quarta-feira, 27 de dezembro de 2006

natal


Igreja em Monforte, Alentejo


uma só palavra, um só gesto, uma só atitude:

ACREDITAR

a todos os meus amigos um Santo Natal.

(obrigado Fany, por me fazer sempre acreditar num mundo melhor).

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

fanny owen

Francisca de Manoel de Oliveira

Camilo Castelo Branco encontra-se com Fanny (Francisca Owen Pinto de Magalhães, 1830-1854), visitando-a e escrevendo-lhe umas famosas cartas, que mais tarde servirão para destruir a relação de Fanny com o futuro marido José Augusto Pinto de Magalhães. Estes morrerão de "amor", pela tragédia do triângulo de que Camilo faz parte.
Agustina Bessa Luís relata magistralmente estes trágicos amores no seu romance Fanny Owen.
Refira-se, também, que Francisca, o filme de Manoel de Oliveira, resulta de uma encomenda de diálogos a Agustina, da qual acabou por resultar este romance. O filme foi filmado na Quinta de Soeime, em Vilar do Paraíso.
A quinta pertenceu à
Tia Geninha (Efigénia Russel de Sousa casada com Carlos Dias de Almeida, tio avô da minha cara metade), onde, algumas vezes, percorri salas e jardins, onde se filmou Francisca.
Relembro, pelos meus 18 anos, ter visto este filme e nunca esquecer a famosa cena em que José Augusto entra, a cavalo, pelo quarto de Camilo onde têm um diálogo exemplar sobre o Amor e a fatalidade da morte.
"O que faz com que amemos alguém?", pergunta José Augusto, no momento em que já não há nada mais a fazer. O que fazer, então? "Gerar um anjo na plenitude do martírio", o que, no universo do filme e no universo de Oliveira e seus amores frustrados, significa construir um amor eterno no meio de toda a adversidade do mundo.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

paixões proibidas I

A RTP uniu esforços com a Band e deu corpo à novela Paixões Proibidas, que em Portugal tem estreia marcada para Janeiro de 2007. É uma adaptação dos livros, de Camilo Castelo Branco, Amor de Perdição, Mistérios de Lisboa e O Livro Negro do Padre Dinis, feita pelo guionista Aimar Labaki, que retrata a sociedade portuguesa e brasileira do século XIX.
O projecto conta com a participação de nove actores portugueses em permanência. Uma lista encabeçada por Virgílio Castelo, Natália Luiza, Ana Bustorff, Henrique Viana, São José Correia, Pedro Lamares, Carlos Vieira, Nuno Pardal e Leonor Seixas. Do elenco brasileiro saltam à vista nomes como os de Flávio Galvão, Filipe Camargo, Suzy Rego, entre muitos.
Fazem parte da banda sonora, da novela, uma reunião de excelentes nomes como o de Chico Buarque, Mariza, Ivan Lins, Teresa Salgueiro, Caetano Veloso e Pedro Abrunhosa.

site oficial "Paixões Proibidas"

Wikipédia - Paixões Proibidas

mozart em seide II

Mozart's Requiem part 1

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

mozart em seide

fragmento do autógrafo Sonata para piano BKV 570, nº17 ,de Mozart
(British Library London)

A obra musical completa de Wolfgang Amadeus Mozart está disponível na Digital Mozart Edition.
(podemos pesquisar pelas 600 obras ou pesquisar pelas 10 classes em que a obra está dividida).
Não podia deixar de referenciar, pois sou uma apaixonada por Mozart. Toco algumas sonatas para piano e gosto de ler as restantes, ouvindo ao mesmo tempo as melhores interpretações. Chegou a ser um sonho de férias pôr as sonatas todas nos dedos.
Se Mozart tivesse sido contemporâneo de Camilo, concerteza que teria usado como libreto alguma novela para alguma ópera. As vidas deles não se cruzaram. Cruzo-me eu, aqui em Seide, a escutar a magnífica eterna música de Mozart.

Vivam as bibliotecas vivas.

camilo broca

Hoje, estará em Seide o escritor Mário Cláudio, ao final do dia, para apresentar este livro. Não há lugar melhor do que este para o fazer. Um romance que conta a história da família, por alcunha Brocas, e dos antepassados de Camilo, de forma ficcionada. Quem são eles? Muitos retratos nos são apresentados, vidas cruzadas, vidas sofridas, amor e ódio, inquietação.
Mário Cláudio, numa entrevista para o Portal da Literatura, sobre as personagens deste livro, afirma : "De facto, vivos ou mortos, reais ou imaginários, os interventores em qualquer história são sempre, e exclusivamente, os que existem dentro de nós."

entrevista a Mário Cláudio a propósito do seu livro "Camilo Broca"
sobre Mário Cláudio
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

bibliorandum

O colega Júlio Anjos disponibiliza um serviço - motor de pesquisa Bibliorandum - Akademya em ficamos a saber, (pesquisa no OAI Harvesting), que foram depositados, em vários repositórios espalhados pelo mundo, durante o dia 12 de Dezembro de 2006, trabalhos científicos na área da Informação e Documentação. São muitos !
Parabéns por este esforço de disponibilizar informação.


terça-feira, 12 de dezembro de 2006

maria moisés

Mais uma das "Novelas do Minho":
"Maria Moisés", escrita em S. Miguel de Seide, em Novembro de 1876.
Assim começa a novela : "O pequeno pegureiro contou as cabras à porta do curral; e, dando pela falta de uma, desatou a chorar com a maior boca e bulha que podia fazer. Era noite fechada. Tinha medo de voltar ao monte...".
Seguem-de as peripécias que levam ao suicídio da Josefa, e ao abandono da sua filha recém-nascida, no rio. Será esta a Maria Moisés, que faz justiça ao sobrenome bíblico, indicativo da circunstância em que foi encontrada, num berço sobre o rio.

