quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007
amor de salvação III
A gente das cidades pergunta-me em que país do mundo florescem, em Dezembro, bouças e montados.
Respondo que é em Portugal, no perpétuo jardim do mundo, no Minho, onde os inventores de deuses teriam ideado as suas teogonias, se não existisse a Grécia."
In Amor de Salvação
Camilo Castelo Branco
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
amor de salvação II
A Biblioteca do Estado de Vitória, em Melbourne, Austrália, inaugurou uma noite de “speed dating” (encontros românticos rápidos) com um traço literário. Quem comparece ao encontro deve levar um livro que goste ou odeie, para puxar conversa, assegurando que não haverá silêncios constrangedores durante as séries de conversas, de cinco minutos, com os diversos solteiros do grupo.O primeiro encontro foi rapidamente preenchido por 52 participantes, e 13 casais que se conheceram no local marcaram encontros futuros. A iniciativa provou ser um sucesso tão grande que mais noites de encontros já estão programadas para este ano.
Entre os livros levados para a primeira noite de encontros estavam “O Diário de Bridget Jones”, de Susan Fielding; “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams; e alguns romances do autor japonês Haruki Murakami.
Fontes:
Bibliorandum , State Library of Victoria, Austrália
terça-feira, 30 de janeiro de 2007
amor de salvação I
"Para o amor maldito, duzentas páginas; para o amor de salvação as poucas restantes do livro. Volume que descrevesse um amor de bem-aventuranças terrenas, seria uma fábula."
A primeira edição desta obra é de 1864, e o amor de felicidade e bom exemplo ainda não tinha chegado a Camilo. Aliás, ele próprio defende que tem que tardar, o coração tem que passar pela reabilitação, e a consciência de regenerar-se para encontrar a tábua, na vida naufragada, que o irá salvar.
Bem-aventurados os que se passeiam pela vida, nas margens serenas, do amor que salva !
Vivam as bibliotecas vivas.
segunda-feira, 29 de janeiro de 2007
Camilo dixit
Lede como quem se recreia. Para isso comprais este livro.
In : advertência "O Livro Negro do Padre Diniz"
Camilo Castelo Branco
marcar os livros com frases de Camilo
"um livro bem pensado e bem composto só admira os dez literatos inteligentes que por aí vivem, lurados na sua obscuridade."
In Correspondência epistolar, CCB
Perguntaria, Camilo, se fosse vivo:
Quem são estes dez literatos? (10 Grandes Portugueses?)
Que livros de JPP irão marcar os marcadores?
Aguardam-se sugestões.
Vivam as bibliotecas vivas
domingo, 28 de janeiro de 2007
periódicos e web 2.0
Guia, para editores de periódicos, sobre Web 2.0 :
Ifra técnicas de prensa Web 2.0 - edicíon especial
Para os amantes do papel folhearem...
Vivam as bibliotecas vivas.
sexta-feira, 26 de janeiro de 2007
uma invenção lorpa
"No qual se prova que o autor não tem jeito para escrever romances".
"Este começa por onde acabam os outros", ou seja com um casamento! Nove luas depois... o baptizado!
(Continua Camilo)
"vamos fechar este capítulo.
- Com que lance dramático?- pergunta o leitor.
- Nenhum! - respondo eu.
- Porque não inventaste um encapotado, que viesse perturbar este festim, como o Mane Tacel Phares de Balthazar?
- Era uma invenção lorpa - respondo eu.
- Pois não houve mais nada!? - torna o importuno.
Houve o seguinte:
O menino que fazia anos, meteu-se na capoeira das galinhas e degolou-as todas!
Acaba melhor do que eu imaginara."
São os diálogos que Camilo inventou para nós, leitores de invenções lorpas.
Vivam as bibliotecas vivas.
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
maria josé moura
Inventou o futuro das bibliotecas públicas. Sem a Maria José Moura não existiam bibliotecas públicas em Portugal. Existiam bibliotecas públicas, mas não as que ela sonhou e que alguns bibliotecários, com ela, fizeram crescer.
Proporcionou-nos o melhor, as viagens de estudo, as conferências internacionais, o aprendermos juntos, a realização de projectos, a não pararmos nunca pela maior causa, a tal revolução silenciosa, da Leitura Pública.
