O culminar do trabalho do "Acontece na Rede" (rede de bibliotecas escolares e biblioteca municipal) realizou-se hoje, sob o tema "20 anos de Integração de Portugal na União Europeia", com uma conferência, teatro e exposição. A conferência do Prof. Doutor José Palmeira foi de tantas estrelas como as dos estados membros. sexta-feira, 12 de maio de 2006
acontece na rede
O culminar do trabalho do "Acontece na Rede" (rede de bibliotecas escolares e biblioteca municipal) realizou-se hoje, sob o tema "20 anos de Integração de Portugal na União Europeia", com uma conferência, teatro e exposição. A conferência do Prof. Doutor José Palmeira foi de tantas estrelas como as dos estados membros. quinta-feira, 11 de maio de 2006
silka, sebastião, o meu avô e o guardador de nuvens
Manuela Bacelar, envolta da sua mágica Praga, com os dedos ainda repletos de brilhantes, chegou a Famalicão, terra das suas origens, e veio à biblioteca municipal. Uma exposição com as ilustrações da famosa "Silka" de Ilse Losa, portadoras do Prémio Maçã de Ouro da Bienal Internacional de Bratislava, "O meu avô", "Sebastião" e o "Guardador de Nuvens" de Inácio Pignatelli, são algumas que podemos saborear.
quarta-feira, 10 de maio de 2006
couves & alforrecas
MARGARIDA REBELO PINTO / OFICINA DO LIVRO
VS
JOÃO PEDRO GEORGE / OBJECTO CARDÍACO
Na passada Terça-feira, dia 2 de Maio, realizou-se a audiência das testemunhas arroladas pelos requentes e requeridos neste procedimento judicial.
Por parte dos requerentes (MRP/OL), foram ouvidos os Senhores Gonçalo Saraiva (amigo e leitor de MRP), Renato Carrasquinho (colaborador do site oficial de MRP) e Marcelo Teixeira (editor da OL); por parte dos requeridos foram ouvidos Maria do Rosário Pedreira (editora e escritora), Eduardo Pitta (escritor e crítico literário) e Rui Tavares (professor, escritor e ensaísta). Os requeridos prescindiram ainda da audição de duas outras testemunhas, por uma questão de economia processual, que seriam David Justino (ex-Ministro da Educação e Professor) e Manuel Alberto Valente (editor das Edições Asa).
É nossa convicção de que, após a devida audiência das testemunhas, ainda mais notória se revelou a ausência de qualquer tipo de agressão a direitos legalmente constituídos por terceiros pela a publicação da obra «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto».
Sustentando a sua posição na eminência de se violarem três tipos de direitos, os requerentes interpuseram a famosa providência cautelar, no entanto, de modo profundo, verificou-se, em nosso entender, que tais violações não ocorrerem. Assim,
1.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Personalidade da autora MRP:
é notório que o livro de JPG não ultrapassa o universo literário, sendo que todo o seu contexto se limita estritamente à avaliação da obra da autora estudada. Não existem referências de carácter pessoal, sendo inegável que o estudo de JPG se dirige a uma perspectivação determinada da obra sobre que se debruçou.
2.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Autor da autora MRP:
os requerentes terão pretendido dar como insustentáveis as citações que JPG faz da obra da autora estudada. No entanto, as citações estão expressamente tipificadas na lei – isto é, estão previstas e expressamente autorizadas pelo legislador nacional –, e só se tornam efectivamente excessivas quando, pela quantidade, comportam substancialmente a obra original citada. Ou seja, seria necessário que as citações de JPG ultrapassassem um limite tal que – em relação a qualquer dos 8 livros sobre que incide «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» – reproduzissem substancialmente a obra estudada.
3.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Propriedade Industrial de MRP:
sendo que o nome da autora é também uma marca registada, pretenderam os requerentes ver na sua citação por parte de JPG uma utilização indevida. Pretensão esta que não colhe uma vez que o direito à marca apenas se agride quando o produto que se lhe opõe passa por um original. Ou seja, o livro de JPG estaria em falta se quisesse passar por um original da autora sobre que incide. De facto, não há no livro de JPG qualquer possibilidade de se confundir com um romance ou um conjunto de crónicas de MRP, o livro assinala manifestamente a autoria de JPG, não pretendendo nunca confundir o leitor sobre o assunto de que trata, sobre quem é o seu autor e sobre quem é autor estudado.
