segunda-feira, 13 de novembro de 2006

grandes autores para pequenos leitores

Os Encontros Luso-Galaico-Franceses do livro infantil e juvenil estão prestes a começar no Porto. Não podia ser melhor tema : grandes autores para pequenos leitores. Sempre fui adepta deste lema na promoção da leitura.
Viva as bibliotecas vivas.

no cenáculo, em Évora

O Fundo azul da Biblioteca Pública de Évora, o espólio bibliográfico de Frei D. Manuel do Cenáculo, a biblioteca de D. Manuel II do Palácio de Vila Viçosa, os Manifestos de Carvalho Travassos e as Miscelâneas de Vasco de Carvalho, da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, os documentos fabulosos e magníficos que existem nas nossas bibliotecas são para serem conhecidos e estudados.
Os bibliotecários e investigadores têm realizado exposições, conferências e lutado por uma melhor divulgação destes documentos.
As III Conferências do Cenáculo em Évora, no dia 14 e 15 de Novembro, são mais um esforço de dar a conhecer o nosso património cultural bibliográfico.
Vivam as bibliotecas vivas.

Programa das III Conferências do Cenáculo


quinta-feira, 9 de novembro de 2006

as asas do desejo

O céu sobre Berlim, as asas do desejo. Hoje senti-me dentro deste filme, de Wim Wenders, com os anjos, na célebre Staatsbibliothek zu Berlin. Já o vi, pelos menos, há 18 anos e fui-o revendo ao longo ds vida. Agora sou eu mesma que estou dentro da biblioteca, a passear nas magníficas salas de leitura, a encontrar-me com a memória, com Homero, com os leitores, com a Palavra. Os anjos do filme não podem intervir nos acontecimentos do mundo. Há um que se deixa cair, na Potsdamer Strasse. Desejaria que as minhas asas permanecessem no interior da biblioteca.
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

sem Deus, sang diû

Sem Deus, Sang diû, é o nome da neta do senhor Linh, uma menina-boneca do Oriente, refugiada no colo do avô, num país distante. O exilado senhor Linh não compreende a língua nem a cultura, mas faz uma amizade com um homem solitário, uma amizade eterna.
Este livro, que terminei de ler já alguns dias, é uma fábula sobre a solidariedade, o saber dar atenção, o "dar o tempo todo" a alguém, em silêncio e com pequenos gestos. É uma fábula sobre a humanidade.
O livro é do francês Philippe Claudel.


helena laranjeiro

O texto do posting anterior é de autoria da minha amiga bibliotecária Helena Laranjeiro. Agora que o tempo é todo dela escreve pequenas histórias verdadeiras, pedras preciosas no nosso dia-a-dia. Deliciem-se.
Vivam as bibliotecárias.

um pouco do meu tempo todo


fotografia de Helena Laranjeiro
Eu seguia rente às casas pelo passeio estreito, rasando os peitoris das janelas postas sobre a rua. Numa delas, um rosto sulcado pelos anos, mas a que a idade não retirara vida, oferecia-se, sereno, a quem passava, enquanto o canário, na gaiola ao lado, desfrutava a visão do que não tinha no espaço a que se via confinado.
A manhã ia a caminho do meio sob um sol de Primavera que pousava mansamente nas fachadas e o meu dia enchia-se de pequenos nadas. Foi quando decidi parar e dar-lhe um pouco do meu tempo todo para preencher o todo tempo dela e, daí a nada, já me abria a porta, depois de recolhido o canário e fechada a acessibilidade da janela.
No pátio apontou com carinho os canteiros e os muros atapetados com centenas de conchas pela mão paciente do marido e destacou o nicho com a imagem da Senhora de Fátima que mantinha acesa a fé com que ele o havia construído.
Lamentou o gato de barro com as pernas partidas à entrada da cozinha e ergueu a tampa do tacho que sobre o fogão lhe guardava a comida.
Mostrou-me a copa com uma pequena mesa onde seria posto um único prato e levou-me, orgulhosa, à sala de jantar enfeitada com as rendas do seu crochetar.
Na salinha o televisor conversava com o canário e no quarto que fora do casal havia recordações por todo o lado: a ausência das bonecas cuja lembrança não quis guardar e a presença dos peluches que ainda sentia gosto em conservar. Mas mais que tudo a sua fotografia quando rapariga e a do marido antes da partida.
Chamava-se Francisca, tinha 85 anos e, desde que ficara só da noite para o dia, ia gerindo a saudade e a solidão como sabia. A lida da casa era toda sua, com pequenas costuras pelo meio, tudo ao som bem alto do televisor que lhe dava a ilusão de um companheiro. As tardes, essas, eram para o sol da Avenida onde achava casuais conversas e assegurava às pombas a comida.
Perdera a esperança do calor de um gato, ficando-se pela companhia de um canário, mas do fundo do peito saía-lhe ainda o gemido de um cântico que nunca esquecera e falava do amor por ela guardado para os filhos que nunca tivera.
Quando me reconduziu à porta, trazia sorrisos a passear nos caminhos do rosto e as suas mãos, apertando as minhas, faziam-se demorar, como se receasse quebrar os nós do frágil laço acabado de atar.
A ela não disse nada, não fosse desiludi-la com o meu falhar, mas a mim mesma prometi que iria voltar.


Helena Laranjeiro
Braga, 8 de Maio de 2006

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

gregor samsa

O valter hugo mãe, meu poeta e amigo, expõe na Galaria Símbolo (Rua Miguel Bombarda, Porto) o rosto naive e nítido de Gregor Samsa. A personagem fantástica da Metamorfose, do Kafka. Está tudo dito. A palavra também padece de metamorfose e a imagem é a palavra.

www.galeriasimbolo.com

a flor da alegria

A escritora Manuela Monteiro telefonou-me e ofereceu-me a verdadeira flor da alegria. As coisas que me disse, neste momento difícil da minha vida, foram as essenciais. Amanhã não estarei presente, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, no lançamento do livro, mas estaremos sempre juntas neste projecto, em construção, de um mundo melhor através da leitura das histórias que estão nos livros.


