quarta-feira, 7 de março de 2007

diário de Saad Eskander

Abril 2003
fonte Gleb Garanich/Reuters

No centro de Bagdad, a Biblioteca Nacional do Iraque foi incendiada, saqueada e destruída. O que resta de uma cultura milenar vai-se perdendo. Assim como todas as vidas que o director Saad Erkander relata no seu diário, no sítio web da British Library. Uma escrita emocional dos acontecimentos pós-guerra que teimosamente Saad reescreve. Mensalmente publica o impacto da guerra no seu staff : assassinatos, raptos, mortes de familiares...documentos e vidas perdidos. Aqui são para sempre.
Uma voz que clama uma biblioteca viva.

fonte: Bibliotecas em Portugal

Diário de Saad Eskander, director da Biblioteca e Arquivo Nacional do Iraque - via British Library

Página da Biblioteca e Arquivo Nacional do Iraque
Vivam as bibliotecas vivas.

terça-feira, 6 de março de 2007

semana da leitura 2007


Ler mais com os miúdos, com os jovens e em família. A Semana da leitura serve para incentivar a leitura como prazer. Como fazê-lo?
A proposta é ser uma festa, com os professores, os bibliotecários e os pais que possuem a grata experiência de se sentirem felizes quanto lêem ou quando recontam histórias maravilhosas aos mais novos.
Há bibliotecários que não lêem, há professores que detestam ler, há pais que não têm tempo. Vamos lá ver que mensagem é que se passa às crianças e jovens, numa semana tão pequena.
Vivam as bibliotecas vivas.

Plano Nacional de Leitura

sábado, 3 de março de 2007

parabéns 2

BuchBilderBuch de Quint Buchholz


os leitores são mais importantes que os livros

Luis Sáez

Viva Biblioteca
Viva

sexta-feira, 2 de março de 2007

parabéns 1

Mann auf einer Leiter de Quint Buchholz


O livro é um instrumento de combate e de salvação

Fernando Savater

Viva Biblioteca Viva

quinta-feira, 1 de março de 2007

a freira no subterrâneo


História da freira Bárbara Ubryk, emparedada num subterrâneo de um convento carmelita em Cracóvia, traduzida por Camilo Castelo Branco, da obra "Les amoureuses cloitrées", prefaciada e provavelmente a editada pelo escritor.
Acabei de a ler ontem à noite, numa vertiginosa corrida para chegar ao fim. Está escrita na tonalidade de Camilo, abrilhantada com um "erotismo religioso" e com uma leitura assaz interessante da "Legenda aurea" de Jacobus de Voragine (conheço razoavelmente esta obra, da época em que trabalhei com os incunábulos da Biblioteca Pública de Braga, e nunca a tinha lido desta forma, com este olhar).
Os títulos dos capítulos denunciam o tom: "as núpcias celestiais", o "aprisco do Senhor", o "recinto da penitência". Um romance sobre o fanatismo religioso, as clausuras e penitências impostas num perturbante percurso de uma noviça carmelita, que ao tentar fugir das sevícias penitenciais, com o seu amado, se vê presa na "cova negra" em completa abstinência, sem "o pão da amargura e a água das angústias".
O processo relativo ao encarceramento de Bárbara durou longo tempo, nunca haverá julgamento, e ela termina os seus dias num hospital. Os pormenores da novela ficam para os leitores.

Projecto Vercial - Obras integrais de Camilo Castelo Branco (CD-ROM)
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

doze casamentos felizes

Nas Memórias do Cárcere, Camilo afirma acerca do livro "Doze casamentos felizes", que escreveu enquanto esteve preso:

"...do livro publicado com o título Doze casamentos felizes escrevi seis ou sete na cadeia. Senti prazer naquelas ficções, e orgulhei-me de ter nelas imaginado a vida como ela podia ser, sem desbarato do divino engenho que bafejou o lodo dos corações".

