terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

memórias de uma família II


amor02.jpg

Podemos descobrir em Amor de Perdição, filme de Manoel de Oliveira, uma adaptação soberba da obra de Camilo Castelo Branco. O filme tem como argumento o próprio livro. Nada no filme escapa ao romance, tendo até Oliveira a ousadia de acrescentar uma ou duas cenas adicionais. É o caso do desembarque da família Botelho no Douro, a caminho de Vila Real. Momento que associa a futura tragédia de Simão, protagonista da obra, pois ali ele voltará a embarcar para África. O filme é uma espécie de teatro filmado, onde as personagens são voz.
Perdição. O Amor assim entendido, leva Mariana, Teresa e Simão a encontrarem-se na Morte, encontro magnificamente filmado por Manoel Oliveira.
Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

memórias de uma família


Luís Amaro de Oliveira (1920-1991), professor, autor de inúmeros livros didácticos sobre escritores portugueses, escreve uma síntese crítica, análise literária do "Amor de perdição", no ano de 1975. Muitos alunos estudaram a obra camiliana por este estudo.
O que tem Luís Amaro de Oliveira de tão especial? Para além de apaixonado pelo Camilo, sensibilizou jovens leitores para a narrativa do escritor; foi amigo do cineasta Manuel de Oliveira, e participou activamente em reuniões de preparação das filmagens do "Amor de Perdição". Seu filho, José Nuno Oliveira, guarda religiosamente os rascunhos de desenhos de cenas do filme desenhadas, em toalhas de papel do restaurante, pelo Luís e o Manuel de Oliveira.

"Vi na secretária do Luís Amaro (o de cá...) a sua edição do "Amor de Perdição", cobicei-lhe o livro, li o seu comentário – e quero felicitá-lo: é uma lúcida, original, fundamentada, válida leitura crítica do texto camiliano".

JACINTO DO PRADO COELHO, correspondência particular, 16/12/76

Homenagem a Luís Amaro de Oliveira - Póvoa de Varzim, 1998

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Victor Hugo e Camilo


"L´amour n´a point de moyen terme : ou il perd, ou il sauve."
Victor Hugo

Pensamento impresso na folha de rosto da obra "Amor de Salvação", 8ª edição, de Camilo Castelo Branco.
Em 21 de Agosto de 1889, Camilo oferece, a seu filho Nuno, "Os Miseráveis" de Victor Hugo, seu admirado escritor francês e seu contemporâneo. Este obra pertence ao espólio da Casa de Camilo, para sempre ligada com a vida de Victor Hugo.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

amor de salvação III


Hoje, no Minho, 9h45
Seide

"Estava claro o céu, tépido o ar, e as bouças e montes floridos. O mês era de Dezembro, de 1863, em véspera de Natal.
A gente das cidades pergunta-me em que país do mundo florescem, em Dezembro, bouças e montados.
Respondo que é em Portugal, no perpétuo jardim do mundo, no Minho, onde os inventores de deuses teriam ideado as suas teogonias, se não existisse a Grécia."

In Amor de Salvação
Camilo Castelo Branco

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

amor de salvação II

A Biblioteca do Estado de Vitória, em Melbourne, Austrália, inaugurou uma noite de “speed dating” (encontros românticos rápidos) com um traço literário. Quem comparece ao encontro deve levar um livro que goste ou odeie, para puxar conversa, assegurando que não haverá silêncios constrangedores durante as séries de conversas, de cinco minutos, com os diversos solteiros do grupo.
É ‘speed dating’ com livros. A ideia é juntar os amantes de literatura.
O primeiro encontro foi rapidamente preenchido por 52 participantes, e 13 casais que se conheceram no local marcaram encontros futuros. A iniciativa provou ser um sucesso tão grande que mais noites de encontros já estão programadas para este ano.
Entre os livros levados para a primeira noite de encontros estavam “O Diário de Bridget Jones”, de Susan Fielding; “O Guia do Mochileiro das Galáxias”, de Douglas Adams; e alguns romances do autor japonês Haruki Murakami.