"O dragão, indeciso, coçou com as suas fortes garras a cabeça coberta de escamas e, mais brando, disse:
- É bonito isso da Amizade! Olha, poderás subir ao pico mais alto das Montanhas para colheres a Flor da Alegria, mas terás de vencer três provas muito difíceis para mostrares que és mesmo amigo da Rosalinda. É que a Amizade não é coisa fácil, sabes?"

in A Flor da Alegria de Manuela Monteiro, Campo das Letras, 2006

terça-feira, 17 de outubro de 2006

vida no trabalho

MAGNIFICAT

Ai, a vida!
Quanto mais me magoa, mais a canto.
Mais exalto este espanto
De viver.
Este absurdo humano,
Quotidiano,
Dum poeta cansado
De sofrer,
E a fazer versos como um namorado,
Sem a namorada que lhos queira ler.
Cego de luz, e sempre a olhar o sol
Num aturdido

Deslumbramento.
Cada breve momento
Recebido
Como um dom concedido
Que se não merece.
Ai, a vida! Como dói ser vivida,
E como a própria dor a quer e agradece.

Miguel Torga

sexta-feira, 13 de outubro de 2006

a cidadela branca e os jardins da memória

"A cidadela branca" (existe na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, na cota 82-3 PAM) é um dos livros traduzidos para português de Orhan Pamuk, escritor turco, prémio nobel da Literatura de 2006.
A ler.

quinta-feira, 12 de outubro de 2006

revelações


No livro "Revelações" de Camilo Castelo Branco, encontrei o ex-libris de Américo Moreira da Silva, que rezava assim:
"o livro é um mudo que fala,
um surdo que responde,
um cego que guia,
um morto que vive."

Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 11 de outubro de 2006

estrelas propícias


Estrelas benéficas que orientam o nosso mundo. Não é de metafísica que estou a falar, mas do livro de Camilo Castelo Branco "Estrelas propícias", hoje oferecido a uma personagem estreante nas novelas camilianas. A bem de todos, espero que tenha um desfecho feliz como a verdadeira novela.
Viva a biblioteca viva.

quarta-feira, 4 de outubro de 2006

as portas do castelo da felicidade abrem para fora



O que se ganha quando a vida nos deita a perder?

que os nossos medos são as nossas coragens.

que as nossas tristezas são a maior fonte de alegria.

Tenho a experiência de cair e tropeçar e tenho sempre a graça, que me é oferecida, de não desistir, e de cultivar o firme propósito de ser apenas pessimista sobre o pessimismo.

As portas do castelo da felicidade abrem para fora (S.Francisco de Sales).

e vivam as bibliotecas. Voltei.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

quarta-feira, 9 de agosto de 2006

paz no mundo


Mazen Kerbag
Estamos de férias ou prester a ir. Desejamos paz no mundo. No Líbano e em Israel. Mazen Kerbag, no seu blogue Kerblog , faz-nos o diário de guerra, directamente de Beirute, no Líbano. Noites sem dormir, bombas por todo o lado. Uma guerra que mata. Porquê?

sexta-feira, 4 de agosto de 2006

arte de navegar


Conheci um grande poeta, mencionado no post anterior, que trazia vestida uma camisola com o poema "arte de navegar".

"Vê como o Verão subitamente se faz água no teu peito,
e a noite se faz barco,
e a minha mão marinheiro."

Eugénio de Andrade

quinta-feira, 27 de julho de 2006

deixa-me dar-te o verão

Londres, Mariana Alvim

O verão é feito de coisas
que não precisam de nome
um passeio de automóvel pela costa
o tempo incalculável de uma presença
o sofrimento que nos faz contar
um por um todos os peixes do tanque
e abandoná-los depressa
às suas voltas escuras.

José Tolentino Mendonça
In De igual para igual

sábado, 22 de julho de 2006

vodka e livros

A comunidade de leitores da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco vai de férias, com livros e filmes na bagagem.
Hoje, conversamos sobre o romance "Psicopata Americano" de Bret Easton Ellis. Uma história que mata muito bem e muito bem escrita, sobre uma América de extremos e excessos.
Despedimo-nos com vodka (directamente da Ucrânia) e bolo.
Terminou-se a conversa com as Cantigas de Amigo, de Amor e de escárnio e maldizer.
Analisamos as subtilezas...

quarta-feira, 19 de julho de 2006

relâmpago

Chegou hoje à biblioteca o nº18.
O mais recente número da revista Relâmpago é dedicado a Luiza Neto Jorge.
"Este é o tempo todo que me falta
e nem é muito nem pouco."
Luiza Neto Jorge
Na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco encontramos os seus livros :
A Lume, Assírio & Alvim, Lisboa, 1989
Poesia, Assírio & Alvim, Lisboa, 2001
Poemas de Luiza Neto Jorge (CD), poesia dita por Maria Emília Correia, 1997

segunda-feira, 17 de julho de 2006

temor e tremor


Temor e tremor.
Significados para estas palavras :

1. Foi o último livro comentado e lido pela Comunidade de Leitores, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Livro, da autora Amélie Nothomb, a quem foi atribuído o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, em 1999. Fez sensação em todo o mundo. É uma história verdadeira. Conheço-a e presencio-a todos os dias. Amélie viveu-a no Japão, na empresa Yumimoto Corporation. Pode ocorrer em qualquer instituição pública portuguesa. A hierarquia representa tudo. Quem se cinge ao seu lugar, sobrevive, quem tenta quebrar barreiras, será arrasado. Os perversos processos de humilhação acontecem em qualquer lugar.

