segunda-feira, 13 de novembro de 2006
no cenáculo, em Évora

As III Conferências do Cenáculo em Évora, no dia 14 e 15 de Novembro, são mais um esforço de dar a conhecer o nosso património cultural bibliográfico.
Vivam as bibliotecas vivas.
Programa das III Conferências do Cenáculo
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
as asas do desejo

Vivam as bibliotecas vivas.
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
sem Deus, sang diû

Este livro, que terminei de ler já alguns dias, é uma fábula sobre a solidariedade, o saber dar atenção, o "dar o tempo todo" a alguém, em silêncio e com pequenos gestos. É uma fábula sobre a humanidade.
O livro é do francês Philippe Claudel.
helena laranjeiro
Vivam as bibliotecárias.
um pouco do meu tempo todo

No pátio apontou com carinho os canteiros e os muros atapetados com centenas de conchas pela mão paciente do marido e destacou o nicho com a imagem da Senhora de Fátima que mantinha acesa a fé com que ele o havia construído.
Lamentou o gato de barro com as pernas partidas à entrada da cozinha e ergueu a tampa do tacho que sobre o fogão lhe guardava a comida.
Mostrou-me a copa com uma pequena mesa onde seria posto um único prato e levou-me, orgulhosa, à sala de jantar enfeitada com as rendas do seu crochetar.
Na salinha o televisor conversava com o canário e no quarto que fora do casal havia recordações por todo o lado: a ausência das bonecas cuja lembrança não quis guardar e a presença dos peluches que ainda sentia gosto em conservar. Mas mais que tudo a sua fotografia quando rapariga e a do marido antes da partida.
Chamava-se Francisca, tinha 85 anos e, desde que ficara só da noite para o dia, ia gerindo a saudade e a solidão como sabia. A lida da casa era toda sua, com pequenas costuras pelo meio, tudo ao som bem alto do televisor que lhe dava a ilusão de um companheiro. As tardes, essas, eram para o sol da Avenida onde achava casuais conversas e assegurava às pombas a comida.
Perdera a esperança do calor de um gato, ficando-se pela companhia de um canário, mas do fundo do peito saía-lhe ainda o gemido de um cântico que nunca esquecera e falava do amor por ela guardado para os filhos que nunca tivera.
Quando me reconduziu à porta, trazia sorrisos a passear nos caminhos do rosto e as suas mãos, apertando as minhas, faziam-se demorar, como se receasse quebrar os nós do frágil laço acabado de atar.
A ela não disse nada, não fosse desiludi-la com o meu falhar, mas a mim mesma prometi que iria voltar.
Helena Laranjeiro
Braga, 8 de Maio de 2006
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
gregor samsa
O valter hugo mãe, meu poeta e amigo, expõe na Galaria Símbolo (Rua Miguel Bombarda, Porto) o rosto naive e nítido de Gregor Samsa. A personagem fantástica da Metamorfose, do Kafka. Está tudo dito. A palavra também padece de metamorfose e a imagem é a palavra.
www.galeriasimbolo.com
a flor da alegria

"O dragão, indeciso, coçou com as suas fortes garras a cabeça coberta de escamas e, mais brando, disse:
- É bonito isso da Amizade! Olha, poderás subir ao pico mais alto das Montanhas para colheres a Flor da Alegria, mas terás de vencer três provas muito difíceis para mostrares que és mesmo amigo da Rosalinda. É que a Amizade não é coisa fácil, sabes?"
in A Flor da Alegria de Manuela Monteiro, Campo das Letras, 2006
terça-feira, 17 de outubro de 2006
vida no trabalho
Ai, a vida!
Quanto mais me magoa, mais a canto.
Mais exalto este espanto
De viver.
Este absurdo humano,
Quotidiano,
Dum poeta cansado
De sofrer,
E a fazer versos como um namorado,
Sem a namorada que lhos queira ler.
Cego de luz, e sempre a olhar o sol
Num aturdido
Deslumbramento.
Cada breve momento
Recebido
Como um dom concedido
Que se não merece.
Ai, a vida! Como dói ser vivida,
E como a própria dor a quer e agradece.
Miguel Torga
sexta-feira, 13 de outubro de 2006
a cidadela branca e os jardins da memória
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
revelações
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
estrelas propícias