Os 12 casamentos são uma série de 12 novelas que desenvolvem o tema da felicidade no casamento, mesmo com as contendas da vida, as diferenças e as extraordinárias coincidências dos encontros e desencontros, o final é sempre feliz.
Vivam as bibliotecas vivas.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2007

E-LIS


E-LIS é um arquivo em livre acesso para documentação no domínio das Ciências da Informação, em regime gratuito, para o depósito e pesquisa, e em auto-arquivo. Fundado em 2003, tem cerca de 4.900 documentos (texto completo, artigos, conference proceedings, etc.), e está hopedado no AEPIC Team, CILEA (Itália) com a colaboração de editores voluntários espalhados pelo mundo.Utiliza o software GNU E-PRINTS. Para mais informação ler o artigo de Heather Morrison depositado no E-LIS: "E-LIS : the Open Archive for Library and Information Science"
Blogue de Heather Morrison - The Imaginary Journal of Poetic Economics

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

bokrea

Ontem , 21 graus negativos na sombra. Ao sol, 14 negativos. Na Suécia.
Mesmo com estas temperaturas festeja-se a Bokrea - saldos de livros. Os suecos fazem filas intermináveis à porta das bibliotecas, museus, livrarias e secções de livros nos supermercados, a partir da meia noite de 25 de Fevereiro, com o objectivo de comprarem livros mais baratos.
As bibliotecas têm mesmo que saldar livros (actuais, bestsellers) para terem espaço para adquirir outros mais recentes. Sim, isto acontece mesmo...Em Portugal as bibliotecas têm que adquirir nos saldos quando sobra alguma verba no orçamento das instituições.Quando não sobra nada, as bibliotecas ficam paradas no tempo. Não há reclamações dos utilizadores! E os bibliotecários quando desmascaram estas situações são silenciados. Na versão sueca, são saldados.

Blogar sobre Bokrea
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

José do Telhado

De todos as personagens e casos focados nas Memórias do Cárcere, a história de capa e espada do José do Telhado é das mais interessantes. Camilo, enquanto esteve preso por adultério, conviveu com os maiores proscritos da sociedade, alguns inocentes, outros a quem ele limpou da crueldade, analisando sublimemente a condição humana e as condições sociais da época.
O herói Zé do Telhado, que faz parte da memória colectiva minhota, transforma-se, com Camilo, num mito nacional. De criminoso a herói.

"Este nosso Portugal é um país em que nem pode ser-se salteador de fama, de estrondo, de feroz sublimidade! Tudo aqui é pequeno: nem os ladrões chegam à craveira dos ladrões dos outros países! Todas as vocações morrem de garrote, quando se manifestam e apontam extraordinários destinos!"

In Memórias do Cárcere, Camilo Castelo Branco

Foi escrito por Camilo em 1862!
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007

as vinhas da ira

CICLO "UM LIVRO, UM FILME"

"As Vinhas da Ira", de John Ford
"As Vinhas da Ira" de Steinbeck

CONVIDADO: Mário Augusto (jornalista)
sexta-feira, 23 Fev. 07
Auditório do Centro de Estudos Camilianos, em S. Miguel de Seide
Entrada Livre

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

estômago


Ainda no Coração, Cabeça e Estômago, o Estômago é o livro que menos tem a ver com os ideais de Camilo. Aqui, na realidade, ele não defende um positivismo prático nem tem a convicção de que a felicidade se realiza no regresso à terra, apesar de Silvestre Silva morrer "pela boca", de indigestão!

"- Esquece-te, brutaliza-te, faze-te estômago, se queres viver à imagem do Deus, que faz os homens neste tempo!
O único livro, que lhe vi à cabeceira da cama, era a Fisiologia do paladar de Brillat-Savarin, e a Gastronomia, poema de Bouchet."