2. É também o título da obra filosófica de Sören Kierkegaard, que foi publicada em 1843. A perspectiva trabalhada em “Temor e Tremor” é de cunho religioso e, na dialética existencial de Sören Kierkegaard apresenta o homem ético representado pela figura bíblica de Abraão, que aos 70 anos, vê cumprir-se a promessa de Deus : "terás grande descendência". Torna-se pai na velhice. Quando recebe de Deus a orientação de que deve sacrificar o seu filho, Abraão crê e crumpre a ordem divina. Dá o salto da fé.
Kierkegaard reflecte sobre o homem que se entrega ao incompreensível, ao inimaginável, só possível pela fé. Considera o paradoxo da fé frente às questões éticas. Na fé, o indivíduo coloca-se acima do geral (o ético). O herói (ético) move-se pelos resultados e pela moral. O homem da fé move-se pela paixão.

3. Carta de S. Paulo aos Filipenses 2, 12 : “trabalhai a vossa salvação com temor e tremor”

domingo, 16 de julho de 2006

estrela da manhã

"Sê bem vinda, estrela mensageira do dia que nasce".
Desde que nasceu, a estrela mudou a vida de todos os que a rodeiam. Abençoada.

sexta-feira, 14 de julho de 2006

S. Petersburgo

Inicío o meu dia fora de casa com a sessão de fisioterapia - biblioterapia, nas mãos da russa Helena.
Hoje, confessou-me que há vários anos está em Portugal a exercer fisioterapia, mas pela primeira vez tem uma "doente" que lê durante os tratamentos !
Quiz saber o que leio, o que faço e depressa conclui que a maioria da população portuguesa não tem hábitos de leitura.
Helena fala português correctamente, lê muito em russo e já se aventurou a ler romances na nossa língua. Nasceu na cidade mais fantástica, que ainda não conheço, a célebre S.Petersburgo.
Cidade da cultura - da música de Glinka, de Mussorgski, Tchaikovski, de Rimsky-Korsakov, de Shostakovich, de Stravinski, do ballet de Diaghilev, de Nijinski e de Ana Pavlovna, do teatro de Meyerhold, da poesia de Alexander Blok, de Maiakovski e de Ana Akhmatova, das telas de Chagall, de Malevich e de Kandinsky, a que possuiu o maior museu de artes do mundo - o Hermitage.
Num plebiscito realizado em 1991, durante o colapso da União Soviética, os moradores de Leningrado, originalmente S. Petersburgo, votaram em massa a favor da restauração do antigo nome. E assim o Cavaleiro de Bronze, símbolo mor de Pedro, o Grande, fundador desta pérola, glorificado no célebre poema de Puchkin “Um conto de Petersburgo”, voltou à cidade.
Como é que uma imigrante russa, fisioterapeuta em Portugal, se sentirá realizada culturalmente? Pergunta-me quando poderá assistir a uma ópera, a um bailado, em Braga?
Sugeri uma ida à Biblioteca (de Famalicão), onde pelo menos encontra Tolstoi e Tchaikovski.
Ela sugeriu-me uma ida à sua S. Petersburgo. Vivam as bibliotecas onde se pode viajar.

quarta-feira, 12 de julho de 2006

biblioterapia

Bendita fisioterapia ! Ocupa-me cerca de 50 minutos por dia, o que me permite ler muito mais nos meus dias curtos. Tenho lido desalmadamente todas as novidades e antiguidades. Hoje começei "As Loucuras de Brooklin" de Paul Auster*. O narrador escreve sobre as pequenas loucuras do seu dia-a-dia e de todos os que o rodeiam. Guarda as histórias em caixas catalogadas. Está quase a morrer. Ainda vou na página 30. Quando terminar estará disponível na Biblioteca Municipal.
- Leitores vou ser rápida. Com 20 tratamentos a 50 minutos cada, mais o tempo que disponha para ler habitualmente...

Chama-se a esta nova terapia - Biblioterapia !

*Paul Auster galardoado com prémio Príncipe das Astúrias de Letras 2006

sexta-feira, 7 de julho de 2006

azul a sonhar

Foi hoje a homenagem ao José Sarmento (1956-2000). Se fosse vivo teria 50 anos.
A Universidade do Minho (IEC), através de alunos da escola Companhia da Música e de alunos do Centro Cultural Musical - Caldas da Saúde, organizou um concerto em sua memória, em Braga.
Olha o arco-íris, comunicar, o gato dórico e vamos sobre as ondas foram algumas das canções orquestradas por José Sarmento e muito bem cantadas pelas crianças do azul a sonhar.
A Biblioteca Municipal tem alguns discos com o José Sarmento, que acompanhou as grandes vozes da música pop portuguesa.

quarta-feira, 5 de julho de 2006

pelo sonho é que vamos

Na parede da Biblioteca - Pólo em Riba de Ave está afixado o poema "O Sonho".
A imagem da biblioteca que agora vemos foi o início do sonho. Hoje esta biblioteca bate records de utilização, está repleta de jovens, de livros, de computadores. Está viva.
Para que quem lá trabalhe se sinta vivo, tem o dito poema afixado rente ao olhar.
Para a Inês, companheira de viagem, desejo que o sonho reencaminhe a partida enquanto vamos e somos.