O impedimento da utilização de um nome registado seria insustentável. Para o podermos entender consideremos os exemplos destes livros: «Coca-Cola Killer», do maestro António Vitorino D’Almeida (Edições Prefácio); «Mama, Coca, Coca-Cola, Cocaína: Três Pessoas numa Droga Só, Notas para um Ensaio Sobre a Eco-Nomia Política do Narcotráfico» de René Tapia Ormazabal (Editorial Caminho); e «Quando A Coca-Cola fez Trezentos Anos – Porno-Ficção Sem Crianças nem Animais» de Rui Filipe Torres (Edições Dolly).
Uma marca registada não impede nunca o estudo sobre si, impede apenas a criação de um produto que se queira fazer passar pelo legítimo detentor da marca em causa.
Perante tais evidências, a providência cautelar interposta contra JPG/OC foi, em nosso entendimento, um acto precipitado prevendo a ocorrência de violações que simplesmente nunca estiveram para acontecer.
Na verdade, a queixa dos requerentes ia no sentido de acusarem «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» de provocarem uma quebra nas vendas dos livros da autora MRP e, conforme declarado por Marcelo Teixeira em tribunal, as vendas da autora estão a correr de modo excelente, sendo que, em menos de um mês, o livro «Diário da tua ausência» vendeu 20.000 (vinte mil) exemplares estando para qualquer momento a chegada da tipografia de uma nova tiragem de mais 10.000 (dez mil) exemplares.
Também é um facto que o livro «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» terá vendido mais do que os 1.000 (mil) exemplares da sua tiragem inicialmente prevista; deve-se isto exclusivamente à publicidade que a interposição da providência cautelar provocou. Até ao momento, foram entregues à Sodilivros (distribuidora da OC) cerca de 3.000 (três mil) exemplares do livro de JPG.
A providência cautelar que MRP/OL interpuseram é o primeiro acto judicial desde o vinte e cinco de Abril de 1974 que tenta impedir a publicação e venda de um livro de crítica literária.
É nossa convicção de que a obra da autora MRP, e sobretudo o seu impacto no público, tem que ver com um fenómeno social. Não é a qualidade literária inerente ao que escreve que justifica o fenómeno de vendas, é antes um processo atinente à sociologia, como se verifica pelo envolvimento largamente promotor com a imprensa genericamente chamada de cor-de-rosa. De facto, poucos serão os autores que, como MRP, aparecerão no modo e quantidade com que esta aparece naquele tipo de imprensa. Pensando melhor, em Portugal nenhum outro autor aparece, no mesmo modo e com a mesma insistência, naquele tipo de imprensa de massificada distribuição. Sendo que a sua obra raramente merece atenção por parte da crítica e publicações especializadas; coisa que desgostou a autora MRP, levando-a a afirmar em várias entrevistas que gostaria de ver algum crítico propriamente dito a versar sobre a sua obra."
terça-feira, 9 de maio de 2006
quantos queres ?
As palavras frias não são para nós. As palavras queimaram, de tanto borbulhar nas mãos dos meninos, quando a Rute e o Miguel estiveram, nas bibliotecas escolares, a brincar com os provérbios populares e a fazer os "quantos queres ?"
Um sucesso. Resposta : Queremos muito mais !
Parabéns e muita força para estes jovens actores que deviam estar sempre em palco.
Vivam as bibliotecas e o Teatro !
segunda-feira, 8 de maio de 2006
ratinho musical
O Ivo Machado musicou poemas de Luísa Ducla Soares e de Vergílio Alberto Vieira. Todos os meninos do 1º ano do agrupamento Bernardino Machado leram os poemas, ouviram as músicas e, com as suas professoras e o professor bibliotecário Manuel Oliveira, coreografaram e apresentaram um espectáculo na Biblioteca Municipal.Foi hoje. Gostei muito da chinesinha e do ratinho musical. Os meninos portaram-se como na Arca do Noé. Muito bem.