Estrelas benéficas que orientam o nosso mundo. Não é de metafísica que estou a falar, mas do livro de Camilo Castelo Branco "Estrelas propícias", hoje oferecido a uma personagem estreante nas novelas camilianas. A bem de todos, espero que tenha um desfecho feliz como a verdadeira novela.
Viva a biblioteca viva.
quarta-feira, 4 de outubro de 2006
as portas do castelo da felicidade abrem para fora

O que se ganha quando a vida nos deita a perder?
que os nossos medos são as nossas coragens.
que as nossas tristezas são a maior fonte de alegria.
Tenho a experiência de cair e tropeçar e tenho sempre a graça, que me é oferecida, de não desistir, e de cultivar o firme propósito de ser apenas pessimista sobre o pessimismo.
As portas do castelo da felicidade abrem para fora (S.Francisco de Sales).
e vivam as bibliotecas. Voltei.
quinta-feira, 21 de setembro de 2006
esperança

Em vez de nos deixar-mos cair no vazio do desânimo, aceitamos que alguém nos ofereça um novo vigor...
Cabe a cada um abrir a sua porta.
"Venho de dentro, abriu-se a porta :
nem todas as horas do dia e da noite
a poente e pelo meio as ilhas."
Luiza Neto Jorge
terça-feira, 15 de agosto de 2006
quarta-feira, 9 de agosto de 2006
paz no mundo
sexta-feira, 4 de agosto de 2006
arte de navegar
quinta-feira, 27 de julho de 2006
deixa-me dar-te o verão
O verão é feito de coisas
que não precisam de nome
um passeio de automóvel pela costa
o tempo incalculável de uma presença
o sofrimento que nos faz contar
um por um todos os peixes do tanque
e abandoná-los depressa
às suas voltas escuras.
José Tolentino Mendonça
In De igual para igual
sábado, 22 de julho de 2006
vodka e livros
Hoje, conversamos sobre o romance "Psicopata Americano" de Bret Easton Ellis. Uma história que mata muito bem e muito bem escrita, sobre uma América de extremos e excessos.
Despedimo-nos com vodka (directamente da Ucrânia) e bolo.
Analisamos as subtilezas...
quarta-feira, 19 de julho de 2006
relâmpago

segunda-feira, 17 de julho de 2006
temor e tremor

Significados para estas palavras :
1. Foi o último livro comentado e lido pela Comunidade de Leitores, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Livro, da autora Amélie Nothomb, a quem foi atribuído o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, em 1999. Fez sensação em todo o mundo. É uma história verdadeira. Conheço-a e presencio-a todos os dias. Amélie viveu-a no Japão, na empresa Yumimoto Corporation. Pode ocorrer em qualquer instituição pública portuguesa. A hierarquia representa tudo. Quem se cinge ao seu lugar, sobrevive, quem tenta quebrar barreiras, será arrasado. Os perversos processos de humilhação acontecem em qualquer lugar.
2. É também o título da obra filosófica de Sören Kierkegaard, que foi publicada em 1843. A perspectiva trabalhada em “Temor e Tremor” é de cunho religioso e, na dialética existencial de Sören Kierkegaard apresenta o homem ético representado pela figura bíblica de Abraão, que aos 70 anos, vê cumprir-se a promessa de Deus : "terás grande descendência". Torna-se pai na velhice. Quando recebe de Deus a orientação de que deve sacrificar o seu filho, Abraão crê e crumpre a ordem divina. Dá o salto da fé.
Kierkegaard reflecte sobre o homem que se entrega ao incompreensível, ao inimaginável, só possível pela fé. Considera o paradoxo da fé frente às questões éticas. Na fé, o indivíduo coloca-se acima do geral (o ético). O herói (ético) move-se pelos resultados e pela moral. O homem da fé move-se pela paixão.
3. Carta de S. Paulo aos Filipenses 2, 12 : “trabalhai a vossa salvação com temor e tremor”
domingo, 16 de julho de 2006
sexta-feira, 14 de julho de 2006
S. Petersburgo
quarta-feira, 12 de julho de 2006
biblioterapia