O Sonho

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama
In : Pelo Sonho é que Vamos

terça-feira, 4 de julho de 2006

mulher em branco

O livro "Mulher em branco" de Rodrigo Guedes de Carvalho, está disponível na Biblioteca Municipal.
Uma criança desaparece. Estava à guarda do pai. O choque da notícia atira a mãe para um abismo de amnésia. Sem memória, é incapaz de chorar um filho que não sabe que tem. Como podemos continuar a viver se caminhamos vazios. E há um homem que arranja uma amante enquanto visita a mulher no hospital. Ladrões que roubam cinzas de uma morta. Em fundo, a irracional violência do divórcio. A bestialidade das palavras que atiramos uns aos outros como pedras. Uma mulher que espera ainda e sempre, à janela. Porque o coração é um bicho e não ouve. E uma pergunta a que não se ousa responder: Para onde vão os amores que foram um dia?

sábado, 1 de julho de 2006

ler. saber. fazer.

35ª Conferência da IASL - International Association of School Librarianship, realiza-se em Lisboa, com o tema "As múltiplas faces da literacia. Ler. Saber. Fazer", na Fundação Calouste Gulbenkian, de 3 a 7 de Julho de 2006.
"Numa sociedade baseada no conhecimento é fundamental dominar e desenvolver em simultâneo competências de literacia e multi-literacias, a partir de um trabalho de estreita colaboração entre professores, equipas de projectos e comunidade educativa. É neste contexto que o papel da Biblioteca Escolar se revela decisiva e de definitiva importância."
Não se esqueçam das Bibliotecas Públicas !

ser homem

As palavras não fazem o homem compreender,
é preciso fazer-se homem para entender as palavras.

Herberto Hélder

sexta-feira, 30 de junho de 2006

ler mais nas férias

A Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco e os Pólos emprestam livros durante 1 mês no período das férias Julho, Agosto e Setembro.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

quarta-feira, 28 de junho de 2006

terça-feira, 27 de junho de 2006

resistir é vencer !

Esta foi a mensagem que enviei para o blogue "bibliotecário anarquista", destinada ao seu amigo K, bibliotecário doutorado, encostado pelos Cês recentemente promovidos pelo partido e que nada sabem de bibliotecas.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

é à janela dos filhos que as mulheres respiram


Picasso
Para a minha amiga Fátima, bibliotecária, que regressa à sua biblioteca, e para o seu João Afonso que está ao redor do coração.

"As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres – ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que as abrigam.

É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas

Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos – no pescoço das mães – ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos.

As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração."

Daniel Faria
In : Poesia

quinta-feira, 22 de junho de 2006

no México, o futebol numa biblioteca

O futebol move montanhas, dá poder, torna os homens irracionais. No Terceiro Mundo ainda é pior.
No México, no dia em que este país jogou com Portugal, passaram-se situações inauditas !
Li, num blog sul-americano, que numa biblioteca, os trabalhadores tiveram autorização dos seus superiores para ir vendo o jogo enquanto trabalhavam, mas ao mesmo tempo, um superior dos superiores fiscalizava os trabalhadores para que ninguém visse o jogo, no local de trabalho!
Só mesmo no Terceiro Mundo é que isto acontece ! E o mais engraçado é que para branquear o acontecimento, o superior - inferior acusa o bibliotecário de não ter entendido bem as ordens quanto ao “ir vendo o futebol na hora de trabalho” !
Ainda bem que sou uma bibliotecária que detesto futebol e não vivo no Terceiro Mundo!

quarta-feira, 21 de junho de 2006

o comandante

Enquanto passeava no parque, na hora de almoço, encontro um utilizador da biblioteca pelo qual nutro um carinho muito especial. Há muito tempo que não o via e sentia um aperto no coração por nada saber dele.
É o meu muito querido Comandante Bento Leite, reformado das embarcações e das viagens à volta do mundo. Utiliza a biblioteca com muita frequência e procura sempre a bibliotecária para o ajudar nas suas difíceis pesquisas bibliográficas. É um prazer e um desafio ajudá-lo. Cruzamos os nossos caminhos há muito tempo. Já lhe procurei livros e relatórios por todas as bibliotecas portuguesas, sobre os assuntos que lhe interessam e que precisa para escrever. Apaixonei-me pela pesca, pelas embarcações, pela história dos barcos, pela pesca do bacalhau, pelos portos. Já lhe ouvi as histórias mais belas passadas no mar alto, as histórias exóticas por todos os sítios onde viveu.
De todas as vezes que o vejo, peço-lhe para as escrever. Já realizamos uma gigantesca exposição, na biblioteca municipal, com parte do seu espólio bibliográfico sobre as embarcações portuguesas, juntamente com réplicas-miniatura dessas embarcações.
A sua vida é contada pelos dias que passou no mar e pelos dias que passou em terra com a sua mulher, já falecida.
O tempo começa numa terça-feira, dia em que a sua amada mulher morreu, há já doze anos. Hoje é sempre doze anos, 4 meses e 20 dias passados sem a sua eterna mulher.
Um homem do mar, sem o amor da sua mulher, vem às vezes à biblioteca. Quando deixa de vir, sou eu que conto os dias, com o coração apertado.
Vivam as bibliotecas vivas.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

a casa de papel


Os livros mudam o destino das pessoas.
Mas nós mudamos também o destino dos livros e das bibliotecas.
Hoje lançei mais uns dados. A minha sorte será a sorte dos livros e de uma biblioteca.
Uma casa de papel. Os livros são a minha casa.
Viva uma biblioteca que quero tornar viva.
fotografia de Cláudia Neta

quinta-feira, 8 de junho de 2006

uma nova palavra

A partir de hoje, quem entrar na biblioteca encontra uma nova palavra. Uma palavra oferecida de par em par.
"Eu quero uma nova palavra
diferente das outras palavras
que cansei de repetir,
uma palavra de vento,
uma palavra que o tempo
seja capaz de ferir.
Eu quero uma nova palavra,
mistura de sol e de frio,
de barcos descendo um rio,
cheia de céu e de mar.
Eu quero uma nova palavra
aberta de par em par
como o rosto de um menino
com paisagens no ouvido
e cantigas no olhar."
João Pedro Mésseder
In "De que cor é o desejo ?"