Fontes:
Bibliorandum , State Library of Victoria, Austrália

Vivam as bibliotecas vivas. Com o Amor de Salvação!

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

amor de salvação I

Camilo, na Observação inicial do Amor de Salvação, justifica o título da obra:

"Para o amor maldito, duzentas páginas; para o amor de salvação as poucas restantes do livro. Volume que descrevesse um amor de bem-aventuranças terrenas, seria uma fábula."

A primeira edição desta obra é de 1864, e o amor de felicidade e bom exemplo ainda não tinha chegado a Camilo. Aliás, ele próprio defende que tem que tardar, o coração tem que passar pela reabilitação, e a consciência de regenerar-se para encontrar a tábua, na vida naufragada, que o irá salvar.
Bem-aventurados os que se passeiam pela vida, nas margens serenas, do amor que salva !
Vivam as bibliotecas vivas.

Blade Runner na Casa de Camilo

Para ler no Abrupto, de José Pacheco Pereira.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Camilo dixit

Caricatura de Camilo por Vasco


Lede como quem se recreia.
Para isso comprais este livro.


In : advertência "O Livro Negro do Padre Diniz"
Camilo Castelo Branco

marcar os livros com frases de Camilo

José Pacheco Pereira esteve em Seide, na 6ª feira, e hoje, no Abrupto, destaca os marcadores de livros com frases de Camilo Castelo Branco, oferta da Casa Museu.

"um livro bem pensado e bem composto só admira os dez literatos inteligentes que por aí vivem, lurados na sua obscuridade."
In Correspondência epistolar, CCB

Perguntaria, Camilo, se fosse vivo:
Quem são estes dez literatos? (10 Grandes Portugueses?)
Que livros de JPP irão marcar os marcadores?
Aguardam-se sugestões.
Vivam as bibliotecas vivas

domingo, 28 de janeiro de 2007

sexta-feira, 26 de janeiro de 2007

uma invenção lorpa

Inicia Camilo o romance Anátema, no capítulo 1, com o título:
"No qual se prova que o autor não tem jeito para escrever romances".

"Este começa por onde acabam os outros", ou seja com um casamento! Nove luas depois... o baptizado!
(Continua Camilo)
"vamos fechar este capítulo.
- Com que lance dramático?- pergunta o leitor.
- Nenhum! - respondo eu.
- Porque não inventaste um encapotado, que viesse perturbar este festim, como o Mane Tacel Phares de Balthazar?
- Era uma invenção lorpa - respondo eu.
- Pois não houve mais nada!? - torna o importuno.
Houve o seguinte:
O menino que fazia anos, meteu-se na capoeira das galinhas e degolou-as todas!
Acaba melhor do que eu imaginara."

São os diálogos que Camilo inventou para nós, leitores de invenções lorpas.
Vivam as bibliotecas vivas.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

maria josé moura

Inventou o futuro das bibliotecas públicas.
Sem a Maria José Moura não existiam bibliotecas públicas em Portugal. Existiam bibliotecas públicas, mas não as que ela sonhou e que alguns bibliotecários, com ela, fizeram crescer.
Proporcionou-nos o melhor, as viagens de estudo, as conferências internacionais, o aprendermos juntos, a realização de projectos, a não pararmos nunca pela maior causa, a tal revolução silenciosa, da Leitura Pública.
Encontramo-nos, bibliotecários de coração e alma com MJM, no próximo sábado, para gozarmos o gosto de estarmos vivos, e juntos ainda caminharmos.
Vivam as bibliotecas vivas.

Nota biográfica de Maria José Moura (não está actualizada)
Começou a sua carreira de bibliotecária na Universidade de Lisboa, onde desempenhou o cargo de Directora dos Serviços de Documentação e Publicações. Entre outras actividades, foi professora do Curso de Especialização em Ciências Documentais das Universidades de Coimbra e Lisboa, Coordenadora Geral da Comissão do Inventário do Património Cultural e adjunta do Gabinete do Secretário de Estado da Cultura.