- Leitores vou ser rápida. Com 20 tratamentos a 50 minutos cada, mais o tempo que disponha para ler habitualmente...
*Paul Auster galardoado com prémio Príncipe das Astúrias de Letras 2006
sexta-feira, 7 de julho de 2006
azul a sonhar

quarta-feira, 5 de julho de 2006
pelo sonho é que vamos

A imagem da biblioteca que agora vemos foi o início do sonho. Hoje esta biblioteca bate records de utilização, está repleta de jovens, de livros, de computadores. Está viva.
Para que quem lá trabalhe se sinta vivo, tem o dito poema afixado rente ao olhar.
Para a Inês, companheira de viagem, desejo que o sonho reencaminhe a partida enquanto vamos e somos.
O Sonho
Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.
Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.
Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.
Sebastião da Gama
In : Pelo Sonho é que Vamos
terça-feira, 4 de julho de 2006
mulher em branco
sábado, 1 de julho de 2006
ler. saber. fazer.
"Numa sociedade baseada no conhecimento é fundamental dominar e desenvolver em simultâneo competências de literacia e multi-literacias, a partir de um trabalho de estreita colaboração entre professores, equipas de projectos e comunidade educativa. É neste contexto que o papel da Biblioteca Escolar se revela decisiva e de definitiva importância."
ser homem
sexta-feira, 30 de junho de 2006
ler mais nas férias
quinta-feira, 29 de junho de 2006
quarta-feira, 28 de junho de 2006
terça-feira, 27 de junho de 2006
resistir é vencer !
segunda-feira, 26 de junho de 2006
é à janela dos filhos que as mulheres respiram

"As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres – ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que as abrigam.
É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas
Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos – no pescoço das mães – ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos.
As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração."
Daniel Faria
In : Poesia
quinta-feira, 22 de junho de 2006
no México, o futebol numa biblioteca

Li, num blog sul-americano, que numa biblioteca, os trabalhadores tiveram autorização dos seus superiores para ir vendo o jogo enquanto trabalhavam, mas ao mesmo tempo, um superior dos superiores fiscalizava os trabalhadores para que ninguém visse o jogo, no local de trabalho!
Só mesmo no Terceiro Mundo é que isto acontece ! E o mais engraçado é que para branquear o acontecimento, o superior - inferior acusa o bibliotecário de não ter entendido bem as ordens quanto ao “ir vendo o futebol na hora de trabalho” !
Ainda bem que sou uma bibliotecária que detesto futebol e não vivo no Terceiro Mundo!
quarta-feira, 21 de junho de 2006
o comandante

É o meu muito querido Comandante Bento Leite, reformado das embarcações e das viagens à volta do mundo. Utiliza a biblioteca com muita frequência e procura sempre a bibliotecária para o ajudar nas suas difíceis pesquisas bibliográficas. É um prazer e um desafio ajudá-lo. Cruzamos os nossos caminhos há muito tempo. Já lhe procurei livros e relatórios por todas as bibliotecas portuguesas, sobre os assuntos que lhe interessam e que precisa para escrever. Apaixonei-me pela pesca, pelas embarcações, pela história dos barcos, pela pesca do bacalhau, pelos portos. Já lhe ouvi as histórias mais belas passadas no mar alto, as histórias exóticas por todos os sítios onde viveu.
De todas as vezes que o vejo, peço-lhe para as escrever. Já realizamos uma gigantesca exposição, na biblioteca municipal, com parte do seu espólio bibliográfico sobre as embarcações portuguesas, juntamente com réplicas-miniatura dessas embarcações.
A sua vida é contada pelos dias que passou no mar e pelos dias que passou em terra com a sua mulher, já falecida.
O tempo começa numa terça-feira, dia em que a sua amada mulher morreu, há já doze anos. Hoje é sempre doze anos, 4 meses e 20 dias passados sem a sua eterna mulher.
Um homem do mar, sem o amor da sua mulher, vem às vezes à biblioteca. Quando deixa de vir, sou eu que conto os dias, com o coração apertado.
Vivam as bibliotecas vivas.
sexta-feira, 9 de junho de 2006
a casa de papel