Vivam as bibliotecas musicais !
sábado, 6 de maio de 2006
o princípio do equilíbrio
Picasso / House in a Garden (House and Trees) La Rue-de-Bois, August 1908 (or Paris, winter 1908) Oil on canvas 92 x 73 cm Pushkin MuseumAs árvores à volta da casa, a casa não está às escuras. Há janelas abertas e iluminadas. Entro e ouve-se sempre música, as paredes estão pintadas com gatos gigantes, árvores com ramos que espreitam pelas janelas e pessoas paradas a olhar para mim. Algumas estão sentadas, outras são do passado e transmitem o desejo de viver para sempre. Há livros por todo o lado, mesmo rente ao tecto. Todos nesta casa gostam de histórias vivas.
Os degraus que sobem e descem, retrato exemplar de toda uma vida, terminam sempre no patamar perfeito, no renascer executado em todas as alturas em que chego ao fundo de um poço, e como numa imagem da água a jorrar, venho à tona e renasço.
No quarto maior iluminado, há um berço onde dormem três anjos. Para cada um tenho um sonho que obstinadamente faço crescer todos os dias. Dormem com a música que lhes canto com o meu respirar, quando acordam querem correr no céu laranja atrás dos livros, que alguém lhes disse que estavam destinados nas estrelas.
Para eles tenho uma herança de paz e de eternidade que abandono em todas as minhas palavras e sempre que toco nos seus corpos. São o meu reflexo, quando nos fotografamos juntos temos os rostos iguais e os nossos corações têm o mesmo batimento. Somos unos, eu e os meus filhos, nesse grande quarto iluminado, onde o mundo é tão solar.
No centro da casa está o princípio do equilíbrio que mantém a minha vida feliz.
sexta-feira, 5 de maio de 2006
quando um bibliotecário faz anos
Nem só as bibliotecas fazem anos, os bibliotecários que lá trabalham também envelhecem. Gastão Cruz
quinta-feira, 4 de maio de 2006
o pão partilhado, para a Glória
Tantos anos juntos, dentro de uma biblioteca, tantas riquezas partilhadas a que não demos importância. quarta-feira, 3 de maio de 2006
as três meninas
Tiraram-lhes o corpo. Ficaram as cabeças ainda ensanguentadas pelo corte que lhes fizeram, que rolam pela areia. As cabeças estão muito bem penteadas com fitas coloridas e as algas entrecruzam-se neste crime de sangue torturado.
As cabeças têm o medo branco estampado nos rostos. São parecidos os rostos, irmãos na morte e vivos na inocência. Como conchas ovais, moluscos enterrados e dilacerados, espalhados pelo espaço.
Eram três meninas.
Uma onda lavou o último rasto de sangue.
terça-feira, 2 de maio de 2006
cem sonetos de amor
Ao entrar na biblioteca, de manhã, observo sempre os livros que chegaram do empréstimo. Todos os dias há sempre um livro certo para mim. Hoje, dia 2 de Maio, o livro que me encontrou foi o "cem sonetos de amor" de Pablo Neruda. Mando-o para o JJ."aqueles bruscos rios com águas e ameaças,
aquele atormentado estandarte da espuma,
aqueles incendiários favos e recifes.
são hoje este repouso do teu sangue no meu,
este leito estrelado e azul como a noite,
esta simplicidade sem fim da ternura."
segunda-feira, 1 de maio de 2006
as intermitências da morte
"Por um instante a morte soltou-se a si mesma, expandindo-se até às paredes, encheu o quarto todo e alongou-se como um fluido até à sala contígua, aí uma parte de si deteve-se a olhar o caderno que estava aberto sobre uma cadeira, era a suite número seis opus mil e doze em ré maior de johann sebastian bach composta em cothen e não precisou de ter aprendido música para saber que ela havia sido escrita, como a nona sinfonia de beethoven, na tonalidade da alegria, da unidade dos homens, da amizade e do amor. Então aconteceu algo nunca visto, algo não imaginável, a morte deixou-se cair de joelhos, era toda ela, agora, um corpo refeito..." sexta-feira, 28 de abril de 2006
namíbia
Quando vêm à biblioteca os escritores é sempre uma festa. Desta vez a Maria José Meireles convidou os meninos a dançar música árabe e só depois é que falaram sobre o seu último livro "A Lenda das Mouras encantadas". terça-feira, 25 de abril de 2006
o livro de dentro para fora
O Dia Mundial do Livro na Biblioteca Nacional está a ser comemorado com uma mostra fotográfica sobre o interior da instituição e como ela se revela e se oferece aos leitores com o que de mais precioso conserva. Onde estão os livros, como é que eles se arrumam e se encontram, porque estão numa determinada estante, que elementos entram na sua construção. Construída de dentro para fora, invisível e silenciosa, quotidiana e pertinaz, a pedir o reconhecimento quando se celebra o livro. O conteúdo e o suporte. A biblioteca, um lugar de encontro entre os que exploram no livro a informação e o conhecimento e os que detêm a responsabilidade pela disponibilização física do livro. Todos os dias de cada ano.segunda-feira, 24 de abril de 2006
agostinho da silva
Agostinho da Silva, nasceu no Porto em 1906. Foi considerado o pensador do terceiro milénio.Estudou, em Paris, História e Literatura na Sorbonne e no Collège de France, com uma bolsa de estudos. Em 1933 regressou a Portugal e tornou- se professor do ensino secundário público, no Liceu de Aveiro. No ano seguinte, é demitido do ensino público por se recusar, por uma questão de princípio, a assinar uma declaração obrigatória para os funcionários públicos.