As Novelas do Minho podem ser lidas, em papel, em muitas edições. Na Camiliana, da Casa de Camilo, aconselhamos estas :
- edição crítica organizada, com base nos manuscritos e na primeira edição por Helena Mira Mateus (Lisboa : Centro de Estudos Filológicos, 1961)
- selecção e notas de Alexandre Cabral (Lisboa : Círculo de Leitores, 1982)
- prefácio e fixação do texto por J. Cândido Martins (Porto : Edições Caixotim, 2006), sob a direcção de Aníbal Pinto de Castro.

Em formato digital :
"Maria Moisés" - na Revista Ficções - Biblioteca online do Conto
"Maria Moisés" - na Biblioteca Digital da Porto Editora- obra integral pdf

Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

onde está a felicidade?

Depois de um fim de semana em paz e serenidade, eis que surge esta obra de Camilo, nas minhas mãos : "Onde está a felicidade?"
Este romance, publicado, em primeiro lugar no periódico A Verdade, em 1856, é um romance de costumes em que várias personagens procuram, cada uma à sua maneira, a felicidade, no dinheiro, outras no amor. E eis que, fabulosamente, Camilo tece uma intriga simbólica.
No Prólogo, um retrato de um usurário João Antunes da Mota, que antes de morrer, no célebre desastre das barcas, na Ribeira do Porto, no Rio Douro (ao fugir dos invasores franceses), enterra no chão de sua casa, na Rua dos Arménios, toda a sua fortuna, cento e cinquenta contos de réis. Facto importante, porque depois no romance, este acontecimento irá ser o desfecho à pergunta - Onde está a felicidade? Mas desenganem-se os incautos porque a resposta não é linear. Daí o fascínio desta obra, que vivamente recomendo.
Esta obra pode ser lida em várias edições e em CD-Rom, editado pelo Projecto Vercial.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Convite
sessão literária em torno do romance
Camilo Broca

de Mário Cláudio

5ª feira > 14 Dezembro > 18h00
auditório da Casa de Camilo
S. Miguel de Seide

apresentação pelo Drº José Manuel Mendes
Presidente da Associação Portuguesa de Escritores

o comendador em mp3

As Novelas do Minho, do Camilo Castelo Branco, foram editadas originalmente em 12 fascículos mensais, a partir de 1875 até 1877. Todas as oito novelas foram escritas aqui em S. Miguel Seide, excepto precisamente esta que aqui se apresenta "O Comendador", escrita em Coimbra e dedicada a D. António da Costa, e originalmente publicado n´ "O Minho". Esta novela escrita em plena maturidade intelectual do escritor, retrata a vida de Belchior, que em criança foi abandonado, pela mãe, à porta da igreja e que foi adoptado por uma viúva. Na sua juventude, apaixona-se pela filha de um homem rico e engravida-a. Furioso com a desonra, o pai dela e os irmãos dele arranjam maneira de o enviarem para o exército. Com a ajuda de um parente, Belchior foge para o Brasil. Vinte anos depois, regressa a Portugal com outro nome e rico, volta à aldeia e descobre o que se passou com a apaixonada e o filho, e arranja maneira de finalmente de se casar com ela.
Hoje podemos ouvir esta novela em mp3, descarregando-a do Boal - Biblioteca On-line Áudio de Literatura que é um excelente projecto de António Fidalgo e Rita Duarte da Universidade da Beira Interior, Covilhã.

"O Comendador" de Camilo Castelo Branco
(lida pelo actor Pedro Fonseca)
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

a última vitória de um conquistador


A psicanalista Cristina Fabião, em 1995, no Colóquio "A Mulher na vida e obra de Camilo", em Famalicão, apresentou um estudo intitulado "Camilo e a figura materna n´A última vitória de um conquistador."

Faz análise deste conto de Camilo, que é uma história de amor e traição entre duas personagens.
Defende que Camilo, com este texto, não precisava de o escrever só por questões económicas, mas escreveu-o para para jogar um jogo com o leitor e escapar à depressão.
Toda a sua escrita foi a salvação do suicídio, até ao dia em que cegou.

