segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

um poema para 2008


Contemplo yo a mi vez la diferencia
entre el hombre y su sueño de más vida,
la solidez gremial de la injusticia,
la candidez azul de las palabras.

No hemos llegado lejos, pues con razón me dices

que no son suficientes las palabras

para hacernos más libres.

Te respondo
que todavía no sabemos
hasta cuándo o hasta dónde

puede llegar una palabra,
quién la recogerá ni de qué boca

con suficiente fe

para darle su forma verdadera.


José Ángel Valente, in "La memoria y los signos", 1965.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

jesus bleibet meine freunde




música : Jesus Alegria dos Homens (Jesus bleibet meine Freude) - transcrição para piano do Coral nº 10, da Cantata Herz und Mund und Tat und Leben, BWV 147, de J.S. Bach, escrita em 1716.


quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

redes sociais, aprender a participar

A fraca participação nas redes sociais de profissionais, em Portugal, é um facto incontornável. Os fóruns também são pouco visitados e dedicamos pouco tempo a discutir as questões que nos preocupam na profissão. Importante é perceber que podemos lucrar com a opinião dos outros, e ao partilhar as nossas dificuldades ganhamos soluções. Já para não falar da discussão pela discussão tão ao gosto dos polemistas portugueses. Participar é a palavra de ordem, todos ganhamos.

Bibliotecários 2.0 (criada pelo Júlio Anjos, 76 membros, português)

Librarians (criada pelo Fernando Vilarinho, 189 membros, inglês)

View my page on Librarians

Library 2.0 ( criada pelo Bill Drew, 2592 membros, inglês)


Vivam as bibliotecas vivas!

terça-feira, 18 de dezembro de 2007

a rede e as suas utopias

Deep Web

Foi publicado ontem no E-LIS um interessante artigo da minha colega Maria Manuel Borges (da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), editora do blogue Sphere, intitulado "A Rede e as suas utopias".
Fala-nos da Internet e da WWW que nos permitem novas formas de criação e transferência de informação fornecendo meios poderosos que permitem que pessoas e organizações colaborem e partilhem a informação. Será que vamos ter mais acesso à informação?

"O que nós obtemos é uma visão que caminha desde formas elementares até à sua mais alta expressão, a noosfera, que tem existência no ciberespaço, aonde se estrutura pela WWW ou inteligência colectiva. De que se
trata aqui senão da virtualização da biblioteca física? A visão da intercomunicabilidade e interpenetração de espaços de informação significam a constituição do reino do virtual e novas capacidades de exploração e aprendizagem. Como diz Serge Raynal (2000), “A nossa visão do mundo está em plena alteração radical por uma visão múltipla, temporal, complexa e relacional”. As alterações no meio sócio-económico são definidas pela internacionalização, mundialização dos fenómenos, indivíduos melhor formados e informados, predominância da comunicação e supremacia das redes e estes factores induzem como consequência complexidade, incerteza e turbulência. Mas é no cerne destes fenómenos que se encontra a informação (ou a sua representação), a matéria-prima com que sempre trabalharam as bibliotecas e não pode (não deve) significar outra coisa que não seja a afirmação destas como componente ou pilar fundamental na construção do futuro, afirmando-se, no presente, enquanto garante da sua construção efectiva."
Vivam as bibliotecas vivas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

os meus amigos

Jardim Casa de Camilo, Inverno 2006
foto LA

Amigos cento e dez, e talvez mais
Eu já contei! Vaidades que eu sentia!
Pensei que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,

Tão zelosos das leis da cortesia,
que eu já farto de os ver, me escapulia,

Ás suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoecia profundamente,
Ceguei. Dos cento e dez, houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

-Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver...
-Que cento e nove impávidos marotos!

Camilo Castelo Branco

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

livros e casas

Na Argentina, desenvolvem o Programa Libros y Casas, que consiste em incentivar à leitura famílias que vivem nas casas de bairros sociais do Instituto Provincial de Desarrollo Habitacional. As casas trazem incorporadas uma mini biblioteca equipada com livros e uma estante para os acondicionar!
Trata-se de uma acção da política cultural deste país para democratizar o acesso aos livros e fomentar a leitura nos sectores economicamente mais desfavorecidos. A Secretaria da Cultura da Nação implementou em 800 localidades de todo o país o Programa Libros y Casas, entregou mais de 80.000 bibliotecas com 18 volumes cada (temas: constituição do país, História da Argentina (1810-2000), Contra a os crimes da ditadura, manuais sobre direitos legais, guias de alimentação, saúde, procura de emprego, uma enciclopédia, livros de literatura para adultos (clássicos, poesia e contos argentinos) e literatura para crianças.

(Convénio entre IPRODHA e a Secretaría de Obras Públicas del Ministerio de Planificación Federal, Inversión Pública y Servicios, subsecretaría de Desarrollo Urbano y Vivienda y la Secretaría de Cultura de la Nación – Argentina).

Fonte: Boletín informativo Electrónico del Centro de Estudos de Bibliotecologia de la Sociedad Argentina e Información
Vivam as bibliotecas vivas.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

os filhos do esfolador


A peça de teatro “Os Filhos do Esfolador”, de valter hugo mãe, é encenada pelo actor Joaquim Nicolau, e interpretada pelos actores da companhia Jangada Teatro.
valter hugo mãe adaptou o “Cego de Landim”, das "Novelas do Minho" de Camilo Castelo Branco, ao teatro, transformando-a numa comédia com uma linguagem cénica leve e divertida.
Depois da estreia em Famalicão, a semana passada, a peça segue para Lousada, depois para Braga e outros teatros do país.

“Baseada na obra camiliana “O Cego de Landim”, a peça aborda a história de António José Pinto Monteiro ou como era conhecido do cego de Landim, filho primogénito de um barbeiro esfolador. Um ladrão e vigarista que faz fortuna no Brasil, aliado a um rapaz que lhe que serve de apoio depois de ele ter perdido a vista, e a um polícia corrupto. António José Pinto Monteiro faz-se à vida através da mais fina ladroagem. Falsário de grande qualidade, dotado de rara lábia, as suas artes cedo se notaram, distinguindo-o da humildade que caracterizava a sua família. Mandado para o Brasil aos 11 anos, por um beneditino que acreditava assim poder compor as suas naturais tendências para os actos criminosos, acaba por se tornar num activo malandro, imiscuído na política, na maçonaria e agindo mesmo contra o imperador. Por desgraça, tocaram-lhe as chicotadas de um militar imperialista que, no bulício do açoite, acabaram por cegá-lo.
Imerso nas mais profundas trevas, nem por isso se redime, muito pelo contrário, desenvolvendo uma trafulhice que tem tanto de competente quanto de caricato.
Regressado a Portugal, a Landim, de onde era natural, muito fausto lhe assistia, sobretudo à mesa, e fama disso e de grande esperteza e de muito mais. O Cego de Landim torna-se homem de grande história, e mais ainda quando cai em desgraça, vítima de oportunistas e ladrões que, como ele, nunca hesitariam uma boa abertura para enriquecer sem esforço. Virado o feitiço contra o feiticeiro, António José Pinto Monteiro morre praticamente na miséria.”

Vivam as bibliotecas vivas.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007