sexta-feira, 7 de abril de 2006

o cavalo alado azul


Gostaria que a minha biblioteca fosse um cavalo alado azul e pudesse sair desta prisão que lhe querem conferir.
Vivam as bibliotecas livres.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

a lâmpada, os livros

Ontem Fernando Alves, no seu SINAIS - TSF, disse :

"A lâmpada, os livros
Ainda às voltas com papéis antigos, recortes de jornais guardados e nunca usados, encontro uma notícia na Folha de São Paulo de Janeiro de 2004. O metro da Cidade do México acabara de lançar uma operação de empréstimo de livros de tal dimensão que o jornal fizeram um título cheio de cor. «Metrô mexicano vira biblioteca circulante». Lê-se e fica-se a querer muito que corra bem, que o livro apanhe a boleia justa, que a carruagem motora puxe por ele, o conduza ao cais mais iluminado."
(09:05 06 de Abril 06)
Vivam as bibliotecas a circular!

quarta-feira, 5 de abril de 2006

nos açores


O 9º Congresso Nacional de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas, subordinado ao tema «Bibliotecas e arquivos : informação para a Cidadania, o Desenvolvimento e a Inovação» vai-se realizar em Ponta Delgada (Açores), entre 29 e 31 de Março de 2007.
Se lá formos é preciso ir ver a Biblioteca Central da Universidade dos Açores, no Campus Universitário de Ponta Delgada. Um espectáculo ! Será que é funcional? Mas é muito bonita!
Vivam as bibliotecas dos Açores.

segunda-feira, 3 de abril de 2006

o destino dos livros está escrito nas estrelas


Mensagem do 2 de Abril
Dia Internacional do Livro Infantil

o destino dos livros está escrito nas estrelas
Ján Uličiansky

Os adultos perguntam com frequência o que acontecerá aos livros quando as crianças deixam de os ler.
Talvez esta seja uma resposta:
«Nós carregá-los-emos todos em enormes naves espaciais e enviá-los-emos para as estrelas!»
Uau...!
Os livros são realmente como estrelas num céu nocturno. Há tantos, não podem ser contados e frequentemente estão tão longe de nós que não ousamos procurá-los. Mas imaginem só como ficaria escuro se um dia todos os livros, esses cometas no nosso universo cerebral, partissem e cessassem de fornecer essa energia ilimitada da imaginação e do conhecimento humanos...
Valha-nos Deus!
Vocês dizem que as crianças não podem compreender uma ficção científica como esta?! Muito bem, eu viajarei para a terra e permitir-me-ei recordar os livros da minha própria infância. De qualquer maneira, isto é o que me veio à mente quando eu estava a olhar para a Ursa Maior, a constelação a que nós, Eslovacos, chamamos «Grande Carroça», porque os meus livros mais preciosos me chegaram numa carroça... Isto é, não chegaram inicialmente a mim, mas à minha mãe. Foi durante a guerra.
Um dia, estava ela à beira da estrada quando passou chocalhando uma carroça – uma carroça de feno atulhada de livros e puxada por uma parelha de cavalos. O condutor disse à minha mãe que estava a transportar os livros da biblioteca da cidade para um lugar seguro, para impedir que fossem destruídos.
Nesse tempo a minha mãe era ainda uma menina pequena, ansiosa por ler, e à vista daquele mar de livros os olhos dela iluminaram-se como estrelas. Até então só tinha visto carroças cheias de feno, palha ou talvez estrume. Para ela uma carroça cheia de livros era como algo saído de um conto de fadas. Arranjou coragem para pedir:
«Por favor, não poderia dar-me ao menos um livro dessa grande pilha?»
O homem sorriu, assentiu, saltou da carroça abaixo, desatou um dos lados e disse: «Podes levar para casa todos os que caírem no caminho!»
Alguns volumes caíram ruidosamente na estrada poeirenta, e pouco depois aquela estranha carroça já tinha desaparecido numa curva da estrada. A minha mãe apanhou os livros, com o coração a bater furiosamente de excitação. Depois de lhes limpar o pó, verificou que entre eles, perfeitamente por acaso, havia uma edição completa dos contos de Hans Christian Andersen. Nos cinco volumes de várias cores não existia uma única ilustração, mas aqueles livros iluminaram milagrosamente as noites que a minha mãe tanto temia. Isso acontecia porque durante aquela guerra ela tinha perdido a sua própria mãe. Quando lia aqueles contos ao serão, cada um deles era para ela um pequeno raio de esperança, e com uma imagem tranquila no coração, pintada com pestanas meio fechadas, podia adormecer sossegadamente, pelo menos durante um bocado...
Os anos sucederam-se e aqueles livros passaram para mim. Eu levo-os sempre comigo pelas poeirentas estradas da minha vida. De que poeira é que eu falo, perguntam vocês?
Ah!
Talvez eu estivesse a pensar na poeira de estrelas que se instala nos nossos olhos quando nos sentamos numa cadeira a ler numa noite escura. Isto é, se estivermos a ler um livro. No fim de contas, nós podemos ler todo o tipo de coisas. Uma face humana, as linhas da palma de uma mão, e as estrelas...
As estrelas são livros num céu nocturno e iluminam a escuridão.
Sempre que eu duvido se vale a pena escrever mais um livro, contemplo o céu e digo para mim próprio que o universo é realmente infinito e que ainda deve haver lugar para a minha pequena estrelinha.
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Ján Uličiansky nasceu em 1955 em Bratislava. Tendo estudado dramaturgia, é autor de peças de teatro e contista, tendo sido director do Teatro de Marionetas de Košice e trabalhando actualmente como dramaturgo na rádio eslovaca. Diversas vezes premiados, os seus livros para crianças parecem buscar uma nova coerência na relação entre a lógica infantil e a lógica adulta. Humor, paródia, aventura são aspectos recorrentes na sua escrita, que explora de modo criativo o ludismo verbal. Dos seus livros destacam-se As Ilhas dos Bonecos de Neve (1990), Temos a Ema (1993), Histórias Extraordinárias dos Sete Mares (2003) e Um Rapaz Mágico (2005).
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Versão portuguesa: José António Gomes
Autor do cartaz: Peter Čisárik

