sexta-feira, 12 de maio de 2006

acontece na rede

O culminar do trabalho do "Acontece na Rede" (rede de bibliotecas escolares e biblioteca municipal) realizou-se hoje, sob o tema "20 anos de Integração de Portugal na União Europeia", com uma conferência, teatro e exposição. A conferência do Prof. Doutor José Palmeira foi de tantas estrelas como as dos estados membros.
Aprendemos todos.
Oxalá Portugal explore melhor a ideia, defendida pelo conferencista, acerca de que Portugal tem um espaço aéreo estratégico e tem um mar potencial a ser utilizado por centrais de energia.
Vivam as bibliotecas do espaço da união.

quinta-feira, 11 de maio de 2006

silka, sebastião, o meu avô e o guardador de nuvens

Manuela Bacelar, "Sebastião"

Manuela Bacelar, envolta da sua mágica Praga, com os dedos ainda repletos de brilhantes, chegou a Famalicão, terra das suas origens, e veio à biblioteca municipal. Uma exposição com as ilustrações da famosa "Silka" de Ilse Losa, portadoras do Prémio Maçã de Ouro da Bienal Internacional de Bratislava, "O meu avô", "Sebastião" e o "Guardador de Nuvens" de Inácio Pignatelli, são algumas que podemos saborear.

quarta-feira, 10 de maio de 2006

couves & alforrecas

valter hugo mãe enviou-me este email. Isto passa-se em Portugal, depois do 25 de Abril de 1974.
"PROVIDÊNCIA CAUTELAR
MARGARIDA REBELO PINTO / OFICINA DO LIVRO

VS

JOÃO PEDRO GEORGE / OBJECTO CARDÍACO

Na passada Terça-feira, dia 2 de Maio, realizou-se a audiência das testemunhas arroladas pelos requentes e requeridos neste procedimento judicial.
Por parte dos requerentes (MRP/OL), foram ouvidos os Senhores Gonçalo Saraiva (amigo e leitor de MRP), Renato Carrasquinho (colaborador do site oficial de MRP) e Marcelo Teixeira (editor da OL); por parte dos requeridos foram ouvidos Maria do Rosário Pedreira (editora e escritora), Eduardo Pitta (escritor e crítico literário) e Rui Tavares (professor, escritor e ensaísta). Os requeridos prescindiram ainda da audição de duas outras testemunhas, por uma questão de economia processual, que seriam David Justino (ex-Ministro da Educação e Professor) e Manuel Alberto Valente (editor das Edições Asa).

É nossa convicção de que, após a devida audiência das testemunhas, ainda mais notória se revelou a ausência de qualquer tipo de agressão a direitos legalmente constituídos por terceiros pela a publicação da obra «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto».
Sustentando a sua posição na eminência de se violarem três tipos de direitos, os requerentes interpuseram a famosa providência cautelar, no entanto, de modo profundo, verificou-se, em nosso entender, que tais violações não ocorrerem. Assim,

1.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Personalidade da autora MRP:
é notório que o livro de JPG não ultrapassa o universo literário, sendo que todo o seu contexto se limita estritamente à avaliação da obra da autora estudada. Não existem referências de carácter pessoal, sendo inegável que o estudo de JPG se dirige a uma perspectivação determinada da obra sobre que se debruçou.

2.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Autor da autora MRP:
os requerentes terão pretendido dar como insustentáveis as citações que JPG faz da obra da autora estudada. No entanto, as citações estão expressamente tipificadas na lei – isto é, estão previstas e expressamente autorizadas pelo legislador nacional –, e só se tornam efectivamente excessivas quando, pela quantidade, comportam substancialmente a obra original citada. Ou seja, seria necessário que as citações de JPG ultrapassassem um limite tal que – em relação a qualquer dos 8 livros sobre que incide «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» – reproduzissem substancialmente a obra estudada.