Publica centenas de opúsculos “Iniciação – Cadernos de Informação Cultural”, em que apresentava aos leitores temas de discussão sobre tudo. Num destes cadernos em que abordou o Cristianismo, tocando em assuntos tabu, foi preso e precipitou-o para o exílio.
A Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco possui muitas destas pequenas publicações, recentemente encontradas por mim, numa miscelânea de textos dactilografados e manuscritos no fundo dedicado ao Esperanto.
Viva a biblioteca viva.
o que hoje, dia S. Jorge, não disse
Comemoramos mais uma vez, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, o Dia Mundial do Livro. Desde 1996, que o fazemos, alguns anos com mais empenho, outros de uma forma mais leve.Ao abrir, a sessão da tarde, abdiquei de dizer o que gostaria a todos os presentes, por razões que ultrapassam o coração.
Aqui vai o que não disse e que gostaria de transmitir a todos os que lá estavam :
Hoje domingo 23 de Abril, dia de S.Jorge, estamos na biblioteca a ouvir falar de livros e de histórias. Esta data foi escolhida, pela UNESCO, para comemorar o "Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor" e pretende recuperar uma velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S. Jorge e recebem em troca, um livro. Partilhar os livros e as flores, não deixa de ser uma acto simbólico de cruzamento do saber com a natureza, com o amor e a paixão. Prestamos também homenagem a dois grandes escritores falecidos, neste dia, Shakespeare e Cervantes.
Hoje aqui reunidos, as famílias, pais e filhos, os professores, os bibliotecários e o público em geral que gosta de livros, criamos uma cadeia “espiritual” de amor pelos livros e por tudo o que eles significam.
Oxalá os pais consigam, na vida agitada de hoje, ler mais aos seus filhos. Os professores, com o tempo apertado para os currículos, possam incentivar a actos de transposição do texto literário para o teatro ou para outras formas artísticas, como a dramatização de um texto de António Mota, pelos alunos aqui presentes. Os bibliotecários, com a multiplicidade de tarefas em que estão submersos, consigam ter tempo para ler aos seus jovens utilizadores, consigam incentivar à leitura e fazer descobrir os tesouros que as bibliotecas têm nas suas estantes.
No dia mundial do livro infantil, um escritor eslovaco dizia que os livros têm o seu destino marcado nas estrelas. Todo juntos, numa comunidade composta pelas famílias, escola e biblioteca vamos criar um destino melhor para os mais novos, com o livro por perto.
O nosso muito obrigada aos alunos da escola nº2 de V.N. Famalicão, e à sua professora Marcela, que aqui estão para nos fazer sonhar com esta “galinha medrosa”, que julga que o céu lhe vai cair na cabeça.
Os livros fazem-nos saber mais, e o mais importante ainda, fazem-nos imaginar-sonhar, que é o poder maior que existe no mundo.
O céu da galinha e o S. Jorge, santo do dia, farão vir dias melhores para os livros, que já estão destinados nas estrelas.
sábado, 22 de abril de 2006
maratona das bibliotecas

Festejamos a existência dos livros e do direito de autor, no dia 23 de Abril. Em Portugal conhecida como a Maratonas das Bibliotecas. Festejamos muitas, nesta biblioteca.
