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sexta-feira, 9 de março de 2012

Nos 150 anos das Memórias do Cárcere

O ano de 1862 é, sem dúvida, marcante na literatura camiliana, na medida em que regista não somente a escrita de ‘Amor de Perdição’ como também a edição de ‘Memórias do Cárcere’, texto que exprime a experiência de Camilo Castelo Branco, preso por adultério, na Cadeia da Relação do Porto.
150 anos depois, a Câmara Municipal de Famalicão e a Casa de Camilo organizam, no âmbito da Capital Europeia da Cultura Guimarães 2012, Oficinas de Leitura, de Escrita e de Cinema com os reclusos do estabelecimento prisional de Guimarães; para que estes possam também, à luz de Camilo, aprender a exprimir, através da criação artística, literária e audiovisual, os seus sentimentos, experiências e memórias.

Este conjunto de actividades, resultará na publicação de um livro e na produção de um documentário; ambos contendo textos, imagens e conteúdos criativos elaborados pelos reclusos.

março
Em março, dá-se início ao projecto; apresentado primeiro aos reclusos, dia 9, no Estabelecimento Prisional de Guimarães; e depois à imprensa, dia 12, na Casa de Camilo. E desde então até meados de abril, o Estabelecimento Prisional de Guimarães receberá convidados ilustres, figuras públicas da sociedade portuguesa que, num ambiente de tertúlia, lerão excertos da obra de Camilo.  

abril
De meados de março a 14 de abril, figuras públicas da sociedade portuguesa, num ambiente de tertúlia, lerão excertos da obra de Camilo Castelo Branco, Memórias do Cárcere. A partir desta data inicia-se uma Oficina de Escrita Criativa com os reclusos.

maio
De 14 de abril a 19 de maio os reclusos receberam formação em Escrita Criativa, com vista a saber recriar literariamente, à luz de Camilo, as suas próprias memórias do cárcere. O período de redação inicia-se a 21 de maio.

junho
Intercalando visitas de estudo à Cadeia da Relação do Porto e à Casa de Camilo, o mês de junho é dedicado na totalidade à criatividade literária dos reclusos do Estabelecimento Prisional de Guimarães que, sob inspiração da obra camiliana, escreverão eles próprios as suas memórias do cárcere.

julho
Para os reclusos do Estabelecimento Prisional de Guimarães, este será o mês do cinema. De dia 2 a dia 27, estes receberão formação na área e serão incentivados a produzir as suas próprias experiências audiovisuais.

outubro
Lançamento, dia 12, na Casa de Camilo, do livro produzido com textos dos reclusos do Estabelecimento Prisional de Guimarães.

novembro
Apresentação pública, dia 12, na Casa de Camilo, do documentário resultante de todo o projeto de interação criativa com os reclusos do Estabelecimento Prisional de Guimarães, a propósito da celebração dos 150 anos de Memórias do Cárcere, de Camilo Castelo Branco.

Fonte: Guimarães 2012

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

1º Encontro Internacional de Casas Museu

Freud Museum

A intervenção inaugural deste Encontro, no dia 30 de Outubro em Seide, foi feita por Clara Camacho, Subdirectora do Instituto dos Museus e da Conservação, que não pôde estar presente, tendo sido apresentada por um seu representante, subordinada ao tema "Casas-Museu em Portugal - uma panorâmica, uma reflexão".
Inicia a reflexão referenciando o documentário "Tapete Voador", de João Mário Grilo, que foca a manufactura dos tapetes orientais, no Irão actual, destacando as cenas finais filmadas na Freund Museum, em Londres, casa do pai da psicanálise. As imagens focam o seu consultório, onde os doentes se deitavam no célebre sofá, coberto por um tapete oriental. O cineasta induz a observação da privacidade desta personalidade através do pormenor do tapete, que evoca pessoas, vivências, trabalhos, sonhos...
Na perspectiva actual da Museologia, as Casas-Museu são uma tipologia de museus, um conceito novo completamente diferente do conceito de museu tradicional. Haverá que incluir alguns dados novos como a recriação da vida de uma personalidade, o contexto da sua vida e do seu trabalho, apresentação de colecções em contexto residencial, etc. A Lei Quadro dos Museus Portugueses define as Casas Museu como instituições permanentes, sem personalidade jurídica, valorizando bens culturais, etc. As definições do IMC sobre a Casas-Museu precisam melhor o conceito: um imóvel edificado com colecções apresentadas no seu contexto original e que ilustram a vivência do quotodiano da personalidade a que a casa-museu está devotada.
A autora deste trabalho fez um levantamento exaustivo das Casas-Museu em Portugal e tratou dados que recolheu no Observatório das Actividades Culturais. Chegou à conclusão que muitas casas-museu existentes não coincidem com a definição estabelecida pelo IMC, que designam muito tipo de museus ou entidades não museológicas, e deu relevo ao crescimento da Casa de Camilo e Casa José Régio, pelas extensões que criaram para dar apoio às casas dos escritores. Deixou no ar algumas interrogações sobre o papel, função e actividades das casas-museu.
Brevemente serão editadas as actas do encontro.
Vivam as casas-museu vivas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