3.º possibilidade de se agredirem os Direitos de Propriedade Industrial de MRP:
sendo que o nome da autora é também uma marca registada, pretenderam os requerentes ver na sua citação por parte de JPG uma utilização indevida. Pretensão esta que não colhe uma vez que o direito à marca apenas se agride quando o produto que se lhe opõe passa por um original. Ou seja, o livro de JPG estaria em falta se quisesse passar por um original da autora sobre que incide. De facto, não há no livro de JPG qualquer possibilidade de se confundir com um romance ou um conjunto de crónicas de MRP, o livro assinala manifestamente a autoria de JPG, não pretendendo nunca confundir o leitor sobre o assunto de que trata, sobre quem é o seu autor e sobre quem é autor estudado.
O impedimento da utilização de um nome registado seria insustentável. Para o podermos entender consideremos os exemplos destes livros: «Coca-Cola Killer», do maestro António Vitorino D’Almeida (Edições Prefácio); «Mama, Coca, Coca-Cola, Cocaína: Três Pessoas numa Droga Só, Notas para um Ensaio Sobre a Eco-Nomia Política do Narcotráfico» de René Tapia Ormazabal (Editorial Caminho); e «Quando A Coca-Cola fez Trezentos Anos – Porno-Ficção Sem Crianças nem Animais» de Rui Filipe Torres (Edições Dolly).
Uma marca registada não impede nunca o estudo sobre si, impede apenas a criação de um produto que se queira fazer passar pelo legítimo detentor da marca em causa.

Perante tais evidências, a providência cautelar interposta contra JPG/OC foi, em nosso entendimento, um acto precipitado prevendo a ocorrência de violações que simplesmente nunca estiveram para acontecer.
Na verdade, a queixa dos requerentes ia no sentido de acusarem «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» de provocarem uma quebra nas vendas dos livros da autora MRP e, conforme declarado por Marcelo Teixeira em tribunal, as vendas da autora estão a correr de modo excelente, sendo que, em menos de um mês, o livro «Diário da tua ausência» vendeu 20.000 (vinte mil) exemplares estando para qualquer momento a chegada da tipografia de uma nova tiragem de mais 10.000 (dez mil) exemplares.

Também é um facto que o livro «Couves & Alforrecas, Os Segredos da Escrita de Margarida Rebelo Pinto» terá vendido mais do que os 1.000 (mil) exemplares da sua tiragem inicialmente prevista; deve-se isto exclusivamente à publicidade que a interposição da providência cautelar provocou. Até ao momento, foram entregues à Sodilivros (distribuidora da OC) cerca de 3.000 (três mil) exemplares do livro de JPG.
A providência cautelar que MRP/OL interpuseram é o primeiro acto judicial desde o vinte e cinco de Abril de 1974 que tenta impedir a publicação e venda de um livro de crítica literária.

É nossa convicção de que a obra da autora MRP, e sobretudo o seu impacto no público, tem que ver com um fenómeno social. Não é a qualidade literária inerente ao que escreve que justifica o fenómeno de vendas, é antes um processo atinente à sociologia, como se verifica pelo envolvimento largamente promotor com a imprensa genericamente chamada de cor-de-rosa. De facto, poucos serão os autores que, como MRP, aparecerão no modo e quantidade com que esta aparece naquele tipo de imprensa. Pensando melhor, em Portugal nenhum outro autor aparece, no mesmo modo e com a mesma insistência, naquele tipo de imprensa de massificada distribuição. Sendo que a sua obra raramente merece atenção por parte da crítica e publicações especializadas; coisa que desgostou a autora MRP, levando-a a afirmar em várias entrevistas que gostaria de ver algum crítico propriamente dito a versar sobre a sua obra."




terça-feira, 9 de maio de 2006

quantos queres ?

As palavras frias não são para nós.
As palavras queimaram, de tanto borbulhar nas mãos dos meninos, quando a Rute e o Miguel estiveram, nas bibliotecas escolares, a brincar com os provérbios populares e a fazer os "quantos queres ?"
Um sucesso. Resposta : Queremos muito mais !
Parabéns e muita força para estes jovens actores que deviam estar sempre em palco.
Vivam as bibliotecas e o Teatro !

segunda-feira, 8 de maio de 2006

ratinho musical

O Ivo Machado musicou poemas de Luísa Ducla Soares e de Vergílio Alberto Vieira. Todos os meninos do 1º ano do agrupamento Bernardino Machado leram os poemas, ouviram as músicas e, com as suas professoras e o professor bibliotecário Manuel Oliveira, coreografaram e apresentaram um espectáculo na Biblioteca Municipal.
Foi hoje. Gostei muito da chinesinha e do ratinho musical. Os meninos portaram-se como na Arca do Noé. Muito bem.
Vivam as bibliotecas musicais !

