisboa : Centro de Estudos Filológicos, 1961)
- selecção e notas de Alexandre Cabral (Lisboa : Círculo de Leitores, 1982)
- prefácio e fixação do texto por J. Cândido Martins (Porto : Edições Caixotim, 2006), sob a direcção de Aníbal Pinto de Castro.

Em formato digital :
"Maria Moisés" - na Revista Ficções - Biblioteca online do Conto
"Maria Moisés" - na Biblioteca Digital da Porto Editora- obra integral pdf

Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

onde está a felicidade?

Depois de um fim de semana em paz e serenidade, eis que surge esta obra de Camilo, nas minhas mãos : "Onde está a felicidade?"
Este romance, publicado, em primeiro lugar no periódico A Verdade, em 1856, é um romance de costumes em que várias personagens procuram, cada uma à sua maneira, a felicidade, no dinheiro, outras no amor. E eis que, fabulosamente, Camilo tece uma intriga simbólica.
No Prólogo, um retrato de um usurário João Antunes da Mota, que antes de morrer, no célebre desastre das barcas, na Ribeira do Porto, no Rio Douro (ao fugir dos invasores franceses), enterra no chão de sua casa, na Rua dos Arménios, toda a sua fortuna, cento e cinquenta contos de réis. Facto importante, porque depois no romance, este acontecimento irá ser o desfecho à pergunta - Onde está a felicidade? Mas desenganem-se os incautos porque a resposta não é linear. Daí o fascínio desta obra, que vivamente recomendo.
Esta obra pode ser lida em várias edições e em CD-Rom, editado pelo Projecto Vercial.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Convite
sessão literária em torno do romance
Camilo Broca

de Mário Cláudio

5ª feira > 14 Dezembro > 18h00
auditório da Casa de Camilo
S. Miguel de Seide

apresentação pelo Drº José Manuel Mendes
Presidente da Associação Portuguesa de Escritores

o comendador em mp3

As Novelas do Minho, do Camilo Castelo Branco, foram editadas originalmente em 12 fascículos mensais, a partir de 1875 até 1877. Todas as oito novelas foram escritas aqui em S. Miguel Seide, excepto precisamente esta que aqui se apresenta "O Comendador", escrita em Coimbra e dedicada a D. António da Costa, e originalmente publicado n´ "O Minho". Esta novela escrita em plena maturidade intelectual do escritor, retrata a vida de Belchior, que em criança foi abandonado, pela mãe, à porta da igreja e que foi adoptado por uma viúva. Na sua juventude, apaixona-se pela filha de um homem rico e engravida-a. Furioso com a desonra, o pai dela e os irmãos dele arranjam maneira de o enviarem para o exército. Com a ajuda de um parente, Belchior foge para o Brasil. Vinte anos depois, regressa a Portugal com outro nome e rico, volta à aldeia e descobre o que se passou com a apaixonada e o filho, e arranja maneira de finalmente de se casar com ela.
Hoje podemos ouvir esta novela em mp3, descarregando-a do Boal - Biblioteca On-line Áudio de Literatura que é um excelente projecto de António Fidalgo e Rita Duarte da Universidade da Beira Interior, Covilhã.

"O Comendador" de Camilo Castelo Branco
(lida pelo actor Pedro Fonseca)
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

a última vitória de um conquistador


A psicanalista Cristina Fabião, em 1995, no Colóquio "A Mulher na vida e obra de Camilo", em Famalicão, apresentou um estudo intitulado "Camilo e a figura materna n´A última vitória de um conquistador."

Faz análise deste conto de Camilo, que é uma história de amor e traição entre duas personagens.
Defende que Camilo, com este texto, não precisava de o escrever só por questões económicas, mas escreveu-o para para jogar um jogo com o leitor e escapar à depressão.
Toda a sua escrita foi a salvação do suicídio, até ao dia em que cegou.

Fonte: A Mulher na Vida e Obra de Camilo : actas / org. Câmara Municipal de V.N. Famalicão, Centro de Estudos Camilianos.

suicídio de Camilo
Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

THE ADVENTURES OF Super Librarian

para a Inês Vila

bibliotecária em Ílhavo

Começa hoje a trabalhar na Biblioteca Municipal de Ílhavo. Repleta de sonhos e projectos, preparada para subir à escada e ver por cima do que vê.
Para a Inês Vila, para um coração ardente a iniciar, desejo o melhor.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Blogues

Alguns organizadores de blogues, no domínio da Ciência da Informação, vão reunir-se durante o 9º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, para reflectir, concluir, abanar as opiniões, etc. no Painel "Weblogues no domínio da Ciência da Informação", às 16:30, de 29 de Março, na sala 3, organizado e coordenado por mim.
Agradeço aos colegas o quanto tenho aprendido com eles : Adalberto Barreto, Júlio Anjos, Maria Clara Assunção, Paulo Jorge Sousa e Pedro Príncipe, que participarão neste painel, e a muitos outros que também animam a blogosfera.
Vivam os blogues vivos.