Fonte: A Mulher na Vida e Obra de Camilo : actas / org. Câmara Municipal de V.N. Famalicão, Centro de Estudos Camilianos.

suicídio de Camilo
Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

THE ADVENTURES OF Super Librarian

para a Inês Vila

bibliotecária em Ílhavo

Começa hoje a trabalhar na Biblioteca Municipal de Ílhavo. Repleta de sonhos e projectos, preparada para subir à escada e ver por cima do que vê.
Para a Inês Vila, para um coração ardente a iniciar, desejo o melhor.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Blogues

Alguns organizadores de blogues, no domínio da Ciência da Informação, vão reunir-se durante o 9º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, para reflectir, concluir, abanar as opiniões, etc. no Painel "Weblogues no domínio da Ciência da Informação", às 16:30, de 29 de Março, na sala 3, organizado e coordenado por mim.
Agradeço aos colegas o quanto tenho aprendido com eles : Adalberto Barreto, Júlio Anjos, Maria Clara Assunção, Paulo Jorge Sousa e Pedro Príncipe, que participarão neste painel, e a muitos outros que também animam a blogosfera.
Vivam os blogues vivos.

Programa provisório Congresso BAD

quarta-feira, 29 de novembro de 2006

nas farmácias espanholas

O Estado português sugere um Plano Nacional de Leitura. Excelente. Os espanhóis "receitam" livros no Plano de Fomento de Leitura da Extremadura, ao converter os espaços de todas as farmácias da região em locais onde se pode encontrar folhetos sobre livros para o público infantil, juvenil e adulto. Os folhetos têm indicação da composição, indicações, posologia, precauções e outras informações sobre os livros. Biblioterapia? Eu acredito. Ler durante as aulas? Oxalá as crianças consigam engolir a pastilha.
Vivam as bibliotecas vivas.

meditar sobre a esperança


"A esperança anuncia que vai visitar aquele lugar do futuro, que viaja nua, deixando caídas no chão as roupas que hoje estão na moda. Leva consigo apenas uma boa dose de optimismo e explica que os optimistas podem vir a se enganar mas os pessimistas já se enganaram no ponto de partida."

Rosiska Darcy de Oliveira,
In A Dama e o Unicórnio,
2000

terça-feira, 28 de novembro de 2006

ler amar

"On lit comme on aime, on entre en lecture comme on tombe amoureux : par espérance, par impatience. [...] trouver le sommeil dans un seul corps, toucher au silence dans une seule phrase."

In
Une petite robe de fête
Christian Bobin

segunda-feira, 27 de novembro de 2006

Entre nós e as palavras, os emparedados

Cesariny 1923-2006
"...
Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição

Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor

E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis à boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita

Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar."


sexta-feira, 24 de novembro de 2006

tomei o pequeno livro e comi-o

"A voz do Céu, que eu, João, tinha ouvido, falou-me novamente, dizendo: «Vai buscar o livro aberto da mão do Anjo que está de pé sobre o mar e sobre a terra». Fui ter com o Anjo e pedi-lhe que me desse o pequeno livro. Ele disse-me: «Toma-o e come-o: no estômago, ele será amargo, mas na boca, ele será doce como o mel». Tomei o pequeno livro da mão do Anjo e comi-o: na minha boca era doce como o mel; mas depois de o engolir, amargou-me no estômago. Então disseram-me: «Tens de profetizar novamente contra muitos povos, nações, línguas e reis»."
Livro do Apocalipse 10, 8-11

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

o universo de Camilo

Para responder a muitos pedidos, cá vai uma menção ao Camilo, ao universo do escritor. Agora que estou tão perto dos seus livros, da sua casa, do seu quintal...
Posso dar-me ao luxo de estar à janela do seu quarto. O que vejo? Não vejo com os olhos dos últimos tempos de Camilo. Ele estava cego. A sua vida é a sua obra, num entrelaçar intenso que espero absorver.
O que vejo? Oferece-me uma contemplação panorâmica de uma Vida e de muitas vidas, daqui da minha janela bem em frente à Casa de Seide.
Estou aqui para transformar uma biblioteca.
Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 20 de novembro de 2006

book cell

O Projecto BooK Cell, de Matej Krén, está instalado no átrio do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. O artista empilha milhares de livros numa estrutura arquitectónica em que somos convidados a entrar. É construído a partir de livros editados pela Fundação Gulbenkian ao longo de 50 anos, a memória e o saber acumulados nos livros reunidos, fechados e inacessíveis, diversos e preciosos serão potencialmente recuperados no final, quando todos puderem regressar à sua função de ser lidos.
A instalação é um recinto hexagonal com uma passagem definida por espelhos que asseguram a vertigem da queda, a desmultiplicação ad infinitum, o pânico da desorientação espacial próprios de um infinito virtual.
Uma sensação de desorientação.
Hoje é assim mesmo que me sinto, dentro desta instalação.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

a biblioteca de D. Manuel II

Nas Conferências do Cenáculo, que hoje terminam, em Évora, gostei imenso de ouvir falar, o Drº João Ruas, sobre a Biblioteca de D. Manuel II. Já a conhecia, do célebre Catálogo que o próprio rei escreveu, investigou e elaborou com a secretária-bibliotecária inglesa, durante o exílio em Londres. São 3 volumes (o último publicado já depois da sua morte, em 1932). É uma obra de referência essencial sobre a tipografia portuguesa do século XV e XVI.
Toda a sua biblioteca foi testamentada à Fundação Casa de Bragança, em Vila Viçosa. Continua a ter tratamento real e sempre que posssível aumentada com exemplares da tipografia quatrocentista e quinhentista.
Hoje fazem 117 anos que D. Manuel II nasceu. Parabéns a este amante dos livros.
Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 13 de novembro de 2006

grandes autores para pequenos leitores

Os Encontros Luso-Galaico-Franceses do livro infantil e juvenil estão prestes a começar no Porto. Não podia ser melhor tema : grandes autores para pequenos leitores. Sempre fui adepta deste lema na promoção da leitura.
Viva as bibliotecas vivas.