sexta-feira, 31 de março de 2006

os bibliotecários escrevem histórias


Os bibliotecários também escrevem histórias, nos cursos de escrita criativa. E há os que têm muita sorte e podem escrever quando querem.
Conheço uma bibliotecária que escreve short stories deliciosas de saborear, com ovos estrelados e abóboras, que nos aguçam o apetite para ler mais. Oxalá essas histórias nos sejam postas à mesa, nalgum livro de capa comestível.
Vivam as bibliotecárias das bibliotecas vivas

canção de inverno

No curso de escrita criativa, a decorrer na biblioteca, criam-se textos muito diferentes, segundo o Valter Hugo Mãe, todos eles reflectem o que cada um é, por mais distância colocada nas palavras e nas personagens.

"Canção de Inverno

Um homem só. Não permanece inquieto, mas sempre só. As mãos em cima do teclado aguardam as memórias paralelas que lhe criam impressões para este momento.
Canção de Inverno, não se pode esquecer, e as memórias a arrebatá-lo. Sempre escolheu a solidão, nas tardes de qualquer ano, uma espécie de rouxinol do mato. Estudava numa casa alugada que era um lugar ermo, sem som. Detestava os gritos de qualquer parte, os ruídos de um livro a cair do nada, as camas a gemer e o som do fósforo quando reluz.
Pequenos sobressaltos pairam na sua mente mas não se esquece do que está a tocar naquele momento.
No Inverno, foi no Inverno que tudo aconteceu, que o ar gélido do norte lhe arrebatou os sentidos e o deixou abandonado na sua juventude sem nenhuma canção.
As suas mãos espraiam-se ao ritmo do pensar e o homem percebe quanto tempo perdeu de vida sem perceber o mundo, sobretudo a luz que o atormenta e o encerra num manto de finos sentimentos controversos.
O destino da solidão que traçou é sempre sublimado nos momentos em que termina de tocar, em que as suas mãos sossegam e o seu espírito se levanta , e mais uma vez no final de tocar Schumann, altura em que a sua loucura se cruza com a do compositor, que percebe, enfim, que o aplaudem.
Vai com ele o Inverno, tão só e tão pleno de graças."

terça-feira, 28 de março de 2006

uma pequenina luz

Às vezes o sentimento dos que trabalham nas bibliotecas é mesmo este. Obrigada Jorge de Sena por ainda alguma coisa brilhar.

"Uma pequena luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós..."

Jorge de Sena

segunda-feira, 27 de março de 2006

homenagem aos livros pequenos e alguns menos


Gastão Cruz recebeu, na Feira do Livro de Braga, o Grande Prémio de Literatura DST 2005, pelo livro de poesia "Repercussão". Este livro foi lido e comentado na Comunidade de Leitores da minha biblioteca, no ano passado.
Vivam as bibliotecas com livros vivos.

"Livros pequenos onde se concentra
a vida das palavras que é o eco
de vozes vivas povoando as cenas
de cada hora contra o céu batendo
livros que dizem coisas tão
diversas do mundo e as prendem
aos olhos de quem esperava... "

Gastão Cruz
in Repercussão

sexta-feira, 24 de março de 2006

german danz n º1

Dançamos, com muitos meninos, a Dança Alemã nº1 de Mozart, na biblioteca.
Vieram para ouvir falar do menino e senhor da música, que nos legou uma lista infindável de obras magníficas. Também elas figuram nas prateleiras da biblioteca.
Viva a música nas bibliotecas vivas.

terça-feira, 21 de março de 2006

poesia, dia mundial

Poema quase apostólico

Está sereno o poeta
desprende-se-lhe dos ombros e cai
depois em pregas por ele abaixo a manhã
Não pertencem ao dia os gestos que ele tem
não morrerão na noite seus assombrosos passos
Dizem que ele volta a pôr em movimento a roda
de crianças de atitudes desmedidas
que o vento varreu e parque algum queria
E abre os braços para deixar cair na cidade
um ano favorável ao senhor
E põe o rosto do senhor por trás das suas palavras
Elas decerto o hão-de dar a quem as demandar.