Programa provisório Congresso BAD

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

nas farmácias espanholas

O Estado português sugere um Plano Nacional de Leitura. Excelente. Os espanhóis "receitam" livros no Plano de Fomento de Leitura da Extremadura, ao converter os espaços de todas as farmácias da região em locais onde se pode encontrar folhetos sobre livros para o público infantil, juvenil e adulto. Os folhetos têm indicação da composição, indicações, posologia, precauções e outras informações sobre os livros. Biblioterapia? Eu acredito. Ler durante as aulas? Oxalá as crianças consigam engolir a pastilha.
Vivam as bibliotecas vivas.

meditar sobre a esperança


"A esperança anuncia que vai visitar aquele lugar do futuro, que viaja nua, deixando caídas no chão as roupas que hoje estão na moda. Leva consigo apenas uma boa dose de optimismo e explica que os optimistas podem vir a se enganar mas os pessimistas já se enganaram no ponto de partida."

Rosiska Darcy de Oliveira,
In A Dama e o Unicórnio,
2000

terça-feira, 28 de novembro de 2006

ler amar

"On lit comme on aime, on entre en lecture comme on tombe amoureux : par espérance, par impatience. [...] trouver le sommeil dans un seul corps, toucher au silence dans une seule phrase."

In
Une petite robe de fête
Christian Bobin

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Entre nós e as palavras, os emparedados

Cesariny 1923-2006
"...
Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis à boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar."


sexta-feira, 24 de novembro de 2006

tomei o pequeno livro e comi-o

"A voz do Céu, que eu, João, tinha ouvido, falou-me novamente, dizendo: «Vai buscar o livro aberto da mão do Anjo que está de pé sobre o mar e sobre a terra». Fui ter com o Anjo e pedi-lhe que me desse o pequeno livro. Ele disse-me: «Toma-o e come-o: no estômago, ele será amargo, mas na boca, ele será doce como o mel». Tomei o pequeno livro da mão do Anjo e comi-o: na minha boca era doce como o mel; mas depois de o engolir, amargou-me no estômago. Então disseram-me: «Tens de profetizar novamente contra muitos povos, nações, línguas e reis»."
Livro do Apocalipse 10, 8-11

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

o universo de Camilo

Para responder a muitos pedidos, cá vai uma menção ao Camilo, ao universo do escritor. Agora que estou tão perto dos seus livros, da sua casa, do seu quintal...
Posso dar-me ao luxo de estar à janela do seu quarto. O que vejo? Não vejo com os olhos dos últimos tempos de Camilo. Ele estava cego. A sua vida é a sua obra, num entrelaçar intenso que espero absorver.
O que vejo? Oferece-me uma contemplação panorâmica de uma Vida e de muitas vidas, daqui da minha janela bem em frente à Casa de Seide.
Estou aqui para transformar uma biblioteca.
Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

book cell

O Projecto BooK Cell, de Matej Krén, está instalado no átrio do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. O artista empilha milhares de livros numa estrutura arquitectónica em que somos convidados a entrar. É construído a partir de livros editados pela Fundação Gulbenkian ao longo de 50 anos, a memória e o saber acumulados nos livros reunidos, fechados e inacessíveis, diversos e preciosos serão potencialmente recuperados no final, quando todos puderem regressar à sua função de ser lidos.
A instalação é um recinto hexagonal com uma passagem definida por espelhos que asseguram a vertigem da queda, a desmultiplicação ad infinitum, o pânico da desorientação espacial próprios de um infinito virtual.
Uma sensação de desorientação.
Hoje é assim mesmo que me sinto, dentro desta instalação.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

a biblioteca de D. Manuel II

Nas Conferências do Cenáculo, que hoje terminam, em Évora, gostei imenso de ouvir falar, o Drº João Ruas, sobre a Biblioteca de D. Manuel II. Já a conhecia, do célebre Catálogo que o próprio rei escreveu, investigou e elaborou com a secretária-bibliotecária inglesa, durante o exílio em Londres. São 3 volumes (o último publicado já depois da sua morte, em 1932). É uma obra de referência essencial sobre a tipografia portuguesa do século XV e XVI.
Toda a sua biblioteca foi testamentada à Fundação Casa de Bragança, em Vila Viçosa. Continua a ter tratamento real e sempre que posssível aumentada com exemplares da tipografia quatrocentista e quinhentista.
Hoje fazem 117 anos que D. Manuel II nasceu. Parabéns a este amante dos livros.
Vivam as bibliotecas vivas.