no cenáculo, em Évora

O Fundo azul da Biblioteca Pública de Évora, o espólio bibliográfico de Frei D. Manuel do Cenáculo, a biblioteca de D. Manuel II do Palácio de Vila Viçosa, os Manifestos de Carvalho Travassos e as Miscelâneas de Vasco de Carvalho, da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, os documentos fabulosos e magníficos que existem nas nossas bibliotecas são para serem conhecidos e estudados.
Os bibliotecários e investigadores têm realizado exposições, conferências e lutado por uma melhor divulgação destes documentos.
As III Conferências do Cenáculo em Évora, no dia 14 e 15 de Novembro, são mais um esforço de dar a conhecer o nosso património cultural bibliográfico.
Vivam as bibliotecas vivas.

Programa das III Conferências do Cenáculo


quinta-feira, 9 de novembro de 2006

as asas do desejo

O céu sobre Berlim, as asas do desejo. Hoje senti-me dentro deste filme, de Wim Wenders, com os anjos, na célebre Staatsbibliothek zu Berlin. Já o vi, pelos menos, há 18 anos e fui-o revendo ao longo ds vida. Agora sou eu mesma que estou dentro da biblioteca, a passear nas magníficas salas de leitura, a encontrar-me com a memória, com Homero, com os leitores, com a Palavra. Os anjos do filme não podem intervir nos acontecimentos do mundo. Há um que se deixa cair, na Potsdamer Strasse. Desejaria que as minhas asas permanecessem no interior da biblioteca.
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

sem Deus, sang diû

Sem Deus, Sang diû, é o nome da neta do senhor Linh, uma menina-boneca do Oriente, refugiada no colo do avô, num país distante. O exilado senhor Linh não compreende a língua nem a cultura, mas faz uma amizade com um homem solitário, uma amizade eterna.
Este livro, que terminei de ler já alguns dias, é uma fábula sobre a solidariedade, o saber dar atenção, o "dar o tempo todo" a alguém, em silêncio e com pequenos gestos. É uma fábula sobre a humanidade.
O livro é do francês Philippe Claudel.


helena laranjeiro

O texto do posting anterior é de autoria da minha amiga bibliotecária Helena Laranjeiro. Agora que o tempo é todo dela escreve pequenas histórias verdadeiras, pedras preciosas no nosso dia-a-dia. Deliciem-se.
Vivam as bibliotecárias.

um pouco do meu tempo todo


fotografia de Helena Laranjeiro
Eu seguia rente às casas pelo passeio estreito, rasando os peitoris das janelas postas sobre a rua. Numa delas, um rosto sulcado pelos anos, mas a que a idade não retirara vida, oferecia-se, sereno, a quem passava, enquanto o canário, na gaiola ao lado, desfrutava a visão do que não tinha no espaço a que se via confinado.
A manhã ia a caminho do meio sob um sol de Primavera que pousava mansamente nas fachadas e o meu dia enchia-se de pequenos nadas. Foi quando decidi parar e dar-lhe um pouco do meu tempo todo para preencher o todo tempo dela e, daí a nada, já me abria a porta, depois de recolhido o canário e fechada a acessibilidade da janela.
No pátio apontou com carinho os canteiros e os muros atapetados com centenas de conchas pela mão paciente do marido e destacou o nicho com a imagem da Senhora de Fátima que mantinha acesa a fé com que ele o havia construído.
Lamentou o gato de barro com as pernas partidas à entrada da cozinha e ergueu a tampa do tacho que sobre o fogão lhe guardava a comida.
Mostrou-me a copa com uma pequena mesa onde seria posto um único prato e levou-me, orgulhosa, à sala de jantar enfeitada com as rendas do seu crochetar.
Na salinha o televisor conversava com o canário e no quarto que fora do casal havia recordações por todo o lado: a ausência das bonecas cuja lembrança não quis guardar e a presença dos peluches que ainda sentia gosto em conservar. Mas mais que tudo a sua fotografia quando rapariga e a do marido antes da partida.
Chamava-se Francisca, tinha 85 anos e, desde que ficara só da noite para o dia, ia gerindo a saudade e a solidão como sabia. A lida da casa era toda sua, com pequenas costuras pelo meio, tudo ao som bem alto do televisor que lhe dava a ilusão de um companheiro. As tardes, essas, eram para o sol da Avenida onde achava casuais conversas e assegurava às pombas a comida.
Perdera a esperança do calor de um gato, ficando-se pela companhia de um canário, mas do fundo do peito saía-lhe ainda o gemido de um cântico que nunca esquecera e falava do amor por ela guardado para os filhos que nunca tivera.
Quando me reconduziu à porta, trazia sorrisos a passear nos caminhos do rosto e as suas mãos, apertando as minhas, faziam-se demorar, como se receasse quebrar os nós do frágil laço acabado de atar.
A ela não disse nada, não fosse desiludi-la com o meu falhar, mas a mim mesma prometi que iria voltar.