A deste ano é apelidada de "Primavera de Livros". Todos, os que por cá trabalham nesta biblioteca, chegaram a horas, os horários foram cumpridos.
O livro mais vendido na Feira do Livro de Saldo foi o : "Inverno do nosso descontentamento".
É urgente mudar de estação.
Quero uma biblioteca viva.
sexta-feira, 21 de abril de 2006
o poeta rilke e o artista rodin
aguarela de Rodinpara não perturbar o belo encantamento;
ao escutar-te os pulsos, digo-me:
não estarás aqui?”.
quinta-feira, 20 de abril de 2006
para acordar o silêncio
Terminou o curso de escrita criativa, na biblioteca. São quarenta novos escritores que beberam e encheram o depósito de gasolina. O que faz alguém escrever? Porque escrevemos? Porque escrevemos para os outros lerem?
quinta-feira, 13 de abril de 2006
para me manter vivo
para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado
deixas o verão deslizar de mansinho
para o cobre luminoso do outono e
às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
....
Al Berto
sexta-feira, 7 de abril de 2006
o cavalo alado azul
quinta-feira, 6 de abril de 2006
a lâmpada, os livros
"A lâmpada, os livros
Ainda às voltas com papéis antigos, recortes de jornais guardados e nunca usados, encontro uma notícia na Folha de São Paulo de Janeiro de 2004. O metro da Cidade do México acabara de lançar uma operação de empréstimo de livros de tal dimensão que o jornal fizeram um título cheio de cor. «Metrô mexicano vira biblioteca circulante». Lê-se e fica-se a querer muito que corra bem, que o livro apanhe a boleia justa, que a carruagem motora puxe por ele, o conduza ao cais mais iluminado."
(09:05 06 de Abril 06)
Vivam as bibliotecas a circular!
quarta-feira, 5 de abril de 2006
nos açores

segunda-feira, 3 de abril de 2006
o destino dos livros está escrito nas estrelas

Mensagem do 2 de Abril
Dia Internacional do Livro Infantil
o destino dos livros está escrito nas estrelas
Ján Uličiansky
Os adultos perguntam com frequência o que acontecerá aos livros quando as crianças deixam de os ler.
Talvez esta seja uma resposta:
«Nós carregá-los-emos todos em enormes naves espaciais e enviá-los-emos para as estrelas!»
Uau...!
Os livros são realmente como estrelas num céu nocturno. Há tantos, não podem ser contados e frequentemente estão tão longe de nós que não ousamos procurá-los. Mas imaginem só como ficaria escuro se um dia todos os livros, esses cometas no nosso universo cerebral, partissem e cessassem de fornecer essa energia ilimitada da imaginação e do conhecimento humanos...
Valha-nos Deus!
Vocês dizem que as crianças não podem compreender uma ficção científica como esta?! Muito bem, eu viajarei para a terra e permitir-me-ei recordar os livros da minha própria infância. De qualquer maneira, isto é o que me veio à mente quando eu estava a olhar para a Ursa Maior, a constelação a que nós, Eslovacos, chamamos «Grande Carroça», porque os meus livros mais preciosos me chegaram numa carroça... Isto é, não chegaram inicialmente a mim, mas à minha mãe. Foi durante a guerra.
Um dia, estava ela à beira da estrada quando passou chocalhando uma carroça – uma carroça de feno atulhada de livros e puxada por uma parelha de cavalos. O condutor disse à minha mãe que estava a transportar os livros da biblioteca da cidade para um lugar seguro, para impedir que fossem destruídos.
Nesse tempo a minha mãe era ainda uma menina pequena, ansiosa por ler, e à vista daquele mar de livros os olhos dela iluminaram-se como estrelas. Até então só tinha visto carroças cheias de feno, palha ou talvez estrume. Para ela uma carroça cheia de livros era como algo saído de um conto de fadas. Arranjou coragem para pedir:
«Por favor, não poderia dar-me ao menos um livro dessa grande pilha?»
O homem sorriu, assentiu, saltou da carroça abaixo, desatou um dos lados e disse: «Podes levar para casa todos os que caírem no caminho!»