Encontramo-nos, bibliotecários de coração e alma com MJM, no próximo sábado, para gozarmos o gosto de estarmos vivos, e juntos ainda caminharmos.
Nota biográfica de Maria José Moura (não está actualizada)
Organizou e participou em diversas conferências e seminários internacionais e tem uma bibliografia que inclui os Relatórios sobre as Bibliotecas Públicas em Portugal (1986 e 1996).
Foi Directora de Serviços de Bibliotecas, no Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, vice-presidente do Conselho Superior das Bibliotecas Portuguesas, presidente do Ponto de Convergência Nacional do Programa Telemática para Bibliotecas da União Europeia, e membro do Information Society Forum – Bruxelas.
Foi condecorada com a Ordem de Mérito e, em 1998, recebeu o Prémio Internacional do Livro, atribuído pelo “International Book Committee”, sob proposta da IFLA.
quarta-feira, 24 de janeiro de 2007
o padre Diniz e Blade Runner
Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? O que nos torna humanos? O Livro do Padre Diniz, não faz outra coisa. Através desta fantástica personagem, Camilo apresenta-nos a metamorfose de um homem que se procura em Deus.
Deste modo, fica o convite, um livro e um filme para ver e ler.
Vivam as bibliotecas vivas.
Casa de Camilo / Seide
Um livro Um filme
Blade Runner de Ridley Scott
convidado José Pacheco Pereira
entrada livre
blogue Abrupto
um nu do valter hugo mãe
Aí está a Pornografia Erudita.
terça-feira, 23 de janeiro de 2007
directório de bibliotecas portuguesas

Um verdadeiro wiki. Só temos que colaborar, corrigindo e aumentando.
fiama
Fiama brilha junto das suas árvores, com os seus poemas, para sempre. O valter hugo mãe deixa-nos um depoimento sobre os últimos dias de Fiama, no tempo, na casa de osso.Recordo os poemas de Fiama. De ir à biblioteca copiá-los num caderno, ao lado dos de Eugénio e do seu Gastão Cruz. Raramente comprava livros. Comia-os.
Vivam as bibliotecas vivas.
o tempo faz e desfaz
no interior do corpo. Porque ele passa
com um rumor nas pedras que nos cobrem,
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até na íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.
....
Mas nós sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.
O tempo é silencioso e enigmático
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
o tempo faz e desfaz a vida.
Fiama Hasse Pais Brandão
1938-2007
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
sete selos
Quem abriu os sete selos do Apocalipse?"
in advertência "O Livro Negro do Padre Diniz"
Camilo Castelo Branco
confrontar: Apocalipse 5, 1-14
post Tomei o pequeno livro e comi-o
sexta-feira, 19 de janeiro de 2007
camilo e rosalía
* prefácio e fixação de texto Aníbal Pinto de Castro
** prefácio de Xesús Alonso Montero
quinta-feira, 18 de janeiro de 2007
o livro negro do padre Diniz I
Apresenta-nos, resumindo, a personalidade deste Padre Diniz, que é simultaneamente um fraco e um santo, que sabe que "a escala dos sofrimentos varia até ao infinito", e a quem desceu "a réstia luminosa da santificação". O criminoso e o anjo. Ora exerce uma influência boa ora cruel.
Seria homem, o Padre Dinis? - pergunta Camilo. Anjo ou super-homem?
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
entre-dois
Sérgio Sousa, camilianista, professor na Universidade do Minho, defendeu em finais de 2005, o doutoramento, na mesma universidade, com a dissertação : "Entre-Dois : desejo e Antigo Regime na Ficção Camiliana". A obra ainda não está publicada, espero que seja para breve.A bipolaridade e as contradições desta sociedade oitocentista são relatadas nesta tese, através da ficção de Camilo, sobretudo nas três obras : "O Santo da Montanha", "A Queda de um Anjo" e "A Filha do Doutor Negro".
Este trabalho pode ser consultado na biblioteca da Casa Museu.
Vivam as bibliotecas vivas
terça-feira, 16 de janeiro de 2007
maria moisés II
A segunda, é a história de vida de Maria de Moisés.
Para saber mais "Maria Moisés de Camilo Castelo Branco: Enredos do Coração" de J. Cândido Martins (Universidade Católica Portuguesa – Braga).