Vivam as bibliotecas vivas.

domingo, 18 de fevereiro de 2007

cabeça

de Mazen Kerbaj

Cabeça, segunda parte do Coração, Cabeça e Estômago, é a fase da vida da personagem central, Silvestre, em que este tem "relações sérias" com as mulheres. O poder do subconsciente a comandar os sentidos, a lei da paixão a ser refreada. Camilo escreve a Cabeça depois de ter estado na Prisão da Relação do Porto, onde esteve preso por causa do seu grande amor por Ana Plácido, acusado de adultério.
Inicia este livro com a seguinte sentença:

"O Homem não se deve sómente à sua felicidade: - primeira máxima."

Seguem-se outras, para o estômago trincar!
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

coração

Na primeira parte do livro Coração, Cabeça e Estômago, é o Coração que comanda a vida da personagem Silvestre Silva.
Nesta fase da sua vida sentimental, Silvestre ama 7 mulheres! Só casará, na fase do Estômago, com a Tomásia.

O Museu Nacional da Imprensa está a promover a sétima edição do Concurso de Textos de Amor originais.

Trata-se de uma iniciativa especial para o Dia dos Namorados que se prolonga por uma semana, até ao dia 21 Fevereiro 2007.

Durante a “semana dos namorados” o museu está aberto à recepção de textos originais alusivos ao amor e os visitantes poderão imprimir poemas de carácter amoroso.

Dirigido aos apaixonados de todas as idades e residentes em qualquer parte do país, o concurso vai premiar o melhor texto concorrente, em poesia ou prosa, com viagens, livros e cd-roms.
Vivam as bibliotecas vivas e os museus vivos!

coração, cabeça e estômago

Camilla Engman

Editado em 1862. A história é a autobiografia sentimental de Silvestre da Silva, que ao morrer deixa de herança, a Camilo, três livros, o 1º Coração, o 2º Cabeça e por último Estômago, que Camilo vai editar.
Desenganem-se. Camilo escreve, na realidade, este romance, contemplando as três fases da vida de Silvestre da Silva (dele próprio?), e não deixa de fazer crítica à vida da sociedade da época, sobretudo da cidade do Porto, onde ele próprio esteve preso e foi julgado no processo de adultério.
Nas três partes do livro, guia-nos pelas memórias de Silvestre, através das quais nos revela como a personagem se deixou guiar pelo coração, pela cabeça ou pelo estômago.
O editor interpela o narrador, o narrador ri-se da personagem Silvestre, o narrador contrapõe o editor, etc, etc. Soberbo, na arte de fingir. Supera o dramatismo e romantismo do Amor de perdição, renega-se, renega um estilo, uma filosofia, e genialmente ri-se dele próprio.
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

para a ana plácido

"Queen" de Camila Engman
Camilo escreveu sobre Ana Plácido:

"É uma alma de ferro a desta mulher. Faz orgulho amá-la! Os próprios inimigos se espantam, e dizem que sou eu que lhe dou a coragem. Mentem. É ela que se maravilha a si própria"

in "Correspondência de Camilo Castelo Branco", Alexandre Cabral

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

inquérito no rato de biblioteca

O Pedro Príncipe, Rato de Biblioteca, participante no Painel "Weblogues no domínio da Ciência da Informação", no 9º Congresso BAD, lança um inquérito, no seu blogue, para tentar recolher informações pertinentes para a reflexão. Isto é que é trabalhar. Aprende Luísa. Vamos participar respondendo ao inquérito. Eu já votei!
Vivam as Bibliotecas Vivas.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

casa da leitura

O portal Casa da Leitura criado pela Fundação Calouste Gulbenkian, com os colaboradores Ana Margarida Ramos, António Prole, João Paulo Cotrim, Sara Reis Silva, e muitos outros entusiastas, já está disponível para promover o livro e a leitura, tirar dúvidas e disponibilizar recensões de mais de 500 livros dirigidos à infância e adolescência, biografias e bibliografias, com actualização semanal, e facultar respostas a dúvidas, de famílias e profissionais, sobre práticas de leitura.
O portal destina-se aos mediadores da leitura, bibliotecários, professores, e ao público em geral, sobretudo pais e educadores.
Vivam as bibliotecas vivas.