Organizou e participou em diversas conferências e seminários internacionais e tem uma bibliografia que inclui os Relatórios sobre as Bibliotecas Públicas em Portugal (1986 e 1996).
Foi Directora de Serviços de Bibliotecas, no Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, vice-presidente do Conselho Superior das Bibliotecas Portuguesas, presidente do Ponto de Convergência Nacional do Programa Telemática para Bibliotecas da União Europeia, e membro do Information Society Forum – Bruxelas.

Foi condecorada com a Ordem de Mérito e, em 1998, recebeu o Prémio Internacional do Livro, atribuído pelo “International Book Committee”, sob proposta da IFLA.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

o padre Diniz e Blade Runner

Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? O que nos torna humanos?
O filme Blade Runner aponta para estas questões religiosas e filosóficas. Deckard, ex-Blade Runner, veio para a Terra à procura do seu Criador, para tentar aumentar o seu período de vida e escapar à morte que se aproxima.
O Livro do Padre Diniz, não faz outra coisa. Através desta fantástica personagem, Camilo apresenta-nos a metamorfose de um homem que se procura em Deus.
Deste modo, fica o convite, um livro e um filme para ver e ler.
Vivam as bibliotecas vivas.

26 Janeiro 21h30
Casa de Camilo / Seide

Um livro Um filme

Do Androids dream of a electric sheep? de Philip K. Dick

Blade Runner de Ridley Scott

convidado José Pacheco Pereira
entrada livre

blogue Abrupto

um nu do valter hugo mãe

Editado pela Cosmorama (do poeta e teólogo José Rui Teixeira) o novo livro de poesia do valter. Para o delírio de todos os fãs. Há muito que nos tinha prometido um nu.
Aí está a Pornografia Erudita.

terça-feira, 23 de janeiro de 2007

directório de bibliotecas portuguesas


Parabéns ao meu ex-aluno, amigo e colega Fernando Vilarinho, do blogue Bibliotecas em Portugal, que acabou de publicar o Directório de Bibliotecas Portuguesas.
Um verdadeiro wiki. Só temos que colaborar, corrigindo e aumentando.

fiama

Fiama brilha junto das suas árvores, com os seus poemas, para sempre. O valter hugo mãe deixa-nos um depoimento sobre os últimos dias de Fiama, no tempo, na casa de osso.
Recordo os poemas de Fiama. De ir à biblioteca copiá-los num caderno, ao lado dos de Eugénio e do seu Gastão Cruz. Raramente comprava livros. Comia-os.
Vivam as bibliotecas vivas.

o tempo faz e desfaz

Nada tão silencioso como o tempo
no interior do corpo. Porque ele passa
com um rumor nas pedras que nos cobrem,
e pelo sonoro desalinho de algumas árvores
que são os nossos cabelos imaginários.
Até na íris dos olhos o tempo
faz estalar faíscas de luz breve.
....

Mas nós sentimos dentro do coração que somos
filhos dilectos do tempo e que, se hoje amamos,
foi depois de termos amado ontem.
O tempo é silencioso e enigmático
imerso no denso calor do ventre.
Guardado no silêncio mais espesso,
o tempo faz e desfaz a vida.

Fiama Hasse Pais Brandão
1938-2007

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

sete selos

"E onde está ele?
Quem abriu os sete selos do Apocalipse?"

in advertência "O Livro Negro do Padre Diniz"
Camilo Castelo Branco

confrontar: Apocalipse 5, 1-14
post Tomei o pequeno livro e comi-o

sexta-feira, 19 de janeiro de 2007

camilo e rosalía



Rosalía de Castro, grande poeta galega, e Camilo Castelo Branco, irmanados pela grandeza da sua escrita, foram editados em edição dupla, os títulos "Amor de Perdição"* e "Follas Novas"**, numa iniciativa da Fundación Rosalía de Castro e da Casa Museu Camilo, pelas Edições Caixotim, numa belíssima caixa, em Dezembro de 2006.

* prefácio e fixação de texto Aníbal Pinto de Castro
** prefácio de Xesús Alonso Montero