Helena Laranjeiro
Braga, 8 de Maio de 2006

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

gregor samsa

O valter hugo mãe, meu poeta e amigo, expõe na Galaria Símbolo (Rua Miguel Bombarda, Porto) o rosto naive e nítido de Gregor Samsa. A personagem fantástica da Metamorfose, do Kafka. Está tudo dito. A palavra também padece de metamorfose e a imagem é a palavra.

www.galeriasimbolo.com

a flor da alegria

A escritora Manuela Monteiro telefonou-me e ofereceu-me a verdadeira flor da alegria. As coisas que me disse, neste momento difícil da minha vida, foram as essenciais. Amanhã não estarei presente, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, no lançamento do livro, mas estaremos sempre juntas neste projecto, em construção, de um mundo melhor através da leitura das histórias que estão nos livros.


"O dragão, indeciso, coçou com as suas fortes garras a cabeça coberta de escamas e, mais brando, disse:
- É bonito isso da Amizade! Olha, poderás subir ao pico mais alto das Montanhas para colheres a Flor da Alegria, mas terás de vencer três provas muito difíceis para mostrares que és mesmo amigo da Rosalinda. É que a Amizade não é coisa fácil, sabes?"

in A Flor da Alegria de Manuela Monteiro, Campo das Letras, 2006

terça-feira, 17 de outubro de 2006

vida no trabalho

MAGNIFICAT

Ai, a vida!
Quanto mais me magoa, mais a canto.
Mais exalto este espanto
De viver.
Este absurdo humano,
Quotidiano,
Dum poeta cansado
De sofrer,
E a fazer versos como um namorado,
Sem a namorada que lhos queira ler.
Cego de luz, e sempre a olhar o sol
Num aturdido

Deslumbramento.
Cada breve momento
Recebido
Como um dom concedido
Que se não merece.
Ai, a vida! Como dói ser vivida,
E como a própria dor a quer e agradece.

Miguel Torga

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

a cidadela branca e os jardins da memória

"A cidadela branca" (existe na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, na cota 82-3 PAM) é um dos livros traduzidos para português de Orhan Pamuk, escritor turco, prémio nobel da Literatura de 2006.
A ler.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

revelações


No livro "Revelações" de Camilo Castelo Branco, encontrei o ex-libris de Américo Moreira da Silva, que rezava assim:
"o livro é um mudo que fala,
um surdo que responde,
um cego que guia,
um morto que vive."

Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

estrelas propícias


Estrelas benéficas que orientam o nosso mundo. Não é de metafísica que estou a falar, mas do livro de Camilo Castelo Branco "Estrelas propícias", hoje oferecido a uma personagem estreante nas novelas camilianas. A bem de todos, espero que tenha um desfecho feliz como a verdadeira novela.
Viva a biblioteca viva.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

as portas do castelo da felicidade abrem para fora



O que se ganha quando a vida nos deita a perder?

que os nossos medos são as nossas coragens.

que as nossas tristezas são a maior fonte de alegria.

Tenho a experiência de cair e tropeçar e tenho sempre a graça, que me é oferecida, de não desistir, e de cultivar o firme propósito de ser apenas pessimista sobre o pessimismo.

As portas do castelo da felicidade abrem para fora (S.Francisco de Sales).

e vivam as bibliotecas. Voltei.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

paz no mundo


Mazen Kerbag
Estamos de férias ou prester a ir. Desejamos paz no mundo. No Líbano e em Israel. Mazen Kerbag, no seu blogue Kerblog , faz-nos o diário de guerra, directamente de Beirute, no Líbano. Noites sem dormir, bombas por todo o lado. Uma guerra que mata. Porquê?

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

arte de navegar


Conheci um grande poeta, mencionado no post anterior, que trazia vestida uma camisola com o poema "arte de navegar".

"Vê como o Verão subitamente se faz água no teu peito,
e a noite se faz barco,
e a minha mão marinheiro."

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 27 de julho de 2006

deixa-me dar-te o verão

Londres, Mariana Alvim

O verão é feito de coisas
que não precisam de nome
um passeio de automóvel pela costa
o tempo incalculável de uma presença
o sofrimento que nos faz contar
um por um todos os peixes do tanque
e abandoná-los depressa
às suas voltas escuras.

José Tolentino Mendonça
In De igual para igual

sábado, 22 de julho de 2006

vodka e livros

A comunidade de leitores da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco vai de férias, com livros e filmes na bagagem.
Hoje, conversamos sobre o romance "Psicopata Americano" de Bret Easton Ellis. Uma história que mata muito bem e muito bem escrita, sobre uma América de extremos e excessos.
Despedimo-nos com vodka (directamente da Ucrânia) e bolo.
Terminou-se a conversa com as Cantigas de Amigo, de Amor e de escárnio e maldizer.
Analisamos as subtilezas...