hossana


O folheto intitulado Hossana de Camilo Castelo Branco, impresso no Porto em 1852, previamente publicado no jornal "Cristianismo", e desde a 1ª edição, na obra, "Duas épocas da vida" e "Preceitos da consciência", é composto por poemas religiosos do escritor.
Na primeira parte, apresenta as poesias religiosas, de pendor reflexivo, sobre os chamados «Sete Salmos Penitenciais», que fazem parte das sete súplicas distribuídas no Saltério (Salmos 6; 31; 37; 50; 101; 129; 142), e que a tradição cristã utiliza para invocar o perdão dos pecados. São célebres os comentários de S. Gregório Magno aos sete Salmos. Mas, quem melhor do que Camilo para retratar a condição humana?
Na segunda parte, Camilo apresenta os sete poemas "As Sete Dores de Maria Santíssima". Mais uma vez, uma temática de tradição cristã, que venera de modo especial as sete dores de Maria, que são: "a profecia de Simeão; a perseguição de Herodes e a fuga da Sagrada Família para o Egipto; a perda do Menino Jesus no Templo de Jerusalém; o encontro desta Mãe com Seu Filho; carregando a Cruz, no caminho para o Calvário; a Crucificação de Nosso Senhor; quando recebeu nos seus braços o corpo de Jesus Cristo, descido da Cruz; quando depositou Jesus no sepulcro, ficando Ela em triste solidão."
Camilo, em Hossana, retrata a sua fé.
Uma crença aclamada só na sua poesia?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

sarapatel de anjos e lágrimas

A blogosfera
fonte: blogue Data mining de Mattew Hurst

Camilo tem razão. Duas épocas na vida, a idade da determinação do coração e a idade da determinação da consciência. Não sendo uma sequência, é uma dinâmica que comanda a escrita e a vida. Diria, António Damásio, que a consciência, função biológica crítica, permite-nos conhecer a tristeza e a alegria, o amor e a perda.
O "sarapatel de anjos e lágrimas", que provoca a leitura da poesia na obra "Duas épocas na vida" do Camilo, é próprio, como ele mesmo diz, do insondável mistério humano.
António Damásio defende que a consciência é a chave para a vida examinada, a certidão para conhecer os sentimentos, as emoções. Provavelmente, a obra de Camilo está na cabeceira de Damásio.
Vivam as bibliotecas vivas.

o grande silêncio

Cartuxa, Alpes

Em 1998, estive nos Alpes franceses, em Grenoble, durante cerca de um mês, reunida com bibliotecários dinamarqueses e franceses. Representava oficialmente a Associação Bibliomédia e a Biblioteca Municipal de V.N. de Famalicão, no Seminário “Construire L´Europe dans les Bibliothèques: l´approche de l´histoire et de la littérature de 3 pays européns Dinamarca, Portugal , França”.
Desenvolvíamos um projecto de intercâmbio cultural e literário entre estes países. Visitamos muitas bibliotecas públicas da região, a casa do escritor Sthendal, alguns museus e aprendemos muito uns com os outros. Discutíamos um renascimento social, através dos livros, periódicos, bibliotecas, que transformariam a sociedade. Construir a Europa, uma Europa mais unida pela diversidade cultural.
Subimos à montanha, de carro, e demos longos passeios a pé. Apreciei, de longe, a Cartuxa.
Na altura, tão ávida e apressada que estava em aprender tudo, que só por uma graça inexplicável, me apercebi do "grande silêncio".
O filme Die grosse Stille, do cineasta alemão Phillip Groning, sobre a vida de contemplação e meditação dos monges da Ordem Cartusiana, da Cartuxa dos Alpes, está a surpreender o mundo de hoje. Deixemo-nos, também apanhar desprevenidos e silenciemos a nossa existência, para ver e sentir a Chartreuse.
Não sei explicar, mas as bibliotecas, definitivamente, cruzaram-se com minha vida.
Vivam as bibliotecas vivas.