quinta-feira, 15 de fevereiro de 2007

coração

Na primeira parte do livro Coração, Cabeça e Estômago, é o Coração que comanda a vida da personagem Silvestre Silva.
Nesta fase da sua vida sentimental, Silvestre ama 7 mulheres! Só casará, na fase do Estômago, com a Tomásia.

O Museu Nacional da Imprensa está a promover a sétima edição do Concurso de Textos de Amor originais.

Trata-se de uma iniciativa especial para o Dia dos Namorados que se prolonga por uma semana, até ao dia 21 Fevereiro 2007.

Durante a “semana dos namorados” o museu está aberto à recepção de textos originais alusivos ao amor e os visitantes poderão imprimir poemas de carácter amoroso.

Dirigido aos apaixonados de todas as idades e residentes em qualquer parte do país, o concurso vai premiar o melhor texto concorrente, em poesia ou prosa, com viagens, livros e cd-roms.
Vivam as bibliotecas vivas e os museus vivos!

coração, cabeça e estômago

Camilla Engman

Editado em 1862. A história é a autobiografia sentimental de Silvestre da Silva, que ao morrer deixa de herança, a Camilo, três livros, o 1º Coração, o 2º Cabeça e por último Estômago, que Camilo vai editar.
Desenganem-se. Camilo escreve, na realidade, este romance, contemplando as três fases da vida de Silvestre da Silva (dele próprio?), e não deixa de fazer crítica à vida da sociedade da época, sobretudo da cidade do Porto, onde ele próprio esteve preso e foi julgado no processo de adultério.
Nas três partes do livro, guia-nos pelas memórias de Silvestre, através das quais nos revela como a personagem se deixou guiar pelo coração, pela cabeça ou pelo estômago.
O editor interpela o narrador, o narrador ri-se da personagem Silvestre, o narrador contrapõe o editor, etc, etc. Soberbo, na arte de fingir. Supera o dramatismo e romantismo do Amor de perdição, renega-se, renega um estilo, uma filosofia, e genialmente ri-se dele próprio.
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2007

para a ana plácido

"Queen" de Camila Engman
Camilo escreveu sobre Ana Plácido:

"É uma alma de ferro a desta mulher. Faz orgulho amá-la! Os próprios inimigos se espantam, e dizem que sou eu que lhe dou a coragem. Mentem. É ela que se maravilha a si própria"

in "Correspondência de Camilo Castelo Branco", Alexandre Cabral

terça-feira, 13 de fevereiro de 2007

inquérito no rato de biblioteca

O Pedro Príncipe, Rato de Biblioteca, participante no Painel "Weblogues no domínio da Ciência da Informação", no 9º Congresso BAD, lança um inquérito, no seu blogue, para tentar recolher informações pertinentes para a reflexão. Isto é que é trabalhar. Aprende Luísa. Vamos participar respondendo ao inquérito. Eu já votei!
Vivam as Bibliotecas Vivas.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007

casa da leitura

O portal Casa da Leitura criado pela Fundação Calouste Gulbenkian, com os colaboradores Ana Margarida Ramos, António Prole, João Paulo Cotrim, Sara Reis Silva, e muitos outros entusiastas, já está disponível para promover o livro e a leitura, tirar dúvidas e disponibilizar recensões de mais de 500 livros dirigidos à infância e adolescência, biografias e bibliografias, com actualização semanal, e facultar respostas a dúvidas, de famílias e profissionais, sobre práticas de leitura.
O portal destina-se aos mediadores da leitura, bibliotecários, professores, e ao público em geral, sobretudo pais e educadores.
Vivam as bibliotecas vivas.