quarta-feira, 19 de julho de 2006

relâmpago

Chegou hoje à biblioteca o nº18.
O mais recente número da revista Relâmpago é dedicado a Luiza Neto Jorge.
"Este é o tempo todo que me falta
e nem é muito nem pouco."
Luiza Neto Jorge
Na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco encontramos os seus livros :
A Lume, Assírio & Alvim, Lisboa, 1989
Poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001
Poemas de Luiza Neto Jorge (CD), poesia dita por Maria Emília Correia, 1997

segunda-feira, 17 de julho de 2006

temor e tremor


Temor e tremor.
Significados para estas palavras :

1. Foi o último livro comentado e lido pela Comunidade de Leitores, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Livro, da autora Amélie Nothomb, a quem foi atribuído o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, em 1999. Fez sensação em todo o mundo. É uma história verdadeira. Conheço-a e presencio-a todos os dias. Amélie viveu-a no Japão, na empresa Yumimoto Corporation. Pode ocorrer em qualquer instituição pública portuguesa. A hierarquia representa tudo. Quem se cinge ao seu lugar, sobrevive, quem tenta quebrar barreiras, será arrasado. Os perversos processos de humilhação acontecem em qualquer lugar.

2. É também o título da obra filosófica de Sören Kierkegaard, que foi publicada em 1843. A perspectiva trabalhada em “Temor e Tremor” é de cunho religioso e, na dialética existencial de Sören Kierkegaard apresenta o homem ético representado pela figura bíblica de Abraão, que aos 70 anos, vê cumprir-se a promessa de Deus : "terás grande descendência". Torna-se pai na velhice. Quando recebe de Deus a orientação de que deve sacrificar o seu filho, Abraão crê e crumpre a ordem divina. Dá o salto da fé.
Kierkegaard reflecte sobre o homem que se entrega ao incompreensível, ao inimaginável, só possível pela fé. Considera o paradoxo da fé frente às questões éticas. Na fé, o indivíduo coloca-se acima do geral (o ético). O herói (ético) move-se pelos resultados e pela moral. O homem da fé move-se pela paixão.

3. Carta de S. Paulo aos Filipenses 2, 12 : “trabalhai a vossa salvação com temor e tremor”

domingo, 16 de julho de 2006

estrela da manhã

"Sê bem vinda, estrela mensageira do dia que nasce".
Desde que nasceu, a estrela mudou a vida de todos os que a rodeiam. Abençoada.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

S. Petersburgo

Inicío o meu dia fora de casa com a sessão de fisioterapia - biblioterapia, nas mãos da russa Helena.
Hoje, confessou-me que há vários anos está em Portugal a exercer fisioterapia, mas pela primeira vez tem uma "doente" que lê durante os tratamentos !
Quiz saber o que leio, o que faço e depressa conclui que a maioria da população portuguesa não tem hábitos de leitura.
Helena fala português correctamente, lê muito em russo e já se aventurou a ler romances na nossa língua. Nasceu na cidade mais fantástica, que ainda não conheço, a célebre S.Petersburgo.
Cidade da cultura - da música de Glinka, de Mussorgski, Tchaikovski, de Rimsky-Korsakov, de Shostakovich, de Stravinski, do ballet de Diaghilev, de Nijinski e de Ana Pavlovna, do teatro de Meyerhold, da poesia de Alexander Blok, de Maiakovski e de Ana Akhmatova, das telas de Chagall, de Malevich e de Kandinsky, a que possuiu o maior museu de artes do mundo - o Hermitage.
Num plebiscito realizado em 1991, durante o colapso da União Soviética, os moradores de Leningrado, originalmente S. Petersburgo, votaram em massa a favor da restauração do antigo nome. E assim o Cavaleiro de Bronze, símbolo mor de Pedro, o Grande, fundador desta pérola, glorificado no célebre poema de Puchkin “Um conto de Petersburgo”, voltou à cidade.
Como é que uma imigrante russa, fisioterapeuta em Portugal, se sentirá realizada culturalmente? Pergunta-me quando poderá assistir a uma ópera, a um bailado, em Braga?
Sugeri uma ida à Biblioteca (de Famalicão), onde pelo menos encontra Tolstoi e Tchaikovski.
Ela sugeriu-me uma ida à sua S. Petersburgo. Vivam as bibliotecas onde se pode viajar.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

biblioterapia

Bendita fisioterapia ! Ocupa-me cerca de 50 minutos por dia, o que me permite ler muito mais nos meus dias curtos. Tenho lido desalmadamente todas as novidades e antiguidades. Hoje começei "As Loucuras de Brooklin" de Paul Auster*. O narrador escreve sobre as pequenas loucuras do seu dia-a-dia e de todos os que o rodeiam. Guarda as histórias em caixas catalogadas. Está quase a morrer. Ainda vou na página 30. Quando terminar estará disponível na Biblioteca Municipal.
- Leitores vou ser rápida. Com 20 tratamentos a 50 minutos cada, mais o tempo que disponha para ler habitualmente...

Chama-se a esta nova terapia - Biblioterapia !

