quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

fanny owen

Francisca de Manoel de Oliveira

Camilo Castelo Branco encontra-se com Fanny (Francisca Owen Pinto de Magalhães, 1830-1854), visitando-a e escrevendo-lhe umas famosas cartas, que mais tarde servirão para destruir a relação de Fanny com o futuro marido José Augusto Pinto de Magalhães. Estes morrerão de "amor", pela tragédia do triângulo de que Camilo faz parte.
Agustina Bessa Luís relata magistralmente estes trágicos amores no seu romance Fanny Owen.
Refira-se, também, que Francisca, o filme de Manoel de Oliveira, resulta de uma encomenda de diálogos a Agustina, da qual acabou por resultar este romance. O filme foi filmado na Quinta de Soeime, em Vilar do Paraíso.
A quinta pertenceu à
Tia Geninha (Efigénia Russel de Sousa casada com Carlos Dias de Almeida, tio avô da minha cara metade), onde, algumas vezes, percorri salas e jardins, onde se filmou Francisca.
Relembro, pelos meus 18 anos, ter visto este filme e nunca esquecer a famosa cena em que José Augusto entra, a cavalo, pelo quarto de Camilo onde têm um diálogo exemplar sobre o Amor e a fatalidade da morte.
"O que faz com que amemos alguém?", pergunta José Augusto, no momento em que já não há nada mais a fazer. O que fazer, então? "Gerar um anjo na plenitude do martírio", o que, no universo do filme e no universo de Oliveira e seus amores frustrados, significa construir um amor eterno no meio de toda a adversidade do mundo.

6 comentários:

Anónimo disse...

Drª

Boas Festas e desejos de um Óptimo Ano 2007!

Jorge Braga disse...

Carlos Dias de Almeida e Efigénia Russel de Sousa eram meus padrinhos, e a Quinta de Soeime o paraiso na terra, tendo lá almoçado com eles pela última vez no dia 5 de Dezembro de 1965. Não só me lembro muito bem da entrada da quinta, numa suave vertente nebulosa, como especialmente da sala de jantar no primeiro andar e da sala de estar no rés-do-chão, descendo a escadaria forrada de quadros, escudos e armaduras. Não eramos muito assiduos, uma ou duas vezes por ano, tendo eles uma casa em Miramar, muito perto da nossa em Francelos, vizinha da Heliântia. A minha memória dos meus padrinhos é a de um casal muito harmónico, amigos da minha avó paterna e dos meus pais. Todas as Páscoas me ofereciam uma caixa de "Meccano" superior à precedente, se bem que não me lembre do número 10... Depois foi o Lego, e nestas construções refugiei-me toda a meninice. Mas a direcção da quinta, em Vilar do Paraiso, escrevi-a muitas vezes nos envelopes das cartas em que lhes agradecia os presentes. Nos fins de 1967 visitei o meu padrinho na litografia Lusitânia, entre a rotunda da Boavista e o cemitério de Agramonmte, despedindo-me sem lhe dizer que o fazia. Depois foi Paris, e estou há quase quarenta anos em Copenhaga. Francisca é dos poucos filmes do Manoel de Oliveira que não conheço, espero um dia poder vê-lo e avivar memórias de Soeime.

Luísa Alvim disse...

Boa tarde Jorge Braga

adorei o seu comentário,gostaria muito de o contactar. Será que pode enviar o seu email.
Obrigada
Luísa Alvim

Anónimo disse...

Gostaria de corrigir uma informação que está no texto, no texto diz que a quinta do soieme é em vilar do paraiso mas isso não é verdade, a quinta do soieme fica em Vilar de Andorinho!

Anónimo disse...

Caros Jorge Braga e Luisa Alvim,

Carlos Dias de Almeida e Efigénia Dias de Almeida eram também meus padrinhos.
Nunca fui a Soeime enquanto foi o meu padrinho vivo, porque os encontrava e visitava em Miramar, cuja casa tinha sido do meu bisavô e que era em frente á casa da minha avõ, a qual visitavamos todos os domingos.
Só após a sua morte, passei a visitar duas ou 3 vezes por ano a «Geninha» em Soeime, pois que ela deixou de ir com tanta frequência a Miramar.

abraços
Gabriel Silva

Marco Matos disse...

Pois a quinta não é em vilar do paraiso..
Em vilar fica a casa onde fanny owen cresceu e fugiu a villa Alice.. que por acaso está a cair ao poucos devido a uma guerra entre os proprietarios e o poder local..

Uma pena .. Para quem nao sabe qual é a casa respectivamente oposta a academia de musica..