hossana


O folheto intitulado Hossana de Camilo Castelo Branco, impresso no Porto em 1852, previamente publicado no jornal "Cristianismo", e desde a 1ª edição, na obra, "Duas épocas da vida" e "Preceitos da consciência", é composto por poemas religiosos do escritor.
Na primeira parte, apresenta as poesias religiosas, de pendor reflexivo, sobre os chamados «Sete Salmos Penitenciais», que fazem parte das sete súplicas distribuídas no Saltério (Salmos 6; 31; 37; 50; 101; 129; 142), e que a tradição cristã utiliza para invocar o perdão dos pecados. São célebres os comentários de S. Gregório Magno aos sete Salmos. Mas, quem melhor do que Camilo para retratar a condição humana?
Na segunda parte, Camilo apresenta os sete poemas "As Sete Dores de Maria Santíssima". Mais uma vez, uma temática de tradição cristã, que venera de modo especial as sete dores de Maria, que são: "a profecia de Simeão; a perseguição de Herodes e a fuga da Sagrada Família para o Egipto; a perda do Menino Jesus no Templo de Jerusalém; o encontro desta Mãe com Seu Filho; carregando a Cruz, no caminho para o Calvário; a Crucificação de Nosso Senhor; quando recebeu nos seus braços o corpo de Jesus Cristo, descido da Cruz; quando depositou Jesus no sepulcro, ficando Ela em triste solidão."
Camilo, em Hossana, retrata a sua fé.
Uma crença aclamada só na sua poesia?

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

sarapatel de anjos e lágrimas

A blogosfera
fonte: blogue Data mining de Mattew Hurst

Camilo tem razão. Duas épocas na vida, a idade da determinação do coração e a idade da determinação da consciência. Não sendo uma sequência, é uma dinâmica que comanda a escrita e a vida. Diria, António Damásio, que a consciência, função biológica crítica, permite-nos conhecer a tristeza e a alegria, o amor e a perda.
O "sarapatel de anjos e lágrimas", que provoca a leitura da poesia na obra "Duas épocas na vida" do Camilo, é próprio, como ele mesmo diz, do insondável mistério humano.
António Damásio defende que a consciência é a chave para a vida examinada, a certidão para conhecer os sentimentos, as emoções. Provavelmente, a obra de Camilo está na cabeceira de Damásio.
Vivam as bibliotecas vivas.

o grande silêncio

Cartuxa, Alpes

Em 1998, estive nos Alpes franceses, em Grenoble, durante cerca de um mês, reunida com bibliotecários dinamarqueses e franceses. Representava oficialmente a Associação Bibliomédia e a Biblioteca Municipal de V.N. de Famalicão, no Seminário “Construire L´Europe dans les Bibliothèques: l´approche de l´histoire et de la littérature de 3 pays européns Dinamarca, Portugal , França”.
Desenvolvíamos um projecto de intercâmbio cultural e literário entre estes países. Visitamos muitas bibliotecas públicas da região, a casa do escritor Sthendal, alguns museus e aprendemos muito uns com os outros. Discutíamos um renascimento social, através dos livros, periódicos, bibliotecas, que transformariam a sociedade. Construir a Europa, uma Europa mais unida pela diversidade cultural.
Subimos à montanha, de carro, e demos longos passeios a pé. Apreciei, de longe, a Cartuxa.
Na altura, tão ávida e apressada que estava em aprender tudo, que só por uma graça inexplicável, me apercebi do "grande silêncio".
O filme Die grosse Stille, do cineasta alemão Phillip Groning, sobre a vida de contemplação e meditação dos monges da Ordem Cartusiana, da Cartuxa dos Alpes, está a surpreender o mundo de hoje. Deixemo-nos, também apanhar desprevenidos e silenciemos a nossa existência, para ver e sentir a Chartreuse.
Não sei explicar, mas as bibliotecas, definitivamente, cruzaram-se com minha vida.
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

memórias de uma família III


Decorreu, no Teatro Nacional de S. Carlos de 6 a 11 de Novembro 1991, o "Amor de Perdição", um drama musical em 3 actos para cantores, actores e músicos. A música de António Emiliano e o libreto de António S. Ribeiro (baseado no romance de Camilo) transformaram o romance num drama muito próximo de uma ópera, nunca deixando de ser teatro declamado e simultaneamente cantado. Foi uma produção com os actores residentes do Teatro Nacional D. Maria II e dos cantores do Teatro Nacional de S.Carlos.
O libreto abre e fecha com a mesma frase:

"Amou, perdeu-se e morreu amando"

In Amor de Perdição e em todo o universo Camiliano.
Vivam as bibliotecas vivas.

