sexta-feira, 30 de junho de 2006

ler mais nas férias

A Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco e os Pólos emprestam livros durante 1 mês no período das férias Julho, Agosto e Setembro.

quinta-feira, 29 de junho de 2006

terça-feira, 27 de junho de 2006

resistir é vencer !

Esta foi a mensagem que enviei para o blogue "bibliotecário anarquista", destinada ao seu amigo K, bibliotecário doutorado, encostado pelos Cês recentemente promovidos pelo partido e que nada sabem de bibliotecas.

segunda-feira, 26 de junho de 2006

é à janela dos filhos que as mulheres respiram


Picasso
Para a minha amiga Fátima, bibliotecária, que regressa à sua biblioteca, e para o seu João Afonso que está ao redor do coração.

"As mulheres aspiram a casa para dentro dos pulmões
E muitas transformam-se em árvores cheias de ninhos - digo,
As mulheres – ainda que as casas apresentem os telhados inclinados
Ao peso dos pássaros que as abrigam.

É à janela dos filhos que as mulheres respiram
Sentadas nos degraus olhando para eles e muitas
Transformam-se em escadas

Muitas mulheres transformam-se em paisagens
Em árvores cheias de crianças trepando que se penduram
Nos ramos – no pescoço das mães – ainda que as árvores irradiem
Cheias de rebentos.

As mulheres aspiram para dentro
E geram continuamente. Transformam-se em pomares.
Elas arrumam a casa
Elas põem a mesa
Ao redor do coração."

Daniel Faria
In : Poesia

quinta-feira, 22 de junho de 2006

no México, o futebol numa biblioteca

O futebol move montanhas, dá poder, torna os homens irracionais. No Terceiro Mundo ainda é pior.
No México, no dia em que este país jogou com Portugal, passaram-se situações inauditas !
Li, num blog sul-americano, que numa biblioteca, os trabalhadores tiveram autorização dos seus superiores para ir vendo o jogo enquanto trabalhavam, mas ao mesmo tempo, um superior dos superiores fiscalizava os trabalhadores para que ninguém visse o jogo, no local de trabalho!
Só mesmo no Terceiro Mundo é que isto acontece ! E o mais engraçado é que para branquear o acontecimento, o superior - inferior acusa o bibliotecário de não ter entendido bem as ordens quanto ao “ir vendo o futebol na hora de trabalho” !
Ainda bem que sou uma bibliotecária que detesto futebol e não vivo no Terceiro Mundo!

quarta-feira, 21 de junho de 2006

o comandante

Enquanto passeava no parque, na hora de almoço, encontro um utilizador da biblioteca pelo qual nutro um carinho muito especial. Há muito tempo que não o via e sentia um aperto no coração por nada saber dele.
É o meu muito querido Comandante Bento Leite, reformado das embarcações e das viagens à volta do mundo. Utiliza a biblioteca com muita frequência e procura sempre a bibliotecária para o ajudar nas suas difíceis pesquisas bibliográficas. É um prazer e um desafio ajudá-lo. Cruzamos os nossos caminhos há muito tempo. Já lhe procurei livros e relatórios por todas as bibliotecas portuguesas, sobre os assuntos que lhe interessam e que precisa para escrever. Apaixonei-me pela pesca, pelas embarcações, pela história dos barcos, pela pesca do bacalhau, pelos portos. Já lhe ouvi as histórias mais belas passadas no mar alto, as histórias exóticas por todos os sítios onde viveu.
De todas as vezes que o vejo, peço-lhe para as escrever. Já realizamos uma gigantesca exposição, na biblioteca municipal, com parte do seu espólio bibliográfico sobre as embarcações portuguesas, juntamente com réplicas-miniatura dessas embarcações.
A sua vida é contada pelos dias que passou no mar e pelos dias que passou em terra com a sua mulher, já falecida.
O tempo começa numa terça-feira, dia em que a sua amada mulher morreu, há já doze anos. Hoje é sempre doze anos, 4 meses e 20 dias passados sem a sua eterna mulher.
Um homem do mar, sem o amor da sua mulher, vem às vezes à biblioteca. Quando deixa de vir, sou eu que conto os dias, com o coração apertado.
Vivam as bibliotecas vivas.