sábado, 6 de maio de 2006

o princípio do equilíbrio

Picasso / House in a Garden (House and Trees) La Rue-de-Bois, August 1908 (or Paris, winter 1908) Oil on canvas 92 x 73 cm Pushkin Museum
Canção de Inverno II
No momento em que ouvi o último acorde, levantei-me e regressei a casa. Pensava, enquanto caminhava, quanto era triste o que ouvi, mas como era bela a forma como foi silenciada a canção de Inverno. Tudo, por vezes, se me apresenta gelado e, num golpe de sorte, tudo permanece radiante e luminoso. Pleno de graças, como o pianista, na sua solidão, pleno de quietude.
As árvores à volta da casa, a casa não está às escuras. Há janelas abertas e iluminadas. Entro e ouve-se sempre música, as paredes estão pintadas com gatos gigantes, árvores com ramos que espreitam pelas janelas e pessoas paradas a olhar para mim. Algumas estão sentadas, outras são do passado e transmitem o desejo de viver para sempre. Há livros por todo o lado, mesmo rente ao tecto. Todos nesta casa gostam de histórias vivas.
Os degraus que sobem e descem, retrato exemplar de toda uma vida, terminam sempre no patamar perfeito, no renascer executado em todas as alturas em que chego ao fundo de um poço, e como numa imagem da água a jorrar, venho à tona e renasço.
No quarto maior iluminado, há um berço onde dormem três anjos. Para cada um tenho um sonho que obstinadamente faço crescer todos os dias. Dormem com a música que lhes canto com o meu respirar, quando acordam querem correr no céu laranja atrás dos livros, que alguém lhes disse que estavam destinados nas estrelas.
Para eles tenho uma herança de paz e de eternidade que abandono em todas as minhas palavras e sempre que toco nos seus corpos. São o meu reflexo, quando nos fotografamos juntos temos os rostos iguais e os nossos corações têm o mesmo batimento. Somos unos, eu e os meus filhos, nesse grande quarto iluminado, onde o mundo é tão solar.
No centro da casa está o princípio do equilíbrio que mantém a minha vida feliz.

sexta-feira, 5 de maio de 2006

quando um bibliotecário faz anos

Nem só as bibliotecas fazem anos, os bibliotecários que lá trabalham também envelhecem.
Para o Hilário, desejo muitos anos de vida, dentro das bibliotecas vivas, ou melhor, que ele transforme as adormecidas em luminosas.
Bibliotecas sem paredes coloridas mas com muitos poemas, nas paredes, escritos.
"como um lago o poema
não repete reflecte"
Gastão Cruz
Vivam os bibliotecários das bibliotecas vivas que reflectem o mundo.

quinta-feira, 4 de maio de 2006

o pão partilhado, para a Glória

Tantos anos juntos, dentro de uma biblioteca, tantas riquezas partilhadas a que não demos importância.
Uma palavra, um gesto, as flores, e no outro dia o pão partilhado.
Como terra ressequida, a precisar de água dos afectos, abri o livro que tinha uma só palavra.
Basta uma migalha, Glória, para perceber o que está escrito.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

as três meninas

"As tês meninas" Luísa Correia Pereira
díptico, técnica mista sobre tela 228x146 cm
legenda:
Uma praia. Uma praia num lugar distante com areia esbranquiçada gasta pelas torturas sanguinolentas. A areia foi escavada e no mais fundo do fundo estão os corpos decepados para não mais serem amados.
Tiraram-lhes o corpo. Ficaram as cabeças ainda ensanguentadas pelo corte que lhes fizeram, que rolam pela areia. As cabeças estão muito bem penteadas com fitas coloridas e as algas entrecruzam-se neste crime de sangue torturado.
As cabeças têm o medo branco estampado nos rostos. São parecidos os rostos, irmãos na morte e vivos na inocência. Como conchas ovais, moluscos enterrados e dilacerados, espalhados pelo espaço.
Eram três meninas.
Uma onda lavou o último rasto de sangue.

terça-feira, 2 de maio de 2006

cem sonetos de amor

Ao entrar na biblioteca, de manhã, observo sempre os livros que chegaram do empréstimo. Todos os dias há sempre um livro certo para mim. Hoje, dia 2 de Maio, o livro que me encontrou foi o "cem sonetos de amor" de Pablo Neruda. Mando-o para o JJ.

"aqueles bruscos rios com águas e ameaças,
aquele atormentado estandarte da espuma,
aqueles incendiários favos e recifes.

são hoje este repouso do teu sangue no meu,
este leito estrelado e azul como a noite,
esta simplicidade sem fim da ternura."

segunda-feira, 1 de maio de 2006

as intermitências da morte

"Por um instante a morte soltou-se a si mesma, expandindo-se até às paredes, encheu o quarto todo e alongou-se como um fluido até à sala contígua, aí uma parte de si deteve-se a olhar o caderno que estava aberto sobre uma cadeira, era a suite número seis opus mil e doze em ré maior de johann sebastian bach composta em cothen e não precisou de ter aprendido música para saber que ela havia sido escrita, como a nona sinfonia de beethoven, na tonalidade da alegria, da unidade dos homens, da amizade e do amor. Então aconteceu algo nunca visto, algo não imaginável, a morte deixou-se cair de joelhos, era toda ela, agora, um corpo refeito..."
José Saramago In "As intermitências da morte".
A morte, que intermitente, está nas nossas vidas, só vencida pela música, a suite nº6 para violoncelo de J.S.Bach, e pelo amor vivido em alegria, é a morte fabulosa do Saramago.
Continuo a acreditar na vida eterna e nas bibliotecas de Alexandria.
Vivam as bibliotecas que têm este livro.

sexta-feira, 28 de abril de 2006

namíbia

Quando vêm à biblioteca os escritores é sempre uma festa. Desta vez a Maria José Meireles convidou os meninos a dançar música árabe e só depois é que falaram sobre o seu último livro "A Lenda das Mouras encantadas".
Ao almoço, faço sempre para que os escritores falem da sua escrita, das histórias que têm na cabeça e de como vão trabalhar um determinado tema. Hoje, por acaso, falamos de férias e de viagens. Nunca me tinha esquecido da viagem que Maria José Meireles fez à Namíbia e da descrição que me tinha feito daquelas paragens e gentes. Quando nasce o livro? Recontou-me as cores da terra, o mar gelado, a areia escaldante, o deserto, os pinguins na praia, as tribos vestidas de barro, a savana, os milhares de refugiados angolanos que pairam pelas campos a quem se tenta ensinar português. Um país em África para ver.
Nas bibliotecas, brevemente, vamos ter um livro sobre este povo. A escritora vai viajar novamente pelo papel.

terça-feira, 25 de abril de 2006

o livro de dentro para fora

O Dia Mundial do Livro na Biblioteca Nacional está a ser comemorado com uma mostra fotográfica sobre o interior da instituição e como ela se revela e se oferece aos leitores com o que de mais precioso conserva. Onde estão os livros, como é que eles se arrumam e se encontram, porque estão numa determinada estante, que elementos entram na sua construção. Construída de dentro para fora, invisível e silenciosa, quotidiana e pertinaz, a pedir o reconhecimento quando se celebra o livro. O conteúdo e o suporte. A biblioteca, um lugar de encontro entre os que exploram no livro a informação e o conhecimento e os que detêm a responsabilidade pela disponibilização física do livro. Todos os dias de cada ano.
Viva a biblioteca.

segunda-feira, 24 de abril de 2006

agostinho da silva

Agostinho da Silva, nasceu no Porto em 1906. Foi considerado o pensador do terceiro milénio.
Estudou, em Paris, História e Literatura na Sorbonne e no Collège de France, com uma bolsa de estudos. Em 1933 regressou a Portugal e tornou- se professor do ensino secundário público, no Liceu de Aveiro. No ano seguinte, é demitido do ensino público por se recusar, por uma questão de princípio, a assinar uma declaração obrigatória para os funcionários públicos.
Publica centenas de opúsculos “Iniciação – Cadernos de Informação Cultural”, em que apresentava aos leitores temas de discussão sobre tudo. Num destes cadernos em que abordou o Cristianismo, tocando em assuntos tabu, foi preso e precipitou-o para o exílio.
A Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco possui muitas destas pequenas publicações, recentemente encontradas por mim, numa miscelânea de textos dactilografados e manuscritos no fundo dedicado ao Esperanto.
Viva a biblioteca viva.

o que hoje, dia S. Jorge, não disse

Comemoramos mais uma vez, na Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco, o Dia Mundial do Livro. Desde 1996, que o fazemos, alguns anos com mais empenho, outros de uma forma mais leve.
Ao abrir, a sessão da tarde, abdiquei de dizer o que gostaria a todos os presentes, por razões que ultrapassam o coração.
Aqui vai o que não disse e que gostaria de transmitir a todos os que lá estavam :

Hoje domingo 23 de Abril, dia de S.Jorge, estamos na biblioteca a ouvir falar de livros e de histórias. Esta data foi escolhida, pela UNESCO, para comemorar o "Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor" e pretende recuperar uma velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de S. Jorge e recebem em troca, um livro. Partilhar os livros e as flores, não deixa de ser uma acto simbólico de cruzamento do saber com a natureza, com o amor e a paixão. Prestamos também homenagem a dois grandes escritores falecidos, neste dia, Shakespeare e Cervantes.
Hoje aqui reunidos, as famílias, pais e filhos, os professores, os bibliotecários e o público em geral que gosta de livros, criamos uma cadeia “espiritual” de amor pelos livros e por tudo o que eles significam.
Oxalá os pais consigam, na vida agitada de hoje, ler mais aos seus filhos. Os professores, com o tempo apertado para os currículos, possam incentivar a actos de transposição do texto literário para o teatro ou para outras formas artísticas, como a dramatização de um texto de António Mota, pelos alunos aqui presentes. Os bibliotecários, com a multiplicidade de tarefas em que estão submersos, consigam ter tempo para ler aos seus jovens utilizadores, consigam incentivar à leitura e fazer descobrir os tesouros que as bibliotecas têm nas suas estantes.
No dia mundial do livro infantil, um escritor eslovaco dizia que os livros têm o seu destino marcado nas estrelas. Todo juntos, numa comunidade composta pelas famílias, escola e biblioteca vamos criar um destino melhor para os mais novos, com o livro por perto.
O nosso muito obrigada aos alunos da escola nº2 de V.N. Famalicão, e à sua professora Marcela, que aqui estão para nos fazer sonhar com esta “galinha medrosa”, que julga que o céu lhe vai cair na cabeça.
Os livros fazem-nos saber mais, e o mais importante ainda, fazem-nos imaginar-sonhar, que é o poder maior que existe no mundo.
O céu da galinha e o S. Jorge, santo do dia, farão vir dias melhores para os livros, que já estão destinados nas estrelas.

sábado, 22 de abril de 2006

maratona das bibliotecas


Festejamos a existência dos livros e do direito de autor, no dia 23 de Abril. Em Portugal conhecida como a Maratonas das Bibliotecas. Festejamos muitas, nesta biblioteca.
A deste ano é apelidada de "Primavera de Livros". Todos, os que por cá trabalham nesta biblioteca, chegaram a horas, os horários foram cumpridos.
O livro mais vendido na Feira do Livro de Saldo foi o : "Inverno do nosso descontentamento".
É urgente mudar de estação.
Quero uma biblioteca viva.

sexta-feira, 21 de abril de 2006

o poeta rilke e o artista rodin

aguarela de Rodin
O escultor Auguste Rodin, com 62 anos, cruzou a sua vida com o poeta Rilke.
Rilke, cuja mulher tinha sido aluna do escultor, visitou-o em Paris, em 1902, e tornou-se ser secretário (1905-06). Rodin era já um reconhecido artista e Rilke um poeta em formação. Foi crucial este encontro. O poeta dedica-lhe mais tarde o livro os "Novos Poemas".
Têm um livro juntos "Momentos de Paixão", com aguarelas de Auguste Rodin e poemas Rainer Maria Rilke (editado Relógio d´Água, 2004).
“Por metade chamo-te, por metade aparto-te de mim,
para não perturbar o belo encantamento;
ao escutar-te os pulsos, digo-me:
não estarás aqui?”.
Está na lista dos meus livros preferidos.
Chegou hoje à Biblioteca.
Viva a biblioteca.

quinta-feira, 20 de abril de 2006

para acordar o silêncio

Terminou o curso de escrita criativa, na biblioteca. São quarenta novos escritores que beberam e encheram o depósito de gasolina. O que faz alguém escrever? Porque escrevemos? Porque escrevemos para os outros lerem?
Escrevemos por tantas razões que é sempre muito belo ouvi-las da boca dos outros. Porque estamos vivos. Para dar brilho às coisas. Para todos os dias serem manhãs. Para erguer o coração. Para que os outros deslizem de mansinho. Para mudar de estação. Para acordar o silêncio. Para nos destruirmos. Para renarcermos.
Vivam as bibliotecas.

quinta-feira, 13 de abril de 2006

para me manter vivo


para te manteres vivo - todas as manhãs
arrumas a casa sacodes tapetes limpas o pó e
o mesmo fazes com a alma - puxas-lhe brilho
regas o coração e o grande feto verde-granulado

deixas o verão deslizar de mansinho
para o cobre luminoso do outono e
às primeiras chuvadas recomeças a escrever
como se em ti fertilizasses uma terra generosa
....

Al Berto

sexta-feira, 7 de abril de 2006

o cavalo alado azul


Gostaria que a minha biblioteca fosse um cavalo alado azul e pudesse sair desta prisão que lhe querem conferir.
Vivam as bibliotecas livres.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

a lâmpada, os livros

Ontem Fernando Alves, no seu SINAIS - TSF, disse :

"A lâmpada, os livros
Ainda às voltas com papéis antigos, recortes de jornais guardados e nunca usados, encontro uma notícia na Folha de São Paulo de Janeiro de 2004. O metro da Cidade do México acabara de lançar uma operação de empréstimo de livros de tal dimensão que o jornal fizeram um título cheio de cor. «Metrô mexicano vira biblioteca circulante». Lê-se e fica-se a querer muito que corra bem, que o livro apanhe a boleia justa, que a carruagem motora puxe por ele, o conduza ao cais mais iluminado."
(09:05 06 de Abril 06)
Vivam as bibliotecas a circular!

quarta-feira, 5 de abril de 2006

nos açores


O 9º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, subordinado ao tema «Bibliotecas e arquivos : informação para a Cidadania, o Desenvolvimento e a Inovação» vai-se realizar em Ponta Delgada (Açores), entre 29 e 31 de Março de 2007.
Se lá formos é preciso ir ver a Biblioteca Central da Universidade dos Açores, no Campus Universitário de Ponta Delgada. Um espectáculo ! Será que é funcional? Mas é muito bonita!
Vivam as bibliotecas dos Açores.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

o destino dos livros está escrito nas estrelas


Mensagem do 2 de Abril
Dia Internacional do Livro Infantil

o destino dos livros está escrito nas estrelas
Ján Uličiansky

Os adultos perguntam com frequência o que acontecerá aos livros quando as crianças deixam de os ler.
Talvez esta seja uma resposta:
«Nós carregá-los-emos todos em enormes naves espaciais e enviá-los-emos para as estrelas!»
Uau...!
Os livros são realmente como estrelas num céu nocturno. Há tantos, não podem ser contados e frequentemente estão tão longe de nós que não ousamos procurá-los. Mas imaginem só como ficaria escuro se um dia todos os livros, esses cometas no nosso universo cerebral, partissem e cessassem de fornecer essa energia ilimitada da imaginação e do conhecimento humanos...
Valha-nos Deus!
Vocês dizem que as crianças não podem compreender uma ficção científica como esta?! Muito bem, eu viajarei para a terra e permitir-me-ei recordar os livros da minha própria infância. De qualquer maneira, isto é o que me veio à mente quando eu estava a olhar para a Ursa Maior, a constelação a que nós, Eslovacos, chamamos «Grande Carroça», porque os meus livros mais preciosos me chegaram numa carroça... Isto é, não chegaram inicialmente a mim, mas à minha mãe. Foi durante a guerra.
Um dia, estava ela à beira da estrada quando passou chocalhando uma carroça – uma carroça de feno atulhada de livros e puxada por uma parelha de cavalos. O condutor disse à minha mãe que estava a transportar os livros da biblioteca da cidade para um lugar seguro, para impedir que fossem destruídos.
Nesse tempo a minha mãe era ainda uma menina pequena, ansiosa por ler, e à vista daquele mar de livros os olhos dela iluminaram-se como estrelas. Até então só tinha visto carroças cheias de feno, palha ou talvez estrume. Para ela uma carroça cheia de livros era como algo saído de um conto de fadas. Arranjou coragem para pedir:
«Por favor, não poderia dar-me ao menos um livro dessa grande pilha?»
O homem sorriu, assentiu, saltou da carroça abaixo, desatou um dos lados e disse: «Podes levar para casa todos os que caírem no caminho!»
Alguns volumes caíram ruidosamente na estrada poeirenta, e pouco depois aquela estranha carroça já tinha desaparecido numa curva da estrada. A minha mãe apanhou os livros, com o coração a bater furiosamente de excitação. Depois de lhes limpar o pó, verificou que entre eles, perfeitamente por acaso, havia uma edição completa dos contos de Hans Christian Andersen. Nos cinco volumes de várias cores não existia uma única ilustração, mas aqueles livros iluminaram milagrosamente as noites que a minha mãe tanto temia. Isso acontecia porque durante aquela guerra ela tinha perdido a sua própria mãe. Quando lia aqueles contos ao serão, cada um deles era para ela um pequeno raio de esperança, e com uma imagem tranquila no coração, pintada com pestanas meio fechadas, podia adormecer sossegadamente, pelo menos durante um bocado...
Os anos sucederam-se e aqueles livros passaram para mim. Eu levo-os sempre comigo pelas poeirentas estradas da minha vida. De que poeira é que eu falo, perguntam vocês?
Ah!
Talvez eu estivesse a pensar na poeira de estrelas que se instala nos nossos olhos quando nos sentamos numa cadeira a ler numa noite escura. Isto é, se estivermos a ler um livro. No fim de contas, nós podemos ler todo o tipo de coisas. Uma face humana, as linhas da palma de uma mão, e as estrelas...
As estrelas são livros num céu nocturno e iluminam a escuridão.
Sempre que eu duvido se vale a pena escrever mais um livro, contemplo o céu e digo para mim próprio que o universo é realmente infinito e que ainda deve haver lugar para a minha pequena estrelinha.
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Ján Uličiansky nasceu em 1955 em Bratislava. Tendo estudado dramaturgia, é autor de peças de teatro e contista, tendo sido director do Teatro de Marionetas de Košice e trabalhando actualmente como dramaturgo na rádio eslovaca. Diversas vezes premiados, os seus livros para crianças parecem buscar uma nova coerência na relação entre a lógica infantil e a lógica adulta. Humor, paródia, aventura são aspectos recorrentes na sua escrita, que explora de modo criativo o ludismo verbal. Dos seus livros destacam-se As Ilhas dos Bonecos de Neve (1990), Temos a Ema (1993), Histórias Extraordinárias dos Sete Mares (2003) e Um Rapaz Mágico (2005).
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Versão portuguesa: José António Gomes
Autor do cartaz: Peter Čisárik

sexta-feira, 31 de março de 2006

os bibliotecários escrevem histórias


Os bibliotecários também escrevem histórias, nos cursos de escrita criativa. E há os que têm muita sorte e podem escrever quando querem.
Conheço uma bibliotecária que escreve short stories deliciosas de saborear, com ovos estrelados e abóboras, que nos aguçam o apetite para ler mais. Oxalá essas histórias nos sejam postas à mesa, nalgum livro de capa comestível.
Vivam as bibliotecárias das bibliotecas vivas

canção de inverno

No curso de escrita criativa, a decorrer na biblioteca, criam-se textos muito diferentes, segundo o Valter Hugo Mãe, todos eles reflectem o que cada um é, por mais distância colocada nas palavras e nas personagens.

"Canção de Inverno

Um homem só. Não permanece inquieto, mas sempre só. As mãos em cima do teclado aguardam as memórias paralelas que lhe criam impressões para este momento.
Canção de Inverno, não se pode esquecer, e as memórias a arrebatá-lo. Sempre escolheu a solidão, nas tardes de qualquer ano, uma espécie de rouxinol do mato. Estudava numa casa alugada que era um lugar ermo, sem som. Detestava os gritos de qualquer parte, os ruídos de um livro a cair do nada, as camas a gemer e o som do fósforo quando reluz.
Pequenos sobressaltos pairam na sua mente mas não se esquece do que está a tocar naquele momento.
No Inverno, foi no Inverno que tudo aconteceu, que o ar gélido do norte lhe arrebatou os sentidos e o deixou abandonado na sua juventude sem nenhuma canção.
As suas mãos espraiam-se ao ritmo do pensar e o homem percebe quanto tempo perdeu de vida sem perceber o mundo, sobretudo a luz que o atormenta e o encerra num manto de finos sentimentos controversos.
O destino da solidão que traçou é sempre sublimado nos momentos em que termina de tocar, em que as suas mãos sossegam e o seu espírito se levanta , e mais uma vez no final de tocar Schumann, altura em que a sua loucura se cruza com a do compositor, que percebe, enfim, que o aplaudem.
Vai com ele o Inverno, tão só e tão pleno de graças."

terça-feira, 28 de março de 2006

uma pequenina luz

Às vezes o sentimento dos que trabalham nas bibliotecas é mesmo este. Obrigada Jorge de Sena por ainda alguma coisa brilhar.

"Uma pequena luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós..."

Jorge de Sena

segunda-feira, 27 de março de 2006

homenagem aos livros pequenos e alguns menos


Gastão Cruz recebeu, na Feira do Livro de Braga, o Grande Prémio de Literatura DST 2005, pelo livro de poesia "Repercussão". Este livro foi lido e comentado na Comunidade de Leitores da minha biblioteca, no ano passado.
Vivam as bibliotecas com livros vivos.

"Livros pequenos onde se concentra
a vida das palavras que é o eco
de vozes vivas povoando as cenas
de cada hora contra o céu batendo
livros que dizem coisas tão
diversas do mundo e as prendem
aos olhos de quem esperava... "

Gastão Cruz
in Repercussão

sexta-feira, 24 de março de 2006

german danz n º1

Dançamos, com muitos meninos, a Dança Alemã nº1 de Mozart, na biblioteca.
Vieram para ouvir falar do menino e senhor da música, que nos legou uma lista infindável de obras magníficas. Também elas figuram nas prateleiras da biblioteca.
Viva a música nas bibliotecas vivas.

terça-feira, 21 de março de 2006

poesia, dia mundial

Poema quase apostólico

Está sereno o poeta
desprende-se-lhe dos ombros e cai
depois em pregas por ele abaixo a manhã
Não pertencem ao dia os gestos que ele tem
não morrerão na noite seus assombrosos passos
Dizem que ele volta a pôr em movimento a roda
de crianças de atitudes desmedidas
que o vento varreu e parque algum queria
E abre os braços para deixar cair na cidade
um ano favorável ao senhor
E põe o rosto do senhor por trás das suas palavras
Elas decerto o hão-de dar a quem as demandar.

Ruy Belo

quinta-feira, 16 de março de 2006

a tenda do Camilo

"A minha tenda são uns vinte volumes, um tinteiro de ferro e um cabo de pena de osso"

Camilo Castelo Branco

padrinho da nossa biblioteca, nascido a 16 de Março 1825

para que nasças muito antes de chegares


Nasceu há 14 anos na grande biblioteca universal. Partilho com ela a vida e os livros.


Para que nasças no mês anterior
Para que nasças muito antes de chegares


Para que amanheças já aberta e recortada
no tempo anterior à tua vinda
para que amanheças
...

Daniel Faria

segunda-feira, 13 de março de 2006

música nas bibliotecas


Ouvir o pianista Krystian Zimerman, ao vivo. Sonata em si bemol menor de Chopin. Tive esse privilégio, uma espécie de prenda de anos, eu e a Mariana, minha filha pianista.
Gostaria que as bibliotecas de leitura pública conseguissem ter as melhores gravações dos bons pianistas. Cá se vai fazendo por isso.

sexta-feira, 10 de março de 2006

parabéns oceano !








Faz anos o Tiago, peixe-carrossel, O António, peixe-melodia, e muitos outros peixes.
Parabéns ao Paulo, peixe-pai, à Lena, peixe-mãe, à Mariana, peixe-flor, ao JJ, peixe-sonhador e ao Nuno, aquário, que nos envolve a todos.
Parabéns a este Oceano que desejo pacífico.

quinta-feira, 9 de março de 2006

dia internacional da mulher

Há uma biblioteca que ainda está viva, cujo bibliotecário oferece um bombom, neste dia, a todas as mulheres que com ele trabalham.
Um doce que nos lembra a presença feminina no mundo, num reino que pretendemos maternal, também nas bibliotecas.
Vivam as bibliotecas vivas.

terça-feira, 7 de março de 2006

nevou, bem perto de casa

serra da cabreira, 28 fevereiro, carnaval
Posted by Picasa
Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão
com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e
os lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,
como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o
nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e ar
de como a primeira menta da infância.
Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.
Maria do Rosário Pedreira.

a terra do anjo azul

A terra do anjo azul foi falada por muitas crianças, nas bibliotecas escolares, que visitei com o escritor António Mota.
O que é necessário para ser escritor? Que livros lê aos alunos? Escreveu alguma história de amor?
Tantas perguntas de gente tão pequena...
Para escrever só há uma receita, que lhes foi dada (juntamente com a do arroz à Valenciana, da Galiza) : ler, ler, ler. Aos alunos lê o "Pinóquio", versão completa do Collodi, a "Quinta das cerejeiras" da Ilse Losa e o "Emílio e os detectives" de E. Kastner. História de amor só a dos animais do "Romeu e as rosas de gelo".
Recomendou "A abada de histórias", todas as pequenas histórias lidas há muitos anos na RTP, no programa do Vitinho, e "Se tu visses o que eu vi".
O escritor marcou TPC : escrita de uma história a partir da frase - O elefante é uma palavra muito pesada, e a invenção de um título para uma história que lhes contou do livro sem palavras.
Vivam as bibliotecas !

sexta-feira, 3 de março de 2006

a sombra do vento

Um utilizador solicitou a consulta da 2ª edição aumentada de uma obra que ele achava que existia na biblioteca. Consultei o catálogo bibliográfico e nunca essa edição esteve na nossa posse. O utilizador insistiu e pediu para ser atendido por outro funcionário, na esperança da sabedoria pessoal do funcionário fazer aparecer a obra.

Ainda bem que estou a ler “A Sombra do vento”, livro escondido, senão perdido, no Cemitério dos Livros Esquecidos.