Pode ser consultado na Casa de Camilo:
Amor de perdição : drama musical em três actos para cantores e actores e músicos / Teatro Nacional de S. Carlos, Teatro Nacional D. Maria II ; música por António Emiliano ; libreto de António S. Ribeiro. - Lisboa : Teatro Nacional de S. Carlos, 1991. - 67 p. : il. ; 22 cm. - Contém: autógrafo de Alexandre Cabral no anterrosto .- Espéctáculo apresentado em estreia absoluta nos dias 6, 8, 10 e 11 de Novembro de 1991.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

memórias de uma família II


amor02.jpg

Podemos descobrir em Amor de Perdição, filme de Manoel de Oliveira, uma adaptação soberba da obra de Camilo Castelo Branco. O filme tem como argumento o próprio livro. Nada no filme escapa ao romance, tendo até Oliveira a ousadia de acrescentar uma ou duas cenas adicionais. É o caso do desembarque da família Botelho no Douro, a caminho de Vila Real. Momento que associa a futura tragédia de Simão, protagonista da obra, pois ali ele voltará a embarcar para África. O filme é uma espécie de teatro filmado, onde as personagens são voz.
Perdição. O Amor assim entendido, leva Mariana, Teresa e Simão a encontrarem-se na Morte, encontro magnificamente filmado por Manoel Oliveira.
Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

memórias de uma família


Luís Amaro de Oliveira (1920-1991), professor, autor de inúmeros livros didácticos sobre escritores portugueses, escreve uma síntese crítica, análise literária do "Amor de perdição", no ano de 1975. Muitos alunos estudaram a obra camiliana por este estudo.
O que tem Luís Amaro de Oliveira de tão especial? Para além de apaixonado pelo Camilo, sensibilizou jovens leitores para a narrativa do escritor; foi amigo do cineasta Manuel de Oliveira, e participou activamente em reuniões de preparação das filmagens do "Amor de Perdição". Seu filho, José Nuno Oliveira, guarda religiosamente os rascunhos de desenhos de cenas do filme desenhadas, em toalhas de papel do restaurante, pelo Luís e o Manuel de Oliveira.

"Vi na secretária do Luís Amaro (o de cá...) a sua edição do "Amor de Perdição", cobicei-lhe o livro, li o seu comentário – e quero felicitá-lo: é uma lúcida, original, fundamentada, válida leitura crítica do texto camiliano".

JACINTO DO PRADO COELHO, correspondência particular, 16/12/76

Homenagem a Luís Amaro de Oliveira - Póvoa de Varzim, 1998

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Victor Hugo e Camilo


"L´amour n´a point de moyen terme : ou il perd, ou il sauve."
Victor Hugo

Pensamento impresso na folha de rosto da obra "Amor de Salvação", 8ª edição, de Camilo Castelo Branco.
Em 21 de Agosto de 1889, Camilo oferece, a seu filho Nuno, "Os Miseráveis" de Victor Hugo, seu admirado escritor francês e seu contemporâneo. Este obra pertence ao espólio da Casa de Camilo, para sempre ligada com a vida de Victor Hugo.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

amor de salvação III


Hoje, no Minho, 9h45
Seide

"Estava claro o céu, tépido o ar, e as bouças e montes floridos. O mês era de Dezembro, de 1863, em véspera de Natal.
A gente das cidades pergunta-me em que país do mundo florescem, em Dezembro, bouças e montados.
Respondo que é em Portugal, no perpétuo jardim do mundo, no Minho, onde os inventores de deuses teriam ideado as suas teogonias, se não existisse a Grécia."