biblioteca da casa de camilo

Casa de Camilo. Centro de Estudos. Biblioteca
Foto Inverno 2007 por L. Alvim
Vivam as bibliotecas vivas

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

prémio melhor museu do ano 2006

Inverno 2007/ L.Alvim


A Casa de Camilo foi hoje distinguida com o Prémio Melhor Museu do ano 2006 atribuído pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM).
A Casa de Camilo-Museu. Centro de Estudos destaca-se não só pelo projecto museológico, mas também pelo seu trabalho como centro de informação e investigação sobre o escritor Camilo Castelo Branco (1825-1890).
Os Prémios APOM 2006 foram anunciados numa cerimónia no Museu de História Natural, em Lisboa, onde se prestou também homenagem ao professor jubilado António Galopim de Carvalho, como Melhor Personalidade na Área da Museologia.
Atribuídos desde 1996, os Prémios Prestígio da APOM, destinam-se a valorizar os diferentes aspectos da museologia e destacar o papel dos museus na sociedade e na cultura.

Prémio Melhor Museu do Ano
1º Prémio Casa de Camilo - Museu. Centro de Estudos
Menções honrosas
Museu do Caramulo; Laboratório Chimico da Universidade de Coimbra

Prémio Melhor Exposição
Museu Municipal de Vila Franca de Xira com a exposição dedicada ao Neo-Realismo

Prémio Melhor Serviço de Extensão Cultural
1º Prémio Museu do Papel de Terras de Santa Maria, Paços de Brandão
Menções honrosas
Museu da República ; Museu Regional de Beja
Prémio de Melhor Catálogo
1º Prémio Associação dos Arqueólogos Portugueses com o catálogo "Construindo a Memória - As Colecções do Museu Arqueológico do Carmo
Menção honrosa
Museu Quinta das Cruzes, no Funchal, com o catálogo “Um Olhar do Porto - Uma Colecção de Artes Decorativas"
Prémio de Melhor Trabalho sobre Museologia
1º Prémio
ex-aequo- A Revista "Museal", do Museu Municipal de Faro, e a tese de mestrado de Filipe Serra - "Gestão e Administração dos Museus Portugueses"

Melhor Personalidade na Área da Museologia
António Galopim de Carvalho

Fonte: Lusa

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Água, Cão, Cavalo, Cabeça


Gonçalo M. Tavares recebe hoje o prémio, em S.Miguel de Seide. O livro de contos intitula-se "Água, Cão, Cavalo, Cabeça". Camilo Castelo Branco, que dá nome ao prémio, gostou do título.
O Cavalo parou junto à porta da casa de Seide, o Cão tossiu. Estava tísico. Desceu as escadas, abanou a Cabeça e disse:
- não voltes mais aqui sem trazer o envelope. Tanto espero e sofro!
O Cavalo afastou-se, olhou em frente e viu-me. Mergulhou em si mesmo e encontrou a Água em que se vai tornar, dentro do papel do envelope.


”Um envelope individual

O exame electroencefalográfico tem doze registos que podem ser mono ou bipolares. Os exames captam os estímulos eléctricos de cada uma das áreas do cérebro; depois tiram-se conclusões.
Em repouso, o ritmo eléctrico do cérebro é diferente.