*Paul Auster galardoado com prémio Príncipe das Astúrias de Letras 2006

sexta-feira, 7 de julho de 2006

azul a sonhar

Foi hoje a homenagem ao José Sarmento (1956-2000). Se fosse vivo teria 50 anos.
A Universidade do Minho (IEC), através de alunos da escola Companhia da Música e de alunos do Centro Cultural Musical - Caldas da Saúde, organizou um concerto em sua memória, em Braga.
Olha o arco-íris, comunicar, o gato dórico e vamos sobre as ondas foram algumas das canções orquestradas por José Sarmento e muito bem cantadas pelas crianças do azul a sonhar.
A Biblioteca Municipal tem alguns discos com o José Sarmento, que acompanhou as grandes vozes da música pop portuguesa.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

pelo sonho é que vamos

Na parede da Biblioteca - Pólo em Riba de Ave está afixado o poema "O Sonho".
A imagem da biblioteca que agora vemos foi o início do sonho. Hoje esta biblioteca bate records de utilização, está repleta de jovens, de livros, de computadores. Está viva.
Para que quem lá trabalhe se sinta vivo, tem o dito poema afixado rente ao olhar.
Para a Inês, companheira de viagem, desejo que o sonho reencaminhe a partida enquanto vamos e somos.

O Sonho

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama
In : Pelo Sonho é que Vamos

terça-feira, 4 de julho de 2006

mulher em branco

O livro "Mulher em branco" de Rodrigo Guedes de Carvalho, está disponível na Biblioteca Municipal.
Uma criança desaparece. Estava à guarda do pai. O choque da notícia atira a mãe para um abismo de amnésia. Sem memória, é incapaz de chorar um filho que não sabe que tem. Como podemos continuar a viver se caminhamos vazios. E há um homem que arranja uma amante enquanto visita a mulher no hospital. Ladrões que roubam cinzas de uma morta. Em fundo, a irracional violência do divórcio. A bestialidade das palavras que atiramos uns aos outros como pedras. Uma mulher que espera ainda e sempre, à janela. Porque o coração é um bicho e não ouve. E uma pergunta a que não se ousa responder: Para onde vão os amores que foram um dia?

sábado, 1 de julho de 2006

ler. saber. fazer.

35ª Conferência da IASL - International Association of School Librarianship, realiza-se em Lisboa, com o tema "As múltiplas faces da literacia. Ler. Saber. Fazer", na Fundação Calouste Gulbenkian, de 3 a 7 de Julho de 2006.
"Numa sociedade baseada no conhecimento é fundamental dominar e desenvolver em simultâneo competências de literacia e multi-literacias, a partir de um trabalho de estreita colaboração entre professores, equipas de projectos e comunidade educativa. É neste contexto que o papel da Biblioteca Escolar se revela decisiva e de definitiva importância."
Não se esqueçam das Bibliotecas Públicas !

ser homem

As palavras não fazem o homem compreender,
é preciso fazer-se homem para entender as palavras.

Herberto Hélder

sexta-feira, 30 de junho de 2006

ler mais nas férias

A Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco e os Pólos emprestam livros durante 1 mês no período das férias Julho, Agosto e Setembro.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

terça-feira, 27 de junho de 2006

resistir é vencer !

Esta foi a mensagem que enviei para o blogue "bibliotecário anarquista", destinada ao seu amigo K, bibliotecário doutorado, encostado pelos Cês recentemente promovidos pelo partido e que nada sabem de bibliotecas.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

é à janela dos filhos que as mulheres respiram


Picasso
Para a minha amiga Fátima, bibliotecária, que regressa à sua biblioteca, e para o seu João Afonso que está ao redor do coração.

"As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres – ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que as abrigam.

É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas

Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos – no pescoço das mães – ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos.

As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração."

Daniel Faria
In : Poesia

quinta-feira, 22 de junho de 2006

no México, o futebol numa biblioteca

O futebol move montanhas, dá poder, torna os homens irracionais. No Terceiro Mundo ainda é pior.
No México, no dia em que este país jogou com Portugal, passaram-se situações inauditas !
Li, num blog sul-americano, que numa biblioteca, os trabalhadores tiveram autorização dos seus superiores para ir vendo o jogo enquanto trabalhavam, mas ao mesmo tempo, um superior dos superiores fiscalizava os trabalhadores para que ninguém visse o jogo, no local de trabalho!
Só mesmo no Terceiro Mundo é que isto acontece ! E o mais engraçado é que para branquear o acontecimento, o superior - inferior acusa o bibliotecário de não ter entendido bem as ordens quanto ao “ir vendo o futebol na hora de trabalho” !
Ainda bem que sou uma bibliotecária que detesto futebol e não vivo no Terceiro Mundo!