quinta-feira, 8 de junho de 2006
uma nova palavra
terça-feira, 6 de junho de 2006
plano nacional de leitura

sábado, 3 de junho de 2006
14 portas se abrem

quinta-feira, 1 de junho de 2006
para todos os que trabalham comigo
não navega cavalga
Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível
Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos
Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele
Os armadores não amam
a sua rota clara
(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)
Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga
O seu porão traz nada
nada leva à partida
Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta
(E no mastro espelhado
uma espécie de porta)
Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto
A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto
Quando um se revolta
há dez mil insurrectos
(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)
E quando um deles ala
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo
Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)
Do princípio do mundo
até ao fim do mundo"
Mário Cesariny.
quarta-feira, 31 de maio de 2006
jerusalém

Acabei de ler um livro que venceu o Prémio LER/ millennium bcp no ano de 2004, e o Prémio José Saramago 2005. O vencedor do nobel, José Saramago, considera este livro como já pertencendo à grande literatura ocidental.
Está nas estantes da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco.
terça-feira, 30 de maio de 2006
sobe montanhas

sexta-feira, 26 de maio de 2006
há uma árvore de gotas em todos os paraísos
canon in D

quinta-feira, 25 de maio de 2006
ilhas da morabeza

terça-feira, 23 de maio de 2006
árvore livreira

Dois “jardineiros”, gostam de ler histórias à sombra da árvore, colhem um livro, cheiram-no e lêem-no.
Um dia a árvore dá um bom livro maduro para ler “O Romance da Raposa” de Aquilino Ribeiro, os contadores de histórias lêem um capítulo do romance muito divertido.
sexta-feira, 19 de maio de 2006
eupeu apamopo tepe

Foi um recital de poesia sensorial, na biblioteca, com casa cheia e onde o amor foi gritante. O amor é a verdade. O Paulo e a Anabela não querem adiar o amor para o outro sépécupulopo e disseram-nos que o amor está onde estiver está dentro de um girassol de uma oração um berço uma caixa de costura um intestino um pulmão.
Viva a poesia nas bibliotecas vivas.
quarta-feira, 17 de maio de 2006
trabalho vivo, com a Cristina
Rodin respondeu-lhe : "Trabalhando".
Esta palavra iluminou Rilke e anos mais tarde afirmou que "trabalhar é viver sem morrer".
Hoje lembro-me muito da Cristina, com quem trabalho há muitos anos, e a quem desejo muitos tempos em comum de trabalho, mas trabalho verdadeiramente vivo.
segunda-feira, 15 de maio de 2006
o fogo
sexta-feira, 12 de maio de 2006
acontece na rede