sexta-feira, 9 de junho de 2006

a casa de papel


Os livros mudam o destino das pessoas.
Mas nós mudamos também o destino dos livros e das bibliotecas.
Hoje lançei mais uns dados. A minha sorte será a sorte dos livros e de uma biblioteca.
Uma casa de papel. Os livros são a minha casa.
Viva uma biblioteca que quero tornar viva.
fotografia de Cláudia Neta

quinta-feira, 8 de junho de 2006

uma nova palavra

A partir de hoje, quem entrar na biblioteca encontra uma nova palavra. Uma palavra oferecida de par em par.
"Eu quero uma nova palavra
diferente das outras palavras
que cansei de repetir,
uma palavra de vento,
uma palavra que o tempo
seja capaz de ferir.
Eu quero uma nova palavra,
mistura de sol e de frio,
de barcos descendo um rio,
cheia de céu e de mar.
Eu quero uma nova palavra
aberta de par em par
como o rosto de um menino
com paisagens no ouvido
e cantigas no olhar."
João Pedro Mésseder
In "De que cor é o desejo ?"

terça-feira, 6 de junho de 2006

plano nacional de leitura


Sara Affonso
No passado dia 4, foi apresentado o Plano Nacional de Leitura, pelo Ministério da Educação e da Cultura. Vai ser mesmo uma prioridade política com investimento de milhares de euros.
O principal objectivo é incentivar a leitura entre os mais novos e criar hábitos de leitura.
No ano lectivo 2006/2007 arrancam 3 programas em todas as escolas do país :
- "Está na hora dos livros" - para crianças que não sabem ler e o objectivo é incentivar o contacto com as obras através das leituras feitas pelos educadores.(Pré-escola)
- "Está na hora da leitura" - para crianças que começam a ler. Todos os dias no 1º ciclo está previsto 1 hora/dia para a leitura com o professor na sala de aula, para além de outras actividades paralelas.
-"Quantos mais livros melhor" - destinado ao 2º ciclo, onde estão previstos 45 minutos de leitura, na sala de aula, na disciplina de Português.
As bibliotecas públicas já efectuam este trabalho já alguns anos, como diriam alguns estudiosos destas matérias, proporcionaram uma revolução "silenciosa" na área da promoção da leitura.
Vão agora ser contempladas com mais acções do Programa de Itinerâncias Culturais, do Ministério da Cultura, com 400.000 euros, para 2007 !
Vivam as bibliotecas vivas.

sábado, 3 de junho de 2006

14 portas se abrem

A biblioteca, que me acolheu e me fez crescer, retoma hoje o seu aniversário, neste novo edifício, com as características de uma biblioteca pública. Faz 14 anos que se abriram as portas e a luz entrou. Para não mais sair.
Parabéns à Biblioteca Municipal Camilo Castelo Branco. Viva a biblioteca viva.

quinta-feira, 1 de junho de 2006

para todos os que trabalham comigo

Às vezes, o dia resume-se a uma palavra. Hoje o dia valeu pelo nosso encontro.
Há muito tempo que não nos encontravamos, todos reunimos à volta de uma mesa, sem nos culparmos e nos atacarmos.
Hoje intensificamos o nosso tempo, juntos nesta biblioteca, nesta morada carregada de livros e sons, não nos esqueçemos que é preciso transportar o ouro e o marfim, num único navio, no verdadeiro navio de espelhos que cavalga.
Vivam todos os que trabalham na biblioteca viva.
"O navio de espelhos
não navega cavalga

Seu mar é a floresta
que lhe serve de nível

Ao crepúsculo espelha
sol e lua nos flancos

Por isso o tempo gosta
de deitar-se com ele

Os armadores não amam
a sua rota clara

(Vista do movimento
dir-se-ia que pára)

Quando chega à cidade
nenhum cais o abriga

O seu porão traz nada
nada leva à partida

Vozes e ar pesado
é tudo o que transporta

(E no mastro espelhado
uma espécie de porta)

Seus dez mil capitães
têm o mesmo rosto

A mesma cinta escura
o mesmo grau e posto

Quando um se revolta
há dez mil insurrectos

(Como os olhos da mosca
reflectem os objectos)

E quando um deles ala
o corpo sobre os mastros
e escruta o mar do fundo

Toda a nave cavalga
(como no espaço os astros)

Do princípio do mundo
até ao fim do mundo"

Mário Cesariny.