quarta-feira, 21 de junho de 2006

o comandante

Enquanto passeava no parque, na hora de almoço, encontro um utilizador da biblioteca pelo qual nutro um carinho muito especial. Há muito tempo que não o via e sentia um aperto no coração por nada saber dele.
É o meu muito querido Comandante Bento Leite, reformado das embarcações e das viagens à volta do mundo. Utiliza a biblioteca com muita frequência e procura sempre a bibliotecária para o ajudar nas suas difíceis pesquisas bibliográficas. É um prazer e um desafio ajudá-lo. Cruzamos os nossos caminhos há muito tempo. Já lhe procurei livros e relatórios por todas as bibliotecas portuguesas, sobre os assuntos que lhe interessam e que precisa para escrever. Apaixonei-me pela pesca, pelas embarcações, pela história dos barcos, pela pesca do bacalhau, pelos portos. Já lhe ouvi as histórias mais belas passadas no mar alto, as histórias exóticas por todos os sítios onde viveu.
De todas as vezes que o vejo, peço-lhe para as escrever. Já realizamos uma gigantesca exposição, na biblioteca municipal, com parte do seu espólio bibliográfico sobre as embarcações portuguesas, juntamente com réplicas-miniatura dessas embarcações.
A sua vida é contada pelos dias que passou no mar e pelos dias que passou em terra com a sua mulher, já falecida.
O tempo começa numa terça-feira, dia em que a sua amada mulher morreu, há já doze anos. Hoje é sempre doze anos, 4 meses e 20 dias passados sem a sua eterna mulher.
Um homem do mar, sem o amor da sua mulher, vem às vezes à biblioteca. Quando deixa de vir, sou eu que conto os dias, com o coração apertado.
Vivam as bibliotecas vivas.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

a casa de papel


Os livros mudam o destino das pessoas.
Mas nós mudamos também o destino dos livros e das bibliotecas.
Hoje lançei mais uns dados. A minha sorte será a sorte dos livros e de uma biblioteca.
Uma casa de papel. Os livros são a minha casa.
Viva uma biblioteca que quero tornar viva.
fotografia de Cláudia Neta

quinta-feira, 8 de junho de 2006

uma nova palavra

A partir de hoje, quem entrar na biblioteca encontra uma nova palavra. Uma palavra oferecida de par em par.
"Eu quero uma nova palavra
diferente das outras palavras
que cansei de repetir,
uma palavra de vento,
uma palavra que o tempo
seja capaz de ferir.
Eu quero uma nova palavra,
mistura de sol e de frio,
de barcos descendo um rio,
cheia de céu e de mar.
Eu quero uma nova palavra
aberta de par em par
como o rosto de um menino
com paisagens no ouvido
e cantigas no olhar."
João Pedro Mésseder
In "De que cor é o desejo ?"

terça-feira, 6 de junho de 2006

plano nacional de leitura


Sara Affonso
No passado dia 4, foi apresentado o Plano Nacional de Leitura, pelo Ministério da Educação e da Cultura. Vai ser mesmo uma prioridade política com investimento de milhares de euros.
O principal objectivo é incentivar a leitura entre os mais novos e criar hábitos de leitura.
No ano lectivo 2006/2007 arrancam 3 programas em todas as escolas do país :
- "Está na hora dos livros" - para crianças que não sabem ler e o objectivo é incentivar o contacto com as obras através das leituras feitas pelos educadores.(Pré-escola)
- "Está na hora da leitura" - para crianças que começam a ler. Todos os dias no 1º ciclo está previsto 1 hora/dia para a leitura com o professor na sala de aula, para além de outras actividades paralelas.
-"Quantos mais livros melhor" - destinado ao 2º ciclo, onde estão previstos 45 minutos de leitura, na sala de aula, na disciplina de Português.
As bibliotecas públicas já efectuam este trabalho já alguns anos, como diriam alguns estudiosos destas matérias, proporcionaram uma revolução "silenciosa" na área da promoção da leitura.
Vão agora ser contempladas com mais acções do Programa de Itinerâncias Culturais, do Ministério da Cultura, com 400.000 euros, para 2007 !
Vivam as bibliotecas vivas.

sábado, 3 de junho de 2006

14 portas se abrem

A biblioteca, que me acolheu e me fez crescer, retoma hoje o seu aniversário, neste novo edifício, com as características de uma biblioteca pública. Faz 14 anos que se abriram as portas e a luz entrou. Para não mais sair.
Parabéns à Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Viva a biblioteca viva.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

para todos os que trabalham comigo

Às vezes, o dia resume-se a uma palavra. Hoje o dia valeu pelo nosso encontro.
Há muito tempo que não nos encontravamos, todos reunimos à volta de uma mesa, sem nos culparmos e nos atacarmos.
Hoje intensificamos o nosso tempo, juntos nesta biblioteca, nesta morada carregada de livros e sons, não nos esqueçemos que é preciso transportar o ouro e o marfim, num único navio, no verdadeiro navio de espelhos que cavalga.
Vivam todos os que trabalham na biblioteca viva.
"O navio de espelhos
não navega cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

(E no mastro espelhado
uma espécie de porta)

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrectos

(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)

E quando um deles ala
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo"

Mário Cesariny.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

jerusalém

Num universo dominado pela loucura, “Jerusalém”, a cidade e o lugar mítico, funciona neste livro como metáfora para a construção de uma possível e prometida "terra dos homens", em que se debate o conhecimento do humano. Gonçalo M. Tavares, o autor dos livros negros, onde este se incluí, convida à reflexão e transporta para a ficção personagens de um mundo estranho, incerto e desassossegado. Personagens que deambulam num manicómio, outra personagem que escreve uma tese sobre a origem do horror, seres defeituosos, assassinato...
Acabei de ler um livro que venceu o Prémio LER/ millennium bcp no ano de 2004, e o Prémio José Saramago 2005. O vencedor do nobel, José Saramago, considera este livro como já pertencendo à grande literatura ocidental.
Está nas estantes da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco.
Vivam as bibliotecas com livros negros bem vivos.