Ruy Belo

quinta-feira, 16 de março de 2006

a tenda do Camilo

"A minha tenda são uns vinte volumes, um tinteiro de ferro e um cabo de pena de osso"

Camilo Castelo Branco

padrinho da nossa biblioteca, nascido a 16 de Março 1825

para que nasças muito antes de chegares


Nasceu há 14 anos na grande biblioteca universal. Partilho com ela a vida e os livros.


Para que nasças no mês anterior
Para que nasças muito antes de chegares


Para que amanheças já aberta e recortada
no tempo anterior à tua vinda
para que amanheças
...

Daniel Faria

segunda-feira, 13 de março de 2006

música nas bibliotecas


Ouvir o pianista Krystian Zimerman, ao vivo. Sonata em si bemol menor de Chopin. Tive esse privilégio, uma espécie de prenda de anos, eu e a Mariana, minha filha pianista.
Gostaria que as bibliotecas de leitura pública conseguissem ter as melhores gravações dos bons pianistas. Cá se vai fazendo por isso.

sexta-feira, 10 de março de 2006

parabéns oceano !








Faz anos o Tiago, peixe-carrossel, O António, peixe-melodia, e muitos outros peixes.
Parabéns ao Paulo, peixe-pai, à Lena, peixe-mãe, à Mariana, peixe-flor, ao JJ, peixe-sonhador e ao Nuno, aquário, que nos envolve a todos.
Parabéns a este Oceano que desejo pacífico.

quinta-feira, 9 de março de 2006

dia internacional da mulher

Há uma biblioteca que ainda está viva, cujo bibliotecário oferece um bombom, neste dia, a todas as mulheres que com ele trabalham.
Um doce que nos lembra a presença feminina no mundo, num reino que pretendemos maternal, também nas bibliotecas.
Vivam as bibliotecas vivas.

terça-feira, 7 de março de 2006

nevou, bem perto de casa

serra da cabreira, 28 fevereiro, carnaval
Posted by Picasa
Diz-me o teu nome - agora, que perdi
quase tudo, um nome pode ser o princípio
de alguma coisa. Escreve-o na minha mão
com os teus dedos - como as poeiras se
escrevem, irrequietas, nos caminhos e
os lobos mancham o lençol da neve com os
sinais da sua fome. Sopra-mo no ouvido,
como a levares as palavras de um livro para
dentro de outro - assim conquista o vento
o tímpano das grutas e entra o bafo do verão
na casa fria. E, antes de partires, pousa-o
nos meus lábios devagar: é um poema
açucarado que se derrete na boca e ar
de como a primeira menta da infância.
Ninguém esquece um corpo que teve
nos braços um segundo - um nome sim.
Maria do Rosário Pedreira.

a terra do anjo azul

A terra do anjo azul foi falada por muitas crianças, nas bibliotecas escolares, que visitei com o escritor António Mota.
O que é necessário para ser escritor? Que livros lê aos alunos? Escreveu alguma história de amor?
Tantas perguntas de gente tão pequena...
Para escrever só há uma receita, que lhes foi dada (juntamente com a do arroz à Valenciana, da Galiza) : ler, ler, ler. Aos alunos lê o "Pinóquio", versão completa do Collodi, a "Quinta das cerejeiras" da Ilse Losa e o "Emílio e os detectives" de E. Kastner. História de amor só a dos animais do "Romeu e as rosas de gelo".
Recomendou "A abada de histórias", todas as pequenas histórias lidas há muitos anos na RTP, no programa do Vitinho, e "Se tu visses o que eu vi".
O escritor marcou TPC : escrita de uma história a partir da frase - O elefante é uma palavra muito pesada, e a invenção de um título para uma história que lhes contou do livro sem palavras.
Vivam as bibliotecas !

sexta-feira, 3 de março de 2006

a sombra do vento

Um utilizador solicitou a consulta da 2ª edição aumentada de uma obra que ele achava que existia na biblioteca. Consultei o catálogo bibliográfico e nunca essa edição esteve na nossa posse. O utilizador insistiu e pediu para ser atendido por outro funcionário, na esperança da sabedoria pessoal do funcionário fazer aparecer a obra.

Ainda bem que estou a ler “A Sombra do vento”, livro escondido, senão perdido, no Cemitério dos Livros Esquecidos.