Alguns volumes caíram ruidosamente na estrada poeirenta, e pouco depois aquela estranha carroça já tinha desaparecido numa curva da estrada. A minha mãe apanhou os livros, com o coração a bater furiosamente de excitação. Depois de lhes limpar o pó, verificou que entre eles, perfeitamente por acaso, havia uma edição completa dos contos de Hans Christian Andersen. Nos cinco volumes de várias cores não existia uma única ilustração, mas aqueles livros iluminaram milagrosamente as noites que a minha mãe tanto temia. Isso acontecia porque durante aquela guerra ela tinha perdido a sua própria mãe. Quando lia aqueles contos ao serão, cada um deles era para ela um pequeno raio de esperança, e com uma imagem tranquila no coração, pintada com pestanas meio fechadas, podia adormecer sossegadamente, pelo menos durante um bocado...
Os anos sucederam-se e aqueles livros passaram para mim. Eu levo-os sempre comigo pelas poeirentas estradas da minha vida. De que poeira é que eu falo, perguntam vocês?
Ah!
Talvez eu estivesse a pensar na poeira de estrelas que se instala nos nossos olhos quando nos sentamos numa cadeira a ler numa noite escura. Isto é, se estivermos a ler um livro. No fim de contas, nós podemos ler todo o tipo de coisas. Uma face humana, as linhas da palma de uma mão, e as estrelas...
As estrelas são livros num céu nocturno e iluminam a escuridão.
Sempre que eu duvido se vale a pena escrever mais um livro, contemplo o céu e digo para mim próprio que o universo é realmente infinito e que ainda deve haver lugar para a minha pequena estrelinha.
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Ján Uličiansky nasceu em 1955 em Bratislava. Tendo estudado dramaturgia, é autor de peças de teatro e contista, tendo sido director do Teatro de Marionetas de Košice e trabalhando actualmente como dramaturgo na rádio eslovaca. Diversas vezes premiados, os seus livros para crianças parecem buscar uma nova coerência na relação entre a lógica infantil e a lógica adulta. Humor, paródia, aventura são aspectos recorrentes na sua escrita, que explora de modo criativo o ludismo verbal. Dos seus livros destacam-se As Ilhas dos Bonecos de Neve (1990), Temos a Ema (1993), Histórias Extraordinárias dos Sete Mares (2003) e Um Rapaz Mágico (2005).
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Versão portuguesa: José António Gomes
Autor do cartaz: Peter Čisárik
sexta-feira, 31 de março de 2006
os bibliotecários escrevem histórias

Os bibliotecários também escrevem histórias, nos cursos de escrita criativa. E há os que têm muita sorte e podem escrever quando querem.
Conheço uma bibliotecária que escreve short stories deliciosas de saborear, com ovos estrelados e abóboras, que nos aguçam o apetite para ler mais. Oxalá essas histórias nos sejam postas à mesa, nalgum livro de capa comestível.
Vivam as bibliotecárias das bibliotecas vivas
canção de inverno
No curso de escrita criativa, a decorrer na biblioteca, criam-se textos muito diferentes, segundo o Valter Hugo Mãe, todos eles reflectem o que cada um é, por mais distância colocada nas palavras e nas personagens."Canção de Inverno
Um homem só. Não permanece inquieto, mas sempre só. As mãos em cima do teclado aguardam as memórias paralelas que lhe criam impressões para este momento.
Canção de Inverno, não se pode esquecer, e as memórias a arrebatá-lo. Sempre escolheu a solidão, nas tardes de qualquer ano, uma espécie de rouxinol do mato. Estudava numa casa alugada que era um lugar ermo, sem som. Detestava os gritos de qualquer parte, os ruídos de um livro a cair do nada, as camas a gemer e o som do fósforo quando reluz.
Pequenos sobressaltos pairam na sua mente mas não se esquece do que está a tocar naquele momento.
No Inverno, foi no Inverno que tudo aconteceu, que o ar gélido do norte lhe arrebatou os sentidos e o deixou abandonado na sua juventude sem nenhuma canção.
As suas mãos espraiam-se ao ritmo do pensar e o homem percebe quanto tempo perdeu de vida sem perceber o mundo, sobretudo a luz que o atormenta e o encerra num manto de finos sentimentos controversos.
O destino da solidão que traçou é sempre sublimado nos momentos em que termina de tocar, em que as suas mãos sossegam e o seu espírito se levanta , e mais uma vez no final de tocar Schumann, altura em que a sua loucura se cruza com a do compositor, que percebe, enfim, que o aplaudem.