quinta-feira, 11 de maio de 2006
silka, sebastião, o meu avô e o guardador de nuvens
Manuela Bacelar, envolta da sua mágica Praga, com os dedos ainda repletos de brilhantes, chegou a Famalicão, terra das suas origens, e veio à biblioteca municipal. Uma exposição com as ilustrações da famosa "Silka" de Ilse Losa, portadoras do Prémio Maçã de Ouro da Bienal Internacional de Bratislava, "O meu avô", "Sebastião" e o "Guardador de Nuvens" de Inácio Pignatelli, são algumas que podemos saborear.
quarta-feira, 10 de maio de 2006
couves & alforrecas
MARGARIDA REBELO PINTO / OFICINA DO LIVRO
VS
JOÃO PEDRO GEORGE / OBJECTO CARDÍACO
Na passada Terça-feira, dia 2 de Maio, realizou-se a audiência das testemunhas arroladas pelos requentes e requeridos neste procedimento judicial.
Por parte dos requerentes (MRP/OL), foram ouvidos os Senhores Gonçalo Saraiva (amigo e leitor de MRP), Renato Carrasquinho (colaborador do site oficial de MRP) e Marcelo Teixeira (editor da OL); por parte dos requeridos foram ouvidos Maria do Rosário Pedreira (editora e escritora), Eduardo Pitta (escritor e crítico literário) e Rui Tavares (professor, escritor e ensaísta). Os requeridos prescindiram ainda da audição de duas outras testemunhas, por uma questão de economia processual, que seriam David Justino (ex-Ministro da Educação e Professor) e Manuel Alberto Valente (editor das Edições Asa).
É nossa convicção de que, após a devida audiência das testemunhas, ainda mais notória se revelou a ausência de qualquer tipo de agressão a direitos legalmente constituídos por terceiros pela a publicação da obra «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto».
Sustentando a sua posição na eminência de se violarem três tipos de direitos, os requerentes interpuseram a famosa providência cautelar, no entanto, de modo profundo, verificou-se, em nosso entender, que tais violações não ocorrerem. Assim,
1.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Personalidade da autora MRP:
é notório que o livro de JPG não ultrapassa o universo literário, sendo que todo o seu contexto se limita estritamente à avaliação da obra da autora estudada. Não existem referências de carácter pessoal, sendo inegável que o estudo de JPG se dirige a uma perspectivação determinada da obra sobre que se debruçou.
2.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Autor da autora MRP:
os requerentes terão pretendido dar como insustentáveis as citações que JPG faz da obra da autora estudada. No entanto, as citações estão expressamente tipificadas na lei – isto é, estão previstas e expressamente autorizadas pelo legislador nacional –, e só se tornam efectivamente excessivas quando, pela quantidade, comportam substancialmente a obra original citada. Ou seja, seria necessário que as citações de JPG ultrapassassem um limite tal que – em relação a qualquer dos 8 livros sobre que incide «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» – reproduzissem substancialmente a obra estudada.
3.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Propriedade Industrial de MRP:
sendo que o nome da autora é também uma marca registada, pretenderam os requerentes ver na sua citação por parte de JPG uma utilização indevida. Pretensão esta que não colhe uma vez que o direito à marca apenas se agride quando o produto que se lhe opõe passa por um original. Ou seja, o livro de JPG estaria em falta se quisesse passar por um original da autora sobre que incide. De facto, não há no livro de JPG qualquer possibilidade de se confundir com um romance ou um conjunto de crónicas de MRP, o livro assinala manifestamente a autoria de JPG, não pretendendo nunca confundir o leitor sobre o assunto de que trata, sobre quem é o seu autor e sobre quem é autor estudado.
O impedimento da utilização de um nome registado seria insustentável. Para o podermos entender consideremos os exemplos destes livros: «Coca-Cola Killer», do maestro António Vitorino D’Almeida (Edições Prefácio); «Mama, Coca, Coca-Cola, Cocaína: Três Pessoas numa Droga Só, Notas para um Ensaio Sobre a Eco-Nomia Política do Narcotráfico» de René Tapia Ormazabal (Editorial Caminho); e «Quando A Coca-Cola fez Trezentos Anos – Porno-Ficção Sem Crianças nem Animais» de Rui Filipe Torres (Edições Dolly).
Uma marca registada não impede nunca o estudo sobre si, impede apenas a criação de um produto que se queira fazer passar pelo legítimo detentor da marca em causa.
Perante tais evidências, a providência cautelar interposta contra JPG/OC foi, em nosso entendimento, um acto precipitado prevendo a ocorrência de violações que simplesmente nunca estiveram para acontecer.
Na verdade, a queixa dos requerentes ia no sentido de acusarem «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» de provocarem uma quebra nas vendas dos livros da autora MRP e, conforme declarado por Marcelo Teixeira em tribunal, as vendas da autora estão a correr de modo excelente, sendo que, em menos de um mês, o livro «Diário da tua ausência» vendeu 20.000 (vinte mil) exemplares estando para qualquer momento a chegada da tipografia de uma nova tiragem de mais 10.000 (dez mil) exemplares.
Também é um facto que o livro «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» terá vendido mais do que os 1.000 (mil) exemplares da sua tiragem inicialmente prevista; deve-se isto exclusivamente à publicidade que a interposição da providência cautelar provocou. Até ao momento, foram entregues à Sodilivros (distribuidora da OC) cerca de 3.000 (três mil) exemplares do livro de JPG.
A providência cautelar que MRP/OL interpuseram é o primeiro acto judicial desde o vinte e cinco de Abril de 1974 que tenta impedir a publicação e venda de um livro de crítica literária.
É nossa convicção de que a obra da autora MRP, e sobretudo o seu impacto no público, tem que ver com um fenómeno social. Não é a qualidade literária inerente ao que escreve que justifica o fenómeno de vendas, é antes um processo atinente à sociologia, como se verifica pelo envolvimento largamente promotor com a imprensa genericamente chamada de cor-de-rosa. De facto, poucos serão os autores que, como MRP, aparecerão no modo e quantidade com que esta aparece naquele tipo de imprensa. Pensando melhor, em Portugal nenhum outro autor aparece, no mesmo modo e com a mesma insistência, naquele tipo de imprensa de massificada distribuição. Sendo que a sua obra raramente merece atenção por parte da crítica e publicações especializadas; coisa que desgostou a autora MRP, levando-a a afirmar em várias entrevistas que gostaria de ver algum crítico propriamente dito a versar sobre a sua obra."
terça-feira, 9 de maio de 2006
quantos queres ?