terça-feira, 6 de junho de 2006

plano nacional de leitura


Sara Affonso
No passado dia 4, foi apresentado o Plano Nacional de Leitura, pelo Ministério da Educação e da Cultura. Vai ser mesmo uma prioridade política com investimento de milhares de euros.
O principal objectivo é incentivar a leitura entre os mais novos e criar hábitos de leitura.
No ano lectivo 2006/2007 arrancam 3 programas em todas as escolas do país :
- "Está na hora dos livros" - para crianças que não sabem ler e o objectivo é incentivar o contacto com as obras através das leituras feitas pelos educadores.(Pré-escola)
- "Está na hora da leitura" - para crianças que começam a ler. Todos os dias no 1º ciclo está previsto 1 hora/dia para a leitura com o professor na sala de aula, para além de outras actividades paralelas.
-"Quantos mais livros melhor" - destinado ao 2º ciclo, onde estão previstos 45 minutos de leitura, na sala de aula, na disciplina de Português.
As bibliotecas públicas já efectuam este trabalho já alguns anos, como diriam alguns estudiosos destas matérias, proporcionaram uma revolução "silenciosa" na área da promoção da leitura.
Vão agora ser contempladas com mais acções do Programa de Itinerâncias Culturais, do Ministério da Cultura, com 400.000 euros, para 2007 !
Vivam as bibliotecas vivas.

sábado, 3 de junho de 2006

14 portas se abrem

A biblioteca, que me acolheu e me fez crescer, retoma hoje o seu aniversário, neste novo edifício, com as características de uma biblioteca pública. Faz 14 anos que se abriram as portas e a luz entrou. Para não mais sair.
Parabéns à Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Viva a biblioteca viva.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

para todos os que trabalham comigo

Às vezes, o dia resume-se a uma palavra. Hoje o dia valeu pelo nosso encontro.
Há muito tempo que não nos encontravamos, todos reunimos à volta de uma mesa, sem nos culparmos e nos atacarmos.
Hoje intensificamos o nosso tempo, juntos nesta biblioteca, nesta morada carregada de livros e sons, não nos esqueçemos que é preciso transportar o ouro e o marfim, num único navio, no verdadeiro navio de espelhos que cavalga.
Vivam todos os que trabalham na biblioteca viva.
"O navio de espelhos
não navega cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

(E no mastro espelhado
uma espécie de porta)

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrectos

(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)

E quando um deles ala
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo"

Mário Cesariny.

quarta-feira, 31 de maio de 2006

jerusalém

Num universo dominado pela loucura, “Jerusalém”, a cidade e o lugar mítico, funciona neste livro como metáfora para a construção de uma possível e prometida "terra dos homens", em que se debate o conhecimento do humano. Gonçalo M. Tavares, o autor dos livros negros, onde este se incluí, convida à reflexão e transporta para a ficção personagens de um mundo estranho, incerto e desassossegado. Personagens que deambulam num manicómio, outra personagem que escreve uma tese sobre a origem do horror, seres defeituosos, assassinato...
Acabei de ler um livro que venceu o Prémio LER/ millennium bcp no ano de 2004, e o Prémio José Saramago 2005. O vencedor do nobel, José Saramago, considera este livro como já pertencendo à grande literatura ocidental.
Está nas estantes da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco.
Vivam as bibliotecas com livros negros bem vivos.

terça-feira, 30 de maio de 2006

sobe montanhas

O escritor Inácio Pignatelli esteve hoje com jovens leitores na biblioteca e contou-lhes as histórias "O pastor de nuvens" e o "Sobe-montanhas".
O Sobe-montanhas era uma gigante que tinha a função de guardar as montanhas do seu país, daí o seu nome, pois tinha que subir e descer as montanhas para confirmar a sua existência, para além de as contar diariamente.
A partir deste texto, o escritor passou ao diálogo com os miúdos, e defendeu que todos sejam gigantes na vida, mesmo que nos esperem vidas pacatas e tenhamos talentos menores.
O "Sobe- montanhas" é um bom texto literário, que permite, para além da leitura de uma simples história, reflectir sobre a nossa vida e o mundo.
Vivam as bibliotecas que sobem montanhas !

sexta-feira, 26 de maio de 2006

há uma árvore de gotas em todos os paraísos

O universo poético de Herberto Helder é dos meus preferidos. Se mergulhar dificilmente nado noutras águas.
No balcão de atendimento da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, temos o Poemário, uma oferta de leitura de um poema aos utilizadores, editado pela Assírio e Alvim. Hoje é a vez do poeta Herberto Helder, com este poema :
"Há uma árvore de gotas em todos os paraísos.
Com o rosto molhado,
eu posso ficar com o rosto molhado,
com os olhos grandes.
Neste lugar absoluto pelo sopro,
fervem as víboras de ouro aos nós
sobre as pedras enterradas. Leopardos
lambem-nos as mãos giratórias.
E eu abro a pedra para ver a água estremecendo.
A água embebeda-me.
Como nos corredores de uma casa brilha o ar,
brilha como entre os dedos.
- A minha vida é incalculável."
In : Ou o poema contínuo.
Vivam as bibliotecas vivas.