É necessário acreditar na verdade e não acreditar na mentira.
Uma escritora utiliza esta expressão: ficar individual. Uma pessoa que numa conversa, de repente, fica individual, é alguém que entra em si próprio, como se cada um fosse dois e pudesse o seu 2° mergulhar no primeiro e fechar-se.
Existem momentos em que somos sociais, disponíveis; e existem momentos em que somos individuais.
No café detestam que eu leve livros e os leia, e que escreva. Aceitam e gostam de alguém que leva um jornal e lê durante horas, sentado. É uma questão de não se sentirem estúpidos, mas são estúpidos.
No fundo era apenas para contar a história de alguém que tinha um electroencefalograma para levantar num laboratório, mas morreu às duas horas da tarde, e o exame só estava pronto às três horas da tarde. Morreu de um ataque que vem de dentro da cabeça, mas os médicos têm outros termos. E o resultado do exame ficou anos no laboratório porque não foi levantado e no laboratório não são obrigados a distinguir quem morre de quem se atrasa ou se esquece.
Na organização de um dos anos posteriores, esse exame foi rasgado e deitado ao lixo, sem sequer ser aberto.

O exame electroencefalográfico, já o disse no início, tem doze registos, registos que podem ser mono ou bipolares. Os exames captam os estímulos eléctricos de cada uma das áreas do cérebro e depois tiram-se conclusões.
Naquele caso a conclusão era que o cérebro estava bem. Tanto em esforço como em repouso. E doze registos são sempre doze registos, não é um só.”

Gonçalo M. Tavares

In Água, Cão, Cavalo, Cabeça, Caminho, 2006

O conto foi retirado do blogue Aspirina B, post de autoria de Fernando Venâncio.

ver também

Vivam as bibliotecas vivas!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Água, Cão, Cavalo, Cabeça

prémio de conto Camilo Castelo Branco 2006



Gonçalo M. Tavares

«Três cabides: um para pendurar o casaco, outro para pendurar uma corda já com o nó de enforcado. Outro cabide ainda: o chapéu.
Não podes ter o conhecimento integral das coisas.
Fumei um cigarro, uma t-shirt branca, a barba por fazer. Atravesso a rua já encasacado. Frio brutal. Pessoas de um lado para o outro a fazerem compras e no meio do passeio um rapaz de tronco nu, no meio deste frio brutal, de joelhos, com o tronco esticado e a cabeça baixa e a mão igual a um cabide, dirigida para a frente e para cima, aberta, a pedir.»
Gonçalo M. Tavares
In Água, cão, cavalo, cabeça
Caminho, 2006

Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

as vinhas da ira

CICLO "UM LIVRO, UM FILME"

"As Vinhas da Ira", de John Ford
"As Vinhas da Ira" de Steinbeck

CONVIDADO: Mário Augusto (jornalista)
sexta-feira, 23 Fev. 07
Auditório do Centro de Estudos Camilianos, em S. Miguel de Seide
Entrada Livre

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

o padre Diniz e Blade Runner

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? O que nos torna humanos?
O filme Blade Runner aponta para estas questões religiosas e filosóficas. Deckard, ex-Blade Runner, veio para a Terra à procura do seu Criador, para tentar aumentar o seu período de vida e escapar à morte que se aproxima.
O Livro do Padre Diniz, não faz outra coisa. Através desta fantástica personagem, Camilo apresenta-nos a metamorfose de um homem que se procura em Deus.
Deste modo, fica o convite, um livro e um filme para ver e ler.
Vivam as bibliotecas vivas.

26 Janeiro 21h30
Casa de Camilo / Seide

Um livro Um filme

Do Androids dream of a electric sheep? de Philip K. Dick

Blade Runner de Ridley Scott

convidado José Pacheco Pereira
entrada livre

blogue Abrupto

quarta-feira, 22 de novembro de 2006

o universo de Camilo

Para responder a muitos pedidos, cá vai uma menção ao Camilo, ao universo do escritor. Agora que estou tão perto dos seus livros, da sua casa, do seu quintal...
Posso dar-me ao luxo de estar à janela do seu quarto. O que vejo? Não vejo com os olhos dos últimos tempos de Camilo. Ele estava cego. A sua vida é a sua obra, num entrelaçar intenso que espero absorver.
O que vejo? Oferece-me uma contemplação panorâmica de uma Vida e de muitas vidas, daqui da minha janela bem em frente à Casa de Seide.
Estou aqui para transformar uma biblioteca.
Vivam as bibliotecas vivas.