As palavras queimaram, de tanto borbulhar nas mãos dos meninos, quando a Rute e o Miguel estiveram, nas bibliotecas escolares, a brincar com os provérbios populares e a fazer os "quantos queres ?"
Um sucesso. Resposta : Queremos muito mais !
Parabéns e muita força para estes jovens actores que deviam estar sempre em palco.
Vivam as bibliotecas e o Teatro !
segunda-feira, 8 de maio de 2006
ratinho musical

Foi hoje. Gostei muito da chinesinha e do ratinho musical. Os meninos portaram-se como na Arca do Noé. Muito bem.
Vivam as bibliotecas musicais !
sábado, 6 de maio de 2006
o princípio do equilíbrio

As árvores à volta da casa, a casa não está às escuras. Há janelas abertas e iluminadas. Entro e ouve-se sempre música, as paredes estão pintadas com gatos gigantes, árvores com ramos que espreitam pelas janelas e pessoas paradas a olhar para mim. Algumas estão sentadas, outras são do passado e transmitem o desejo de viver para sempre. Há livros por todo o lado, mesmo rente ao tecto. Todos nesta casa gostam de histórias vivas.
Os degraus que sobem e descem, retrato exemplar de toda uma vida, terminam sempre no patamar perfeito, no renascer executado em todas as alturas em que chego ao fundo de um poço, e como numa imagem da água a jorrar, venho à tona e renasço.
No quarto maior iluminado, há um berço onde dormem três anjos. Para cada um tenho um sonho que obstinadamente faço crescer todos os dias. Dormem com a música que lhes canto com o meu respirar, quando acordam querem correr no céu laranja atrás dos livros, que alguém lhes disse que estavam destinados nas estrelas.
Para eles tenho uma herança de paz e de eternidade que abandono em todas as minhas palavras e sempre que toco nos seus corpos. São o meu reflexo, quando nos fotografamos juntos temos os rostos iguais e os nossos corações têm o mesmo batimento. Somos unos, eu e os meus filhos, nesse grande quarto iluminado, onde o mundo é tão solar.
No centro da casa está o princípio do equilíbrio que mantém a minha vida feliz.
sexta-feira, 5 de maio de 2006
quando um bibliotecário faz anos

Gastão Cruz
quinta-feira, 4 de maio de 2006
o pão partilhado, para a Glória

quarta-feira, 3 de maio de 2006
as três meninas
Tiraram-lhes o corpo. Ficaram as cabeças ainda ensanguentadas pelo corte que lhes fizeram, que rolam pela areia. As cabeças estão muito bem penteadas com fitas coloridas e as algas entrecruzam-se neste crime de sangue torturado.
As cabeças têm o medo branco estampado nos rostos. São parecidos os rostos, irmãos na morte e vivos na inocência. Como conchas ovais, moluscos enterrados e dilacerados, espalhados pelo espaço.
Eram três meninas.
Uma onda lavou o último rasto de sangue.
terça-feira, 2 de maio de 2006
cem sonetos de amor

"aqueles bruscos rios com águas e ameaças,
aquele atormentado estandarte da espuma,
aqueles incendiários favos e recifes.
são hoje este repouso do teu sangue no meu,
este leito estrelado e azul como a noite,
esta simplicidade sem fim da ternura."
segunda-feira, 1 de maio de 2006
as intermitências da morte