canon in D

Johann Pachelbel, músico e compositor (1653-1706), escreveu Canon in D (em Ré Maior), que é a peça barroca mais interpretada até aos dias de hoje, por diversos músicos e orquestras, e tornou-se num tema de um filme, e recentemente música de fundo da publicidade à Coca-Cola.
O Canon in D é originalmente uma peça musical de repetições feita para 3 violinos e um violoncelo contínuo, o tema vai sendo repetido individualmente pelos 3 violinos, e o resultado é ouvirmos melodias harmonicamente sobrepostas.
Os jovens músicos, da Gulbenkian de Braga, imprimiram a partitura da net, fascinados pelo anúncio já citado. Parece-me que preferem o fundo musical à bebida!
A Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco tem o CD nº196 "Pachelbel´s Canon", pela English String Orchestra, que pode ser escutado aqui ou emprestado para se ouvir em nossas casas.
Como sou uma felizarda, já hoje o ouvi, na redução para piano, logo pelas 8h00, tocado pela jovem pianista Mariana, em minha casa.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 25 de maio de 2006

ilhas da morabeza

Os escritores de Cabo Verde, da terra crioula, surgiram na biblioteca. Saíram das estantes da ilha-mãe Santiago e deleitaram-se pelas ilhas com nomes de santos e nomes poéticos : sal, fogo, brava, tartarugas, maio, boa vista, S. Vicente, S. Antão, S. Nicolau e S. Luzia.
A literatura africana de expressão portuguesa é muito querida nesta biblioteca que tem um bom catálogo com os escritores mais representativos destas ilhas : Germano de Almeida, José Evaristo d´Almeida, Manuel Lopes, Luís Romano, Manuel Ferreira, Teixeira de Sousa, Orlanda Amarilis e Baltazar Lopes.
Boas leituras.

terça-feira, 23 de maio de 2006

árvore livreira

Uma árvore igual e diferente de tantas outras, só que é regada com letras, as folhas têm palavras escritas e os frutos são livros.
Dois “jardineiros”, gostam de ler histórias à sombra da árvore, colhem um livro, cheiram-no e lêem-no.
Um dia a árvore dá um bom livro maduro para ler “O Romance da Raposa” de Aquilino Ribeiro, os contadores de histórias lêem um capítulo do romance muito divertido.
A Salta-pocinhas, raposa matreira, esteve na nossa biblioteca !

sexta-feira, 19 de maio de 2006

eupeu apamopo tepe

Eupeu apamopo tepe. Amo-te.
Foi um recital de poesia sensorial, na biblioteca, com casa cheia e onde o amor foi gritante. O amor é a verdade. O Paulo e a Anabela não querem adiar o amor para o outro sépécupulopo e disseram-nos que o amor está onde estiver está dentro de um girassol de uma oração um berço uma caixa de costura um intestino um pulmão.
Viva a poesia nas bibliotecas vivas.

quarta-feira, 17 de maio de 2006

trabalho vivo, com a Cristina

Recordo o encontro de Rilke com Rodin, já falado aqui no 21 de Abril. O jovem poeta foi visitar o escultor, não para lhe perguntar pela sua arte, mas para lhe colocar a questão decisiva : "Como se deve viver?"
Rodin respondeu-lhe : "Trabalhando".
Esta palavra iluminou Rilke e anos mais tarde afirmou que "trabalhar é viver sem morrer".
Hoje lembro-me muito da Cristina, com quem trabalho há muitos anos, e a quem desejo muitos tempos em comum de trabalho, mas trabalho verdadeiramente vivo.

segunda-feira, 15 de maio de 2006

o fogo

Convocam-se as fadas verdes, o Noddy, os gnomos da floresta, os dinossauros e o cotãozinho para a festa de anos do jotinha.
O menino que apagou o "fogo" com a mãe.
Parabéns ao meu mais doce menino.

sexta-feira, 12 de maio de 2006

acontece na rede

O culminar do trabalho do "Acontece na Rede" (rede de bibliotecas escolares e biblioteca municipal) realizou-se hoje, sob o tema "20 anos de Integração de Portugal na União Europeia", com uma conferência, teatro e exposição. A conferência do Prof. Doutor José Palmeira foi de tantas estrelas como as dos estados membros.
Aprendemos todos.
Oxalá Portugal explore melhor a ideia, defendida pelo conferencista, acerca de que Portugal tem um espaço aéreo estratégico e tem um mar potencial a ser utilizado por centrais de energia.
Vivam as bibliotecas do espaço da união.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

silka, sebastião, o meu avô e o guardador de nuvens

Manuela Bacelar, "Sebastião"

Manuela Bacelar, envolta da sua mágica Praga, com os dedos ainda repletos de brilhantes, chegou a Famalicão, terra das suas origens, e veio à biblioteca municipal. Uma exposição com as ilustrações da famosa "Silka" de Ilse Losa, portadoras do Prémio Maçã de Ouro da Bienal Internacional de Bratislava, "O meu avô", "Sebastião" e o "Guardador de Nuvens" de Inácio Pignatelli, são algumas que podemos saborear.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

couves & alforrecas

valter hugo mãe enviou-me este email. Isto passa-se em Portugal, depois do 25 de Abril de 1974.
"PROVIDÊNCIA CAUTELAR
MARGARIDA REBELO PINTO / OFICINA DO LIVRO

VS

JOÃO PEDRO GEORGE / OBJECTO CARDÍACO

Na passada Terça-feira, dia 2 de Maio, realizou-se a audiência das testemunhas arroladas pelos requentes e requeridos neste procedimento judicial.
Por parte dos requerentes (MRP/OL), foram ouvidos os Senhores Gonçalo Saraiva (amigo e leitor de MRP), Renato Carrasquinho (colaborador do site oficial de MRP) e Marcelo Teixeira (editor da OL); por parte dos requeridos foram ouvidos Maria do Rosário Pedreira (editora e escritora), Eduardo Pitta (escritor e crítico literário) e Rui Tavares (professor, escritor e ensaísta). Os requeridos prescindiram ainda da audição de duas outras testemunhas, por uma questão de economia processual, que seriam David Justino (ex-Ministro da Educação e Professor) e Manuel Alberto Valente (editor das Edições Asa).