Vivam as bibliotecas vivas.
segunda-feira, 15 de janeiro de 2007
vinte horas de liteira
O romance "Vinte horas de liteira", de Camilo Castelo Branco, descreve a viagem que o escritor faz com a personagem António Joaquim, de Vila Real até ao Porto. É uma sucessão de histórias e narrativas que António Joaquim lhe vai contando, e vice-versa. O paradoxal desta obra, é a que a personagem ficcionada António Joaquim reconta, ao escritor, histórias reais. Essas histórias são ficção, escritas pelo narrador Camilo Castelo Branco. O narrador também conta, a António Joaquim, histórias verdadeiras.
Estas ambiguidades entre a conversa do livro e a literatura, o narrador que não é mas acaba por ser, o real e a ficção, transformam esta viagem ficcional camiliana numa verdade im(possível).
Recomendo o prefácio da investigadora Annabela Rita à obra Vinte Horas de Liteira, Edições Caixotim, 2002
A obra em CD-Rom Projecto Vercial
Vivam as bibliotecas vivas.
sexta-feira, 12 de janeiro de 2007
trevas claríssimas
In Maria de Moisés
Camilo Castelo Branco
segunda-feira, 8 de janeiro de 2007
Camilo por terras brasileiras II
Quem quiser ajudar, e já agora divulgando as obras do Camilo que ainda não estão na biblioteca digital, pode fazê-lo para os emails:
parceiros@futuro.usp.br
ou
voluntario@futuro.usp.br
Bom trabalho e ajudem a manter as bibliotecas vivas.
quinta-feira, 4 de janeiro de 2007
Camilo por terras brasileiras I
Camilo Castelo Branco é contemplado, nesta biblioteca digital, com 6 obras completas em pdf :
A Brasileira de Prazins
Amor de perdição
Coisas que só eu sei
Coração, cabeça e estômago
Os Brilhantes do Brasileiro
Uma Praga rogada nas escadas da forca
Vivam as bibliotecas vivas.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2007
manifesto do bibliotecário 2.0
Para iniciar o ano 2007, reconheço que ainda estou a interiorizar o bendito manifesto.Aprecio os manifestos, as declarações de princípios, os decálogos. Recentemente, estudei e apresentei um trabalho sobre os "Manifestos de Carvalho Travassos" e os "Manifestos de Mangelos".
Vivam as bibliotecas vivas.
Manifesto do bibliotecário 2.0
(no blogue "Tame the web : libraries and technology" de Michael Stephens)
terça-feira, 2 de janeiro de 2007
2007
I sing,
having none,
but for the common sunshine,
the breeze,
the largess of the spring.
Not for victory
but for the day's work done
as well as I was able;
not for a seat upon the dais
but at the common table.
Charles Reznikoff, "Te Deum", 1976.
quarta-feira, 27 de dezembro de 2006
natal
quarta-feira, 20 de dezembro de 2006
fanny owen
Agustina Bessa Luís relata magistralmente estes trágicos amores no seu romance Fanny Owen.
Refira-se, também, que Francisca, o filme de Manoel de Oliveira, resulta de uma encomenda de diálogos a Agustina, da qual acabou por resultar este romance. O filme foi filmado na Quinta de Soeime, em Vilar do Paraíso.
A quinta pertenceu à Tia Geninha (Efigénia Russel de Sousa casada com Carlos Dias de Almeida, tio avô da minha cara metade), onde, algumas vezes, percorri salas e jardins, onde se filmou Francisca.
Relembro, pelos meus 18 anos, ter visto este filme e nunca esquecer a famosa cena em que José Augusto entra, a cavalo, pelo quarto de Camilo onde têm um diálogo exemplar sobre o Amor e a fatalidade da morte.
"O que faz com que amemos alguém?", pergunta José Augusto, no momento em que já não há nada mais a fazer. O que fazer, então? "Gerar um anjo na plenitude do martírio", o que, no universo do filme e no universo de Oliveira e seus amores frustrados, significa construir um amor eterno no meio de toda a adversidade do mundo.
sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
paixões proibidas I
O projecto conta com a participação de nove actores portugueses em permanência. Uma lista encabeçada por Virgílio Castelo, Natália Luiza, Ana Bustorff, Henrique Viana, São José Correia, Pedro Lamares, Carlos Vieira, Nuno Pardal e Leonor Seixas. Do elenco brasileiro saltam à vista nomes como os de Flávio Galvão, Filipe Camargo, Suzy Rego, entre muitos.