In Amor de Salvação
Camilo Castelo Branco

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

amor de salvação II

A Biblioteca do Estado de Vitória, em Melbourne, Austrália, inaugurou uma noite de “speed dating” (encontros românticos rápidos) com um traço literário. Quem comparece ao encontro deve levar um livro que goste ou odeie, para puxar conversa, assegurando que não haverá silêncios constrangedores durante as séries de conversas, de cinco minutos, com os diversos solteiros do grupo.
É ‘speed dating’ com livros. A ideia é juntar os amantes de literatura.
O primeiro encontro foi rapidamente preenchido por 52 participantes, e 13 casais que se conheceram no local marcaram encontros futuros. A iniciativa provou ser um sucesso tão grande que mais noites de encontros já estão programadas para este ano.
Entre os livros levados para a primeira noite de encontros estavam “O Diário de Bridget Jones”, de Susan Fielding; “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams; e alguns romances do autor japonês Haruki Murakami.

Fontes:
Bibliorandum , State Library of Victoria, Austrália

Vivam as bibliotecas vivas. Com o Amor de Salvação!

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

amor de salvação I

Camilo, na Observação inicial do Amor de Salvação, justifica o título da obra:

"Para o amor maldito, duzentas páginas; para o amor de salvação as poucas restantes do livro. Volume que descrevesse um amor de bem-aventuranças terrenas, seria uma fábula."

A primeira edição desta obra é de 1864, e o amor de felicidade e bom exemplo ainda não tinha chegado a Camilo. Aliás, ele próprio defende que tem que tardar, o coração tem que passar pela reabilitação, e a consciência de regenerar-se para encontrar a tábua, na vida naufragada, que o irá salvar.
Bem-aventurados os que se passeiam pela vida, nas margens serenas, do amor que salva !
Vivam as bibliotecas vivas.

Blade Runner na Casa de Camilo

Para ler no Abrupto, de José Pacheco Pereira.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Camilo dixit

Caricatura de Camilo por Vasco


Lede como quem se recreia.
Para isso comprais este livro.


In : advertência "O Livro Negro do Padre Diniz"
Camilo Castelo Branco

marcar os livros com frases de Camilo

José Pacheco Pereira esteve em Seide, na 6ª feira, e hoje, no Abrupto, destaca os marcadores de livros com frases de Camilo Castelo Branco, oferta da Casa Museu.

"um livro bem pensado e bem composto só admira os dez literatos inteligentes que por aí vivem, lurados na sua obscuridade."
In Correspondência epistolar, CCB

Perguntaria, Camilo, se fosse vivo:
Quem são estes dez literatos? (10 Grandes Portugueses?)
Que livros de JPP irão marcar os marcadores?
Aguardam-se sugestões.
Vivam as bibliotecas vivas

domingo, 28 de janeiro de 2007

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

uma invenção lorpa

Inicia Camilo o romance Anátema, no capítulo 1, com o título:
"No qual se prova que o autor não tem jeito para escrever romances".

"Este começa por onde acabam os outros", ou seja com um casamento! Nove luas depois... o baptizado!
(Continua Camilo)
"vamos fechar este capítulo.
- Com que lance dramático?- pergunta o leitor.
- Nenhum! - respondo eu.
- Porque não inventaste um encapotado, que viesse perturbar este festim, como o Mane Tacel Phares de Balthazar?
- Era uma invenção lorpa - respondo eu.
- Pois não houve mais nada!? - torna o importuno.
Houve o seguinte:
O menino que fazia anos, meteu-se na capoeira das galinhas e degolou-as todas!
Acaba melhor do que eu imaginara."

São os diálogos que Camilo inventou para nós, leitores de invenções lorpas.
Vivam as bibliotecas vivas.