É nossa convicção de que, após a devida audiência das testemunhas, ainda mais notória se revelou a ausência de qualquer tipo de agressão a direitos legalmente constituídos por terceiros pela a publicação da obra «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto».
Sustentando a sua posição na eminência de se violarem três tipos de direitos, os requerentes interpuseram a famosa providência cautelar, no entanto, de modo profundo, verificou-se, em nosso entender, que tais violações não ocorrerem. Assim,

1.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Personalidade da autora MRP:
é notório que o livro de JPG não ultrapassa o universo literário, sendo que todo o seu contexto se limita estritamente à avaliação da obra da autora estudada. Não existem referências de carácter pessoal, sendo inegável que o estudo de JPG se dirige a uma perspectivação determinada da obra sobre que se debruçou.

2.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Autor da autora MRP:
os requerentes terão pretendido dar como insustentáveis as citações que JPG faz da obra da autora estudada. No entanto, as citações estão expressamente tipificadas na lei – isto é, estão previstas e expressamente autorizadas pelo legislador nacional –, e só se tornam efectivamente excessivas quando, pela quantidade, comportam substancialmente a obra original citada. Ou seja, seria necessário que as citações de JPG ultrapassassem um limite tal que – em relação a qualquer dos 8 livros sobre que incide «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» – reproduzissem substancialmente a obra estudada.

3.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Propriedade Industrial de MRP:
sendo que o nome da autora é também uma marca registada, pretenderam os requerentes ver na sua citação por parte de JPG uma utilização indevida. Pretensão esta que não colhe uma vez que o direito à marca apenas se agride quando o produto que se lhe opõe passa por um original. Ou seja, o livro de JPG estaria em falta se quisesse passar por um original da autora sobre que incide. De facto, não há no livro de JPG qualquer possibilidade de se confundir com um romance ou um conjunto de crónicas de MRP, o livro assinala manifestamente a autoria de JPG, não pretendendo nunca confundir o leitor sobre o assunto de que trata, sobre quem é o seu autor e sobre quem é autor estudado.
O impedimento da utilização de um nome registado seria insustentável. Para o podermos entender consideremos os exemplos destes livros: «Coca-Cola Killer», do maestro António Vitorino D’Almeida (Edições Prefácio); «Mama, Coca, Coca-Cola, Cocaína: Três Pessoas numa Droga Só, Notas para um Ensaio Sobre a Eco-Nomia Política do Narcotráfico» de René Tapia Ormazabal (Editorial Caminho); e «Quando A Coca-Cola fez Trezentos Anos – Porno-Ficção Sem Crianças nem Animais» de Rui Filipe Torres (Edições Dolly).
Uma marca registada não impede nunca o estudo sobre si, impede apenas a criação de um produto que se queira fazer passar pelo legítimo detentor da marca em causa.

Perante tais evidências, a providência cautelar interposta contra JPG/OC foi, em nosso entendimento, um acto precipitado prevendo a ocorrência de violações que simplesmente nunca estiveram para acontecer.
Na verdade, a queixa dos requerentes ia no sentido de acusarem «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» de provocarem uma quebra nas vendas dos livros da autora MRP e, conforme declarado por Marcelo Teixeira em tribunal, as vendas da autora estão a correr de modo excelente, sendo que, em menos de um mês, o livro «Diário da tua ausência» vendeu 20.000 (vinte mil) exemplares estando para qualquer momento a chegada da tipografia de uma nova tiragem de mais 10.000 (dez mil) exemplares.

Também é um facto que o livro «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» terá vendido mais do que os 1.000 (mil) exemplares da sua tiragem inicialmente prevista; deve-se isto exclusivamente à publicidade que a interposição da providência cautelar provocou. Até ao momento, foram entregues à Sodilivros (distribuidora da OC) cerca de 3.000 (três mil) exemplares do livro de JPG.
A providência cautelar que MRP/OL interpuseram é o primeiro acto judicial desde o vinte e cinco de Abril de 1974 que tenta impedir a publicação e venda de um livro de crítica literária.

É nossa convicção de que a obra da autora MRP, e sobretudo o seu impacto no público, tem que ver com um fenómeno social. Não é a qualidade literária inerente ao que escreve que justifica o fenómeno de vendas, é antes um processo atinente à sociologia, como se verifica pelo envolvimento largamente promotor com a imprensa genericamente chamada de cor-de-rosa. De facto, poucos serão os autores que, como MRP, aparecerão no modo e quantidade com que esta aparece naquele tipo de imprensa. Pensando melhor, em Portugal nenhum outro autor aparece, no mesmo modo e com a mesma insistência, naquele tipo de imprensa de massificada distribuição. Sendo que a sua obra raramente merece atenção por parte da crítica e publicações especializadas; coisa que desgostou a autora MRP, levando-a a afirmar em várias entrevistas que gostaria de ver algum crítico propriamente dito a versar sobre a sua obra."




terça-feira, 9 de maio de 2006

quantos queres ?