Fazem parte da banda sonora, da novela, uma reunião de excelentes nomes como o de Chico Buarque, Mariza, Ivan Lins, Teresa Salgueiro, Caetano Veloso e Pedro Abrunhosa.
site oficial "Paixões Proibidas"
Wikipédia - Paixões Proibidas
quinta-feira, 14 de dezembro de 2006
mozart em seide
fragmento do autógrafo Sonata para piano BKV 570, nº17 ,de Mozart(British Library London)
A obra musical completa de Wolfgang Amadeus Mozart está disponível na Digital Mozart Edition.
(podemos pesquisar pelas 600 obras ou pesquisar pelas 10 classes em que a obra está dividida).
Não podia deixar de referenciar, pois sou uma apaixonada por Mozart. Toco algumas sonatas para piano e gosto de ler as restantes, ouvindo ao mesmo tempo as melhores interpretações. Chegou a ser um sonho de férias pôr as sonatas todas nos dedos.
Se Mozart tivesse sido contemporâneo de Camilo, concerteza que teria usado como libreto alguma novela para alguma ópera. As vidas deles não se cruzaram. Cruzo-me eu, aqui em Seide, a escutar a magnífica eterna música de Mozart.
Vivam as bibliotecas vivas.
camilo broca
Hoje, estará em Seide o escritor Mário Cláudio, ao final do dia, para apresentar este livro. Não há lugar melhor do que este para o fazer. Um romance que conta a história da família, por alcunha Brocas, e dos antepassados de Camilo, de forma ficcionada. Quem são eles? Muitos retratos nos são apresentados, vidas cruzadas, vidas sofridas, amor e ódio, inquietação.Mário Cláudio, numa entrevista para o Portal da Literatura, sobre as personagens deste livro, afirma : "De facto, vivos ou mortos, reais ou imaginários, os interventores em qualquer história são sempre, e exclusivamente, os que existem dentro de nós."
entrevista a Mário Cláudio a propósito do seu livro "Camilo Broca"
sobre Mário Cláudio
Vivam as bibliotecas vivas.
quarta-feira, 13 de dezembro de 2006
bibliorandum
Parabéns por este esforço de disponibilizar informação.
terça-feira, 12 de dezembro de 2006
maria moisés
Mais uma das "Novelas do Minho":"Maria Moisés", escrita em S. Miguel de Seide, em Novembro de 1876.
Assim começa a novela : "O pequeno pegureiro contou as cabras à porta do curral; e, dando pela falta de uma, desatou a chorar com a maior boca e bulha que podia fazer. Era noite fechada. Tinha medo de voltar ao monte...".
Seguem-de as peripécias que levam ao suicídio da Josefa, e ao abandono da sua filha recém-nascida, no rio. Será esta a Maria Moisés, que faz justiça ao sobrenome bíblico, indicativo da circunstância em que foi encontrada, num berço sobre o rio.
As Novelas do Minho podem ser lidas, em papel, em muitas edições. Na Camiliana, da Casa de Camilo, aconselhamos estas :
- edição crítica organizada, com base nos manuscritos e na primeira edição por Helena Mira Mateus (Lisboa : Centro de Estudos Filológicos, 1961)
- selecção e notas de Alexandre Cabral (Lisboa : Círculo de Leitores, 1982)
- prefácio e fixação do texto por J. Cândido Martins (Porto : Edições Caixotim, 2006), sob a direcção de Aníbal Pinto de Castro.
Em formato digital :
"Maria Moisés" - na Revista Ficções - Biblioteca online do Conto
"Maria Moisés" - na Biblioteca Digital da Porto Editora- obra integral pdf
Vivam as bibliotecas vivas.
segunda-feira, 11 de dezembro de 2006
onde está a felicidade?