Vai com ele o Inverno, tão só e tão pleno de graças."
terça-feira, 28 de março de 2006
uma pequenina luz
"Uma pequena luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós..."
Jorge de Sena
segunda-feira, 27 de março de 2006
homenagem aos livros pequenos e alguns menos
Gastão Cruz recebeu, na Feira do Livro de Braga, o Grande Prémio de Literatura DST 2005, pelo livro de poesia "Repercussão". Este livro foi lido e comentado na Comunidade de Leitores da minha biblioteca, no ano passado.
Vivam as bibliotecas com livros vivos.
"Livros pequenos onde se concentra
a vida das palavras que é o eco
de vozes vivas povoando as cenas
de cada hora contra o céu batendo
livros que dizem coisas tão
diversas do mundo e as prendem
aos olhos de quem esperava... "
Gastão Cruz
in Repercussão
sexta-feira, 24 de março de 2006
german danz n º1
Dançamos, com muitos meninos, a Dança Alemã nº1 de Mozart, na biblioteca.
Vieram para ouvir falar do menino e senhor da música, que nos legou uma lista infindável de obras magníficas. Também elas figuram nas prateleiras da biblioteca.
Viva a música nas bibliotecas vivas.
terça-feira, 21 de março de 2006
poesia, dia mundial
Está sereno o poeta
desprende-se-lhe dos ombros e cai
depois em pregas por ele abaixo a manhã
Não pertencem ao dia os gestos que ele tem
não morrerão na noite seus assombrosos passos
Dizem que ele volta a pôr em movimento a roda
de crianças de atitudes desmedidas
que o vento varreu e parque algum queria
E abre os braços para deixar cair na cidade
um ano favorável ao senhor
E põe o rosto do senhor por trás das suas palavras
Elas decerto o hão-de dar a quem as demandar.
Ruy Belo
quinta-feira, 16 de março de 2006
a tenda do Camilo
"A minha tenda são uns vinte volumes, um tinteiro de ferro e um cabo de pena de osso"
Camilo Castelo Branco
padrinho da nossa biblioteca, nascido a 16 de Março 1825
para que nasças muito antes de chegares
Nasceu há 14 anos na grande biblioteca universal. Partilho com ela a vida e os livros.
Para que nasças no mês anterior
Para que nasças muito antes de chegares
Para que amanheças já aberta e recortada
no tempo anterior à tua vinda
para que amanheças
...
Daniel Faria
segunda-feira, 13 de março de 2006
música nas bibliotecas

Ouvir o pianista Krystian Zimerman, ao vivo. Sonata em si bemol menor de Chopin. Tive esse privilégio, uma espécie de prenda de anos, eu e a Mariana, minha filha pianista.
Gostaria que as bibliotecas de leitura pública conseguissem ter as melhores gravações dos bons pianistas. Cá se vai fazendo por isso.
sexta-feira, 10 de março de 2006
parabéns oceano !
quinta-feira, 9 de março de 2006
dia internacional da mulher
terça-feira, 7 de março de 2006
nevou, bem perto de casa

a terra do anjo azul
O que é necessário para ser escritor? Que livros lê aos alunos? Escreveu alguma história de amor?
Tantas perguntas de gente tão pequena...
Para escrever só há uma receita, que lhes foi dada (juntamente com a do arroz à Valenciana, da Galiza) : ler, ler, ler. Aos alunos lê o "Pinóquio", versão completa do Collodi, a "Quinta das cerejeiras" da Ilse Losa e o "Emílio e os detectives" de E. Kastner. História de amor só a dos animais do "Romeu e as rosas de gelo".
Recomendou "A abada de histórias", todas as pequenas histórias lidas há muitos anos na RTP, no programa do Vitinho, e "Se tu visses o que eu vi".
O escritor marcou TPC : escrita de uma história a partir da frase - O elefante é uma palavra muito pesada, e a invenção de um título para uma história que lhes contou do livro sem palavras.
Vivam as bibliotecas !
sexta-feira, 3 de março de 2006
a sombra do vento
Ainda bem que estou a ler “A Sombra do vento”, livro escondido, senão perdido, no Cemitério dos Livros Esquecidos.