As palavras frias não são para nós.
As palavras queimaram, de tanto borbulhar nas mãos dos meninos, quando a Rute e o Miguel estiveram, nas bibliotecas escolares, a brincar com os provérbios populares e a fazer os "quantos queres ?"
Um sucesso. Resposta : Queremos muito mais !
Parabéns e muita força para estes jovens actores que deviam estar sempre em palco.
Vivam as bibliotecas e o Teatro !

segunda-feira, 8 de maio de 2006

ratinho musical

O Ivo Machado musicou poemas de Luísa Ducla Soares e de Vergílio Alberto Vieira. Todos os meninos do 1º ano do agrupamento Bernardino Machado leram os poemas, ouviram as músicas e, com as suas professoras e o professor bibliotecário Manuel Oliveira, coreografaram e apresentaram um espectáculo na Biblioteca Municipal.
Foi hoje. Gostei muito da chinesinha e do ratinho musical. Os meninos portaram-se como na Arca do Noé. Muito bem.
Vivam as bibliotecas musicais !

sábado, 6 de maio de 2006

o princípio do equilíbrio

Picasso / House in a Garden (House and Trees) La Rue-de-Bois, August 1908 (or Paris, winter 1908) Oil on canvas 92 x 73 cm Pushkin Museum
Canção de Inverno II
No momento em que ouvi o último acorde, levantei-me e regressei a casa. Pensava, enquanto caminhava, quanto era triste o que ouvi, mas como era bela a forma como foi silenciada a canção de Inverno. Tudo, por vezes, se me apresenta gelado e, num golpe de sorte, tudo permanece radiante e luminoso. Pleno de graças, como o pianista, na sua solidão, pleno de quietude.
As árvores à volta da casa, a casa não está às escuras. Há janelas abertas e iluminadas. Entro e ouve-se sempre música, as paredes estão pintadas com gatos gigantes, árvores com ramos que espreitam pelas janelas e pessoas paradas a olhar para mim. Algumas estão sentadas, outras são do passado e transmitem o desejo de viver para sempre. Há livros por todo o lado, mesmo rente ao tecto. Todos nesta casa gostam de histórias vivas.
Os degraus que sobem e descem, retrato exemplar de toda uma vida, terminam sempre no patamar perfeito, no renascer executado em todas as alturas em que chego ao fundo de um poço, e como numa imagem da água a jorrar, venho à tona e renasço.
No quarto maior iluminado, há um berço onde dormem três anjos. Para cada um tenho um sonho que obstinadamente faço crescer todos os dias. Dormem com a música que lhes canto com o meu respirar, quando acordam querem correr no céu laranja atrás dos livros, que alguém lhes disse que estavam destinados nas estrelas.
Para eles tenho uma herança de paz e de eternidade que abandono em todas as minhas palavras e sempre que toco nos seus corpos. São o meu reflexo, quando nos fotografamos juntos temos os rostos iguais e os nossos corações têm o mesmo batimento. Somos unos, eu e os meus filhos, nesse grande quarto iluminado, onde o mundo é tão solar.
No centro da casa está o princípio do equilíbrio que mantém a minha vida feliz.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

quando um bibliotecário faz anos

Nem só as bibliotecas fazem anos, os bibliotecários que lá trabalham também envelhecem.
Para o Hilário, desejo muitos anos de vida, dentro das bibliotecas vivas, ou melhor, que ele transforme as adormecidas em luminosas.
Bibliotecas sem paredes coloridas mas com muitos poemas, nas paredes, escritos.
"como um lago o poema
não repete reflecte"
Gastão Cruz
Vivam os bibliotecários das bibliotecas vivas que reflectem o mundo.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

o pão partilhado, para a Glória

Tantos anos juntos, dentro de uma biblioteca, tantas riquezas partilhadas a que não demos importância.
Uma palavra, um gesto, as flores, e no outro dia o pão partilhado.
Como terra ressequida, a precisar de água dos afectos, abri o livro que tinha uma só palavra.
Basta uma migalha, Glória, para perceber o que está escrito.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

as três meninas

"As tês meninas" Luísa Correia Pereira
díptico, técnica mista sobre tela 228x146 cm
legenda:
Uma praia. Uma praia num lugar distante com areia esbranquiçada gasta pelas torturas sanguinolentas. A areia foi escavada e no mais fundo do fundo estão os corpos decepados para não mais serem amados.
Tiraram-lhes o corpo. Ficaram as cabeças ainda ensanguentadas pelo corte que lhes fizeram, que rolam pela areia. As cabeças estão muito bem penteadas com fitas coloridas e as algas entrecruzam-se neste crime de sangue torturado.
As cabeças têm o medo branco estampado nos rostos. São parecidos os rostos, irmãos na morte e vivos na inocência. Como conchas ovais, moluscos enterrados e dilacerados, espalhados pelo espaço.
Eram três meninas.
Uma onda lavou o último rasto de sangue.

terça-feira, 2 de maio de 2006

cem sonetos de amor

Ao entrar na biblioteca, de manhã, observo sempre os livros que chegaram do empréstimo. Todos os dias há sempre um livro certo para mim. Hoje, dia 2 de Maio, o livro que me encontrou foi o "cem sonetos de amor" de Pablo Neruda. Mando-o para o JJ.

"aqueles bruscos rios com águas e ameaças,
aquele atormentado estandarte da espuma,
aqueles incendiários favos e recifes.

são hoje este repouso do teu sangue no meu,
este leito estrelado e azul como a noite,
esta simplicidade sem fim da ternura."

segunda-feira, 1 de maio de 2006

as intermitências da morte

"Por um instante a morte soltou-se a si mesma, expandindo-se até às paredes, encheu o quarto todo e alongou-se como um fluido até à sala contígua, aí uma parte de si deteve-se a olhar o caderno que estava aberto sobre uma cadeira, era a suite número seis opus mil e doze em ré maior de johann sebastian bach composta em cothen e não precisou de ter aprendido música para saber que ela havia sido escrita, como a nona sinfonia de beethoven, na tonalidade da alegria, da unidade dos homens, da amizade e do amor. Então aconteceu algo nunca visto, algo não imaginável, a morte deixou-se cair de joelhos, era toda ela, agora, um corpo refeito..."
José Saramago In "As intermitências da morte".
A morte, que intermitente, está nas nossas vidas, só vencida pela música, a suite nº6 para violoncelo de J.S.Bach, e pelo amor vivido em alegria, é a morte fabulosa do Saramago.
Continuo a acreditar na vida eterna e nas bibliotecas de Alexandria.
Vivam as bibliotecas que têm este livro.