Depois de um fim de semana em paz e serenidade, eis que surge esta obra de Camilo, nas minhas mãos : "Onde está a felicidade?"Este romance, publicado, em primeiro lugar no periódico A Verdade, em 1856, é um romance de costumes em que várias personagens procuram, cada uma à sua maneira, a felicidade, no dinheiro, outras no amor. E eis que, fabulosamente, Camilo tece uma intriga simbólica.
No Prólogo, um retrato de um usurário João Antunes da Mota, que antes de morrer, no célebre desastre das barcas, na Ribeira do Porto, no Rio Douro (ao fugir dos invasores franceses), enterra no chão de sua casa, na Rua dos Arménios, toda a sua fortuna, cento e cinquenta contos de réis. Facto importante, porque depois no romance, este acontecimento irá ser o desfecho à pergunta - Onde está a felicidade? Mas desenganem-se os incautos porque a resposta não é linear. Daí o fascínio desta obra, que vivamente recomendo.
Esta obra pode ser lida em várias edições e em CD-Rom, editado pelo Projecto Vercial.
Vivam as bibliotecas vivas.
quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
o comendador em mp3
Hoje podemos ouvir esta novela em mp3, descarregando-a do Boal - Biblioteca On-line Áudio de Literatura que é um excelente projecto de António Fidalgo e Rita Duarte da Universidade da Beira Interior, Covilhã.
"O Comendador" de Camilo Castelo Branco
(lida pelo actor Pedro Fonseca)
Vivam as bibliotecas vivas.
quarta-feira, 6 de dezembro de 2006
a última vitória de um conquistador
Faz análise deste conto de Camilo, que é uma história de amor e traição entre duas personagens.
Defende que Camilo, com este texto, não precisava de o escrever só por questões económicas, mas escreveu-o para para jogar um jogo com o leitor e escapar à depressão.
Toda a sua escrita foi a salvação do suicídio, até ao dia em que cegou.
Fonte: A Mulher na Vida e Obra de Camilo : actas / org. Câmara Municipal de V.N. Famalicão, Centro de Estudos Camilianos.
Vivam as bibliotecas vivas.
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
bibliotecária em Ílhavo
quinta-feira, 30 de novembro de 2006
Blogues
Agradeço aos colegas o quanto tenho aprendido com eles : Adalberto Barreto, Júlio Anjos, Maria Clara Assunção, Paulo Jorge Sousa e Pedro Príncipe, que participarão neste painel, e a muitos outros que também animam a blogosfera.
Vivam os blogues vivos.
Programa provisório Congresso BAD
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
nas farmácias espanholas
O Estado português sugere um Plano Nacional de Leitura. Excelente. Os espanhóis "receitam" livros no Plano de Fomento de Leitura da Extremadura, ao converter os espaços de todas as farmácias da região em locais onde se pode encontrar folhetos sobre livros para o público infantil, juvenil e adulto. Os folhetos têm indicação da composição, indicações, posologia, precauções e outras informações sobre os livros. Biblioterapia? Eu acredito. Ler durante as aulas? Oxalá as crianças consigam engolir a pastilha.Vivam as bibliotecas vivas.
meditar sobre a esperança

Rosiska Darcy de Oliveira,
In A Dama e o Unicórnio, 2000
terça-feira, 28 de novembro de 2006
ler amar
segunda-feira, 27 de novembro de 2006
Entre nós e as palavras, os emparedados
Cesariny 1923-2006Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas, que esperam por nós
E outras frágeis, que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens, palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis à boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar."
sexta-feira, 24 de novembro de 2006
tomei o pequeno livro e comi-o
"A voz do Céu, que eu, João, tinha ouvido, falou-me novamente, dizendo: «Vai buscar o livro aberto da mão do Anjo que está de pé sobre o mar e sobre a terra». Fui ter com o Anjo e pedi-lhe que me desse o pequeno livro. Ele disse-me: «Toma-o e come-o: no estômago, ele será amargo, mas na boca, ele será doce como o mel». Tomei o pequeno livro da mão do Anjo e comi-o: na minha boca era doce como o mel; mas depois de o engolir, amargou-me no estômago. Então disseram-me: «Tens de profetizar novamente contra muitos povos, nações, línguas e reis»."Livro do Apocalipse 10, 8-11
quarta-feira, 22 de novembro de 2006
o universo de Camilo
Para responder a muitos pedidos, cá vai uma menção ao Camilo, ao universo do escritor. Agora que estou tão perto dos seus livros, da sua casa, do seu quintal...Posso dar-me ao luxo de estar à janela do seu quarto. O que vejo? Não vejo com os olhos dos últimos tempos de Camilo. Ele estava cego. A sua vida é a sua obra, num entrelaçar intenso que espero absorver.
O que vejo? Oferece-me uma contemplação panorâmica de uma Vida e de muitas vidas, daqui da minha janela bem em frente à Casa de Seide.
Estou aqui para transformar uma biblioteca.
Vivam as bibliotecas vivas.
segunda-feira, 20 de novembro de 2006
book cell
O Projecto BooK Cell, de Matej Krén, está instalado no átrio do Centro de Arte Moderna José de Azeredo Perdigão. O artista empilha milhares de livros numa estrutura arquitectónica em que somos convidados a entrar. É construído a partir de livros editados pela Fundação Gulbenkian ao longo de 50 anos, a memória e o saber acumulados nos livros reunidos, fechados e inacessíveis, diversos e preciosos serão potencialmente recuperados no final, quando todos puderem regressar à sua função de ser lidos.A instalação é um recinto hexagonal com uma passagem definida por espelhos que asseguram a vertigem da queda, a desmultiplicação ad infinitum, o pânico da desorientação espacial próprios de um infinito virtual.
Uma sensação de desorientação.
Hoje é assim mesmo que me sinto, dentro desta instalação.
Vivam as bibliotecas vivas.
quinta-feira, 16 de novembro de 2006
a biblioteca de D. Manuel II
Nas Conferências do Cenáculo, que hoje terminam, em Évora, gostei imenso de ouvir falar, o Drº João Ruas, sobre a Biblioteca de D. Manuel II. Já a conhecia, do célebre Catálogo que o próprio rei escreveu, investigou e elaborou com a secretária-bibliotecária inglesa, durante o exílio em Londres. São 3 volumes (o último publicado já depois da sua morte, em 1932). É uma obra de referência essencial sobre a tipografia portuguesa do século XV e XVI.Toda a sua biblioteca foi testamentada à Fundação Casa de Bragança, em Vila Viçosa. Continua a ter tratamento real e sempre que posssível aumentada com exemplares da tipografia quatrocentista e quinhentista.
Hoje fazem 117 anos que D. Manuel II nasceu. Parabéns a este amante dos livros.
Vivam as bibliotecas vivas.
segunda-feira, 13 de novembro de 2006
no cenáculo, em Évora
O Fundo azul da Biblioteca Pública de Évora, o espólio bibliográfico de Frei D. Manuel do Cenáculo, a biblioteca de D. Manuel II do Palácio de Vila Viçosa, os Manifestos de Carvalho Travassos e as Miscelâneas de Vasco de Carvalho, da Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, os documentos fabulosos e magníficos que existem nas nossas bibliotecas são para serem conhecidos e estudados. As III Conferências do Cenáculo em Évora, no dia 14 e 15 de Novembro, são mais um esforço de dar a conhecer o nosso património cultural bibliográfico.
Vivam as bibliotecas vivas.
Programa das III Conferências do Cenáculo
quinta-feira, 9 de novembro de 2006
as asas do desejo
O céu sobre Berlim, as asas do desejo. Hoje senti-me dentro deste filme, de Wim Wenders, com os anjos, na célebre Staatsbibliothek zu Berlin. Já o vi, pelos menos, há 18 anos e fui-o revendo ao longo ds vida. Agora sou eu mesma que estou dentro da biblioteca, a passear nas magníficas salas de leitura, a encontrar-me com a memória, com Homero, com os leitores, com a Palavra. Os anjos do filme não podem intervir nos acontecimentos do mundo. Há um que se deixa cair, na Potsdamer Strasse. Desejaria que as minhas asas permanecessem no interior da biblioteca.Vivam as bibliotecas vivas.
quarta-feira, 8 de novembro de 2006
sem Deus, sang diû
Sem Deus, Sang diû, é o nome da neta do senhor Linh, uma menina-boneca do Oriente, refugiada no colo do avô, num país distante. O exilado senhor Linh não compreende a língua nem a cultura, mas faz uma amizade com um homem solitário, uma amizade eterna.Este livro, que terminei de ler já alguns dias, é uma fábula sobre a solidariedade, o saber dar atenção, o "dar o tempo todo" a alguém, em silêncio e com pequenos gestos. É uma fábula sobre a humanidade.
O livro é do francês Philippe Claudel.
helena laranjeiro
Vivam as bibliotecárias.
um pouco do meu tempo todo

No pátio apontou com carinho os canteiros e os muros atapetados com centenas de conchas pela mão paciente do marido e destacou o nicho com a imagem da Senhora de Fátima que mantinha acesa a fé com que ele o havia construído.
Lamentou o gato de barro com as pernas partidas à entrada da cozinha e ergueu a tampa do tacho que sobre o fogão lhe guardava a comida.
Mostrou-me a copa com uma pequena mesa onde seria posto um único prato e levou-me, orgulhosa, à sala de jantar enfeitada com as rendas do seu crochetar.
Na salinha o televisor conversava com o canário e no quarto que fora do casal havia recordações por todo o lado: a ausência das bonecas cuja lembrança não quis guardar e a presença dos peluches que ainda sentia gosto em conservar. Mas mais que tudo a sua fotografia quando rapariga e a do marido antes da partida.
Chamava-se Francisca, tinha 85 anos e, desde que ficara só da noite para o dia, ia gerindo a saudade e a solidão como sabia. A lida da casa era toda sua, com pequenas costuras pelo meio, tudo ao som bem alto do televisor que lhe dava a ilusão de um companheiro. As tardes, essas, eram para o sol da Avenida onde achava casuais conversas e assegurava às pombas a comida.
Perdera a esperança do calor de um gato, ficando-se pela companhia de um canário, mas do fundo do peito saía-lhe ainda o gemido de um cântico que nunca esquecera e falava do amor por ela guardado para os filhos que nunca tivera.
Quando me reconduziu à porta, trazia sorrisos a passear nos caminhos do rosto e as suas mãos, apertando as minhas, faziam-se demorar, como se receasse quebrar os nós do frágil laço acabado de atar.
A ela não disse nada, não fosse desiludi-la com o meu falhar, mas a mim mesma prometi que iria voltar.
Helena Laranjeiro
Braga, 8 de Maio de 2006
segunda-feira, 6 de novembro de 2006
gregor samsa
O valter hugo mãe, meu poeta e amigo, expõe na Galaria Símbolo (Rua Miguel Bombarda, Porto) o rosto naive e nítido de Gregor Samsa. A personagem fantástica da Metamorfose, do Kafka. Está tudo dito. A palavra também padece de metamorfose e a imagem é a palavra.
www.galeriasimbolo.com
a flor da alegria
A escritora Manuela Monteiro telefonou-me e ofereceu-me a verdadeira flor da alegria. As coisas que me disse, neste momento difícil da minha vida, foram as essenciais. Amanhã não estarei presente, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, no lançamento do livro, mas estaremos sempre juntas neste projecto, em construção, de um mundo melhor através da leitura das histórias que estão nos livros.
"O dragão, indeciso, coçou com as suas fortes garras a cabeça coberta de escamas e, mais brando, disse:
- É bonito isso da Amizade! Olha, poderás subir ao pico mais alto das Montanhas para colheres a Flor da Alegria, mas terás de vencer três provas muito difíceis para mostrares que és mesmo amigo da Rosalinda. É que a Amizade não é coisa fácil, sabes?"
in A Flor da Alegria de Manuela Monteiro, Campo das Letras, 2006
terça-feira, 17 de outubro de 2006
vida no trabalho
Ai, a vida!
Quanto mais me magoa, mais a canto.
Mais exalto este espanto
De viver.
Este absurdo humano,
Quotidiano,
Dum poeta cansado
De sofrer,
E a fazer versos como um namorado,
Sem a namorada que lhos queira ler.
Cego de luz, e sempre a olhar o sol
Num aturdido
Deslumbramento.
Cada breve momento
Recebido
Como um dom concedido
Que se não merece.
Ai, a vida! Como dói ser vivida,
E como a própria dor a quer e agradece.
Miguel Torga
sexta-feira, 13 de outubro de 2006
a cidadela branca e os jardins da memória
quinta-feira, 12 de outubro de 2006
revelações
quarta-feira, 11 de outubro de 2006
estrelas propícias

Estrelas benéficas que orientam o nosso mundo. Não é de metafísica que estou a falar, mas do livro de Camilo Castelo Branco "Estrelas propícias", hoje oferecido a uma personagem estreante nas novelas camilianas. A bem de todos, espero que tenha um desfecho feliz como a verdadeira novela.
Viva a biblioteca viva.
quarta-feira, 4 de outubro de 2006
as portas do castelo da felicidade abrem para fora

O que se ganha quando a vida nos deita a perder?
que os nossos medos são as nossas coragens.
que as nossas tristezas são a maior fonte de alegria.
Tenho a experiência de cair e tropeçar e tenho sempre a graça, que me é oferecida, de não desistir, e de cultivar o firme propósito de ser apenas pessimista sobre o pessimismo.
As portas do castelo da felicidade abrem para fora (S.Francisco de Sales).
e vivam as bibliotecas. Voltei.
quinta-feira, 21 de setembro de 2006
esperança

Em vez de nos deixar-mos cair no vazio do desânimo, aceitamos que alguém nos ofereça um novo vigor...
Cabe a cada um abrir a sua porta.
"Venho de dentro, abriu-se a porta :
nem todas as horas do dia e da noite
a poente e pelo meio as ilhas."
Luiza Neto Jorge
terça-feira, 15 de agosto de 2006
quarta-feira, 9 de agosto de 2006
paz no mundo
sexta-feira, 4 de agosto de 2006
arte de navegar
quinta-feira, 27 de julho de 2006
deixa-me dar-te o verão
O verão é feito de coisas
que não precisam de nome
um passeio de automóvel pela costa
o tempo incalculável de uma presença
o sofrimento que nos faz contar
um por um todos os peixes do tanque
e abandoná-los depressa
às suas voltas escuras.
José Tolentino Mendonça
In De igual para igual
sábado, 22 de julho de 2006
vodka e livros
Hoje, conversamos sobre o romance "Psicopata Americano" de Bret Easton Ellis. Uma história que mata muito bem e muito bem escrita, sobre uma América de extremos e excessos.
Despedimo-nos com vodka (directamente da Ucrânia) e bolo.
Analisamos as subtilezas...
quarta-feira, 19 de julho de 2006
relâmpago
Chegou hoje à biblioteca o nº18. segunda-feira, 17 de julho de 2006
temor e tremor

Significados para estas palavras :
1. Foi o último livro comentado e lido pela Comunidade de Leitores, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Livro, da autora Amélie Nothomb, a quem foi atribuído o Grande Prémio de Romance da Academia Francesa, em 1999. Fez sensação em todo o mundo. É uma história verdadeira. Conheço-a e presencio-a todos os dias. Amélie viveu-a no Japão, na empresa Yumimoto Corporation. Pode ocorrer em qualquer instituição pública portuguesa. A hierarquia representa tudo. Quem se cinge ao seu lugar, sobrevive, quem tenta quebrar barreiras, será arrasado. Os perversos processos de humilhação acontecem em qualquer lugar.
2. É também o título da obra filosófica de Sören Kierkegaard, que foi publicada em 1843. A perspectiva trabalhada em “Temor e Tremor” é de cunho religioso e, na dialética existencial de Sören Kierkegaard apresenta o homem ético representado pela figura bíblica de Abraão, que aos 70 anos, vê cumprir-se a promessa de Deus : "terás grande descendência". Torna-se pai na velhice. Quando recebe de Deus a orientação de que deve sacrificar o seu filho, Abraão crê e crumpre a ordem divina. Dá o salto da fé.
Kierkegaard reflecte sobre o homem que se entrega ao incompreensível, ao inimaginável, só possível pela fé. Considera o paradoxo da fé frente às questões éticas. Na fé, o indivíduo coloca-se acima do geral (o ético). O herói (ético) move-se pelos resultados e pela moral. O homem da fé move-se pela paixão.
3. Carta de S. Paulo aos Filipenses 2, 12 : “trabalhai a vossa salvação